Corantes e Pigmentos

Pigmentos – Pesquisas buscam insumos sustentáveis e capazes de desempenhar novas funções

Marcelo Fairbanks
18 de novembro de 2010
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    Química e Derivados, Givanildo Ferreira, Lanxess, combinações com orgânicos para alcançar a cor, o custo e o PVC

    Ferreira: óxidos de ferro têm grande facilidade de dispersão

    Atualmente, segundo Schwarz, a demanda nacional de óxidos de ferro se divide em 45% para construção civil (pigmentação de massas, principalmente), de 30% a 35% para tintas, 10% para plásticos e o restante para aplicações diversas, inclusive o varejo (linha de pó xadrez). “Essa divisão de mercado varia muito pouco em todos os países”, disse. No segmento de tintas, as linhas imobiliárias são as maiores clientes dos óxidos de ferro, que também têm algumas aplicações em vernizes, com produtos especiais. A Lanxess não produz mais os óxidos transparentes.

    “Os óxidos de ferro têm bom desempenho tanto em base água como em base solvente, e ampliaram-se suas aplicações com a retirada dos metais pesados das formulações de tintas”, observou Ferreira. Isso impulsionou, por exemplo, as vendas do Bayferrox 943, um amarelo com tom alaranjado, especialidade importada da Alemanha. “É um pigmento que custa de US$ 4 a US$ 5 por kg, mas é capaz de reduzir a dosagem de um orgânico que pode custar US$ 20 por kg, com vantagens no aumento da durabilidade e na cobertura”, exemplificou.

    Os fabricantes de tintas preferem receber o pigmento em pó, aproveitando a facilidade de manipulação e dispersão dos óxidos de ferro. “A maior procura por dispersões está ligada ao nível de ocupação das fábricas de tintas, que chegou ao apogeu em 2007 e 2008, época na qual todos queriam receber pigmentos dispersos para reduzir serviços internos e ganhar produtividade”, explicou Schwarz. Ele admite que essa demanda pelos produtos dispersos possa voltar, uma vez que o alinhamento de grandes obras civis, ligadas principalmente à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016, associado à evolução da economia nacional, cria um ambiente para crescimentos anuais importantes no consumo de tintas, entre 5% e 6%, ao menos. Ele salientou que a Lanxess possui uma divisão para preparar essas dispersões, hoje atuando no segmento de colorantes, mas que seria capaz de atender a esses pedidos.

    Resistência ampliada – A produção de óxidos de ferro na Lanxess em Porto Feliz usa o método Penniman-Zoph. Basicamente, em um reator, uma fonte de ferro, como sucata, é atacada quimicamente por ácidos e álcalis, e submetida a calor úmido (vapor), com o objetivo de provocar a oxidação do metal na forma hidratada, dando origem ao pigmento amarelo e ao preto. Parte do material amarelo é calcinada, para retirar a água retida, gerando o óxido de ferro vermelho. Os tons intermediários, como os marrons, são obtidos por meio de misturas.

    Como resultado, os amarelos tendem a resistir menos às altas temperaturas. “Existem tratamentos superficiais que aumentam essa resistência até 300ºC”, explicou Ferreira. O pigmento amarelo normal resiste a 200ºC em curtos períodos de residência, além do qual começa a avermelhar. Os pretos são um pouco mais estáveis e também contam com tratamentos superficiais para superarem a faixa de 300ºC. Por sua vez, obtidos por calcinação, os vermelhos são os mais resistentes a altas temperaturas, dispensando esse tipo de modificação. Segundo Ferreira, essa característica é importante para a produção de tintas em pó, cuja produção é crescente no Brasil, substituindo importações.

    No caso geral dos pigmentos, a entrada no país de produtos de origens variadas causa alguma preocupação. “Temos capacidade para atender a duas vezes o mercado local, oferecemos estoque para pronta entrega e assistência técnica aos clientes, e somos competitivos na produção, mas sofremos com os custos logísticos, com impostos e com a taxa de câmbio”, comentou Schwarz. Ele disse que os grandes clientes, em geral, confiam e apoiam a produção local de insumos, mas isso não os impede de realizar eventuais importações.

    “Para nós, os óxidos de ferro não são commodities, mas especialidades que precisam ter especificações rígidas e qualidade constante”, afirmou o gerente-executivo. Além disso, a Lanxess produz esses pigmentos por meio de outros dois processos, especialmente na Alemanha. Os diferentes processos oferecem variações importantes na dureza das partículas e nas suas tonalidades. “Por isso, nosso portfólio é tão amplo”, comentou.

    Como novidade, a empresa apresentou o pigmento Bayferrox 915 de alto alastramento, cuja aplicação não deixa aparecer as marcas de mudança de direção no pincel durante a pintura. Existem várias opções de produtos, inclusive a linha Z, aprovada para contato direto com alimentos, sendo usada em rações animais e cosméticos, além de embalagens. Os usos do óxido de ferro chegam ao setor de petróleo, atuando como absorvedor para ácido sulfídrico (H2S) em plataformas de exploração e produção. Também é aplicado na remoção de arsênico de fluxos de água.

    Para o futuro, a Lanxess promete vermelhos de alta pureza de tonalidade, capazes de abrir novas possibilidades de formulação de cores. Esses pigmentos serão fabricados em unidades da companhia no exterior.

    Química e Derivados, João Alfredo Soares, Multicel / James M. Brown, pigmentos orgânicos não suportam mais de 280ºC

    Soares: complexos bimetálicos abrem caminhos nos inorgânicos

    Cádmio nacional – Os amarelos e vermelhos de cádmio consolidam sua posição em segmentos determinados do mercado de tintas, enquanto sofrem derrotas em outros campos. “O produto é seguro, mas ficou com imagem ruim, associada à dos metais pesados mais tóxicos”, explicou João Alfredo Soares, gerente de operações da Multicel, fabricante nacional adquirida em 2007 pelo grupo inglês James M. Brown, líder mundial nesses pigmentos.

    Os sulfetos de cádmio-zinco e os sulfoselenetos de cádmio oferecem cores limpas e brilhantes entre o amarelo-limão e o vermelho intenso, com alta resistência à temperatura (mais de 600ºC). Resiste melhor à luz quando encapsuladas em polímeros. Essas características colocam o pigmento mais próximo dos usos em plásticos. “Pigmentos orgânicos não suportam mais de 280ºC, atrapalhando a reciclagem das peças, o que não ocorre com o cádmio”, comentou.



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