Corantes e Pigmentos

Pigmentos – Pesquisas buscam insumos sustentáveis e capazes de desempenhar novas funções

Marcelo Fairbanks
18 de novembro de 2010
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    Cordeiro vê no crescimento do mercado de tintas um estímulo ao maior e melhor uso de pigmentos de efeito, mas adverte que a grande variedade de tipos e qualidades existentes no mercadob pode confundir o comprador. “Por conta da taxa de câmbio atual, os pigmentos estão ‘baratos’ em reais, mas seu custo em dólares está subindo em todo o mundo, acompanhando as altas das matérias-primas”, explicou.

    Em 2009, a Merck comprou um produtor chinês de perolados, em Taizhu, e está oferecendo esses pigmentos em todos os países em que atua. “São produtos brancos de boa qualidade, mas com especificações menos rigorosas que as nossas”, disse Cordeiro. Com isso, a distribuição do tamanho de partículas é mais ampla que a dos produtos tradicionais da companhia. Esse movimento foi feito para ocupar uma fatia de mercado em fase de crescimento, a de custo/benefício (value for money), no qual as exigências são menores em repetibilidade e uniformidade das partículas.

    Ainda hoje, cerca de 70% da produção de pigmentos tem como ponto de partida as micas naturais (muscovita), obtidas por mineração. “Estamos desenvolvendo as micas sintéticas com base em alumina, borosilicatos e silicato de sódio, nas quais o controle das partículas é total, com efeitos diferenciados para cada material e tratamentos posteriores”, afirmou Cordeiro. Ele salientou que a Merck, na Alemanha, possui um site químico de um km² de área, no qual é fácil atuar com sínteses.

    Os avanços tecnológicos vão além das tonalidades e cintilações. A Merck oferece um pigmento funcional condutivo para a formulação de primers claros. “Esse produto é fundamental para melhorar a aderência da camada superior de pintura em substratos de plásticos, cada vez mais usados na indústria automobilística”, comentou Veloso.

    Outra linha de desenvolvimento visa a aumentar a transmissão de calor dos pigmentos mediante tratamento superficial. Isso ajudará a controlar a temperatura interna de casas, escritórios e até mesmo dos carros.

    Também os pigmentos de segurança, usados em tintas para cartões eletrônicos bancários, ingressos de espetáculos e na impressão de papel-moeda de vários países, estão sendo aprimorados. “São pigmentos sensíveis a comprimentos específicos de onda luminosa, obtidos com o controle total da molécula e do sistema, facilitando a identificação do produto original”, comentou Cordeiro. Esses pigmentos são criados especificamente para cada cliente e aplicação, com um controle apurado das quantidades produzidas. Segundo informou, as notas de cinco e de vinte euros usam tintas feitas com pigmentos de segurança da Merck. “A Copa do Mundo será uma oportunidade para os fabricantes dessas tintas ampliarem negócios no Brasil”, apontou.

    A companhia lançou um aditivo para o autofechamento de riscos em pinturas de carros (self healing). Adicionado ao verniz, ele cria uma matriz elástica que recompõe a pintura atingida. “São tintas elaboradas sob encomenda, mas já estão sendo usadas no Brasil”, disse Veloso.

    A dinâmica desses negócios convida a companhia a manter um programa de inovação constante, antecipando-se aos desejos dos clientes. “O Color Trends, um dia de apresentação de sugestões e discussões sobre cores com clientes ligados à indústria automobilística, que era por nós promovido bienalmente, passará a ser anual a partir de 2011”, informou Cordeiro. “O Brasil ainda usa muito prata e preto, isso não ajuda a criar muita coisa.” Outros mercados, como o de cosméticos e o de têxteis, são muito mais dinâmicos.

    A transição das tintas automotivas para formulações com altos sólidos ou de base aquosa foi acompanhada pelo fabricante de pigmentos de efeito. “Antes, tínhamos um produto para uso com solventes e outro para água, mas hoje todos os lançamentos atendem bem a ambos os sistemas”, explicou Veloso. A dispersão dos pigmentos de efeitos geralmente é simples, embora algumas linhas exijam o emprego de aditivos. Casos de migração e incompatibilidade com outros ingredientes são relatados e precisam ser prevenidos ou resolvidos individualmente. “Temos um grande banco de dados de aplicações que ajuda muito”, comentou o especialista.

    A suíça Clariant, por sua vez, mantém um grupo de trabalho permanente em Frankfurt para estudar novas funcionalidades para pigmentos, campo que poderá crescer com a aplicação de conhecimentos de nanotecnologia. Ela também representa no Brasil a Eckart, conhecida fabricante alemã de pigmentos metálicos, que já possui produtos indicados para refletir o calor incidente em paredes externas. A Eckart, aliás, está dando seus primeiros passos no campo dos perolados. “Esse mercado é complicado, precisa ajustar cada fórmula em cada cliente, não existe produto pronto para substituição rápida, um drop in”, afirmou Uehara.

    Sem metais pesados – Novidade no mercado nacional é o banimento dos pigmentos feitos com metais pesados das tintas decorativas imobiliárias, decretado voluntariamente pelos fabricantes nacionais reunidos na Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) como contribuição setorial aos propósitos de sustentabilidade. Sem poder usar o cromato de chumbo, houve um aumento na demanda pelos orgânicos e por inorgânicos mais amigáveis, como o óxido de ferro.

    Segundo Uehara, a combinação entre orgânicos e inorgânicos é desejável para alcançar os melhores padrões de cor e de resistência à luz e ao intemperismo nas tintas. “Nosso portfólio de pigmentos inclui inorgânicos como óxido de ferro, dióxido de titânio e negro de fumo produzidos por terceiros”, explicou. “Oferecemos ao cliente a melhor solução para a cor desejada no uso pretendido com o produto mais adequado, feito ou não por nós.”



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