Corantes e Pigmentos

Pigmentos – Pesquisas buscam insumos sustentáveis e capazes de desempenhar novas funções

Marcelo Fairbanks
18 de novembro de 2010
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    Química e Derivados, Pigmentos, preparações livres de compostos orgânicos voláteis

    Amostras de cores especiais usadas em peças plásticas

    “Todos os grandes fabricantes de tintas imobiliárias base água compram pigmentos preparados e dispersos na forma de pastas”, comentou Peres, da Clariant. “Os fabricantes de tintas de base solvente ou compram pigmentos em pó ou preparados para isso.” Pelo fato de os pigmentos orgânicos apresentarem elevada potência de cor, isso facilita sua dispersão, mas é preciso cuidado para evitar contaminação entre os lotes de cores diferentes, exigindo a limpeza frequente das linhas de produção. A compra de pigmentos dispersos, portanto, garante a qualidade do produto, por evitar erros de manipulação, gera economia de água e de energia nos moinhos.

    “Os pigmentos orgânicos são mais exigentes em moagem que os inorgânicos”, salientou Uehara, reforçando as vantagens da compra de preparações pigmentárias no lugar dos pós. “Dentro de cada classe de pigmentos há produtos com diferenças significativas de dispersabilidade e, como somos especialistas no insumo, sabemos como lidar com isso”, afirmou. Ele explicou que a produção de tintas em pó usa pigmentos normalmente indicados para plásticos, mais parecidos com as necessidades dessas linhas.

    Uehara não vê como tendência a criação de novas classes químicas de pigmentos, até mesmo pelos reduzidos esforços hoje dedicados a isso em todo o mundo. “A tendência é usar melhor o portfólio disponível”, comentou. A Clariant atua fortemente na sustentabilidade de seus negócios, motivo que a levou a deixar de produzir algumas classes químicas de pigmentos orgânicos, já em fase de redução de demanda. “Não usamos nonilfenol em nossas preparações de pigmentos e não há norma oficial que nos obrigasse a tanto”, disse Peres.

    Há preparações comerciais disponíveis livres de compostos orgânicos voláteis (VOC), caso desejado pelos clientes. “Embora a migração dos sistemas base solvente para base água seja muito forte, ainda há muito uso de solventes em tintas, na forma de coalescentes”, afirmou Uehara. Ele informou que as dispersões para base água da Clariant tentam ser universais o mais possível, eliminando, por exemplo, a incorporação de qualquer tipo de resina.

    Química e Derivados, Camila Pecerini, Evonik Degussa Brasil, aditivos dispersantes já incorporados a resina

    Camila: preparações sólidas para facilitar as dispersões

    De olho na economia de energia e simplificação de processos produtivos, a Evonik começa a oferecer ao Brasil a linha Inxel de preparações pigmentárias granuladas para tintas base água e base solvente, bem como tintas de impressão. “O conceito foi desenhado para tintas industriais e está sendo ampliado para linhas automotivas e em pó, tendo por base fornecer o pigmento com os aditivos dispersantes já incorporados a uma resina compatível com o sistema, na forma sólida, com maior facilidade de manipulação”, explicou Camila Pecerini, chefe da divisão de materiais inorgânicos da Evonik Degussa Brasil. A companhia possui grande participação nos brancos de dióxido de titânio e no negro de fumo, esta última divisão em fase de estudos para alienação.

    Segundo Camila, a dispersão dos produtos Inxel é fácil e rápida, aposentando totalmente os moinhos, exigindo apenas um misturador Cowles convencional nas tintas líquidas. A linha foi dividida em duas séries. A série A é formulada com base em resina aldeídica, indicada para sistemas de base solvente (exceto aguarrás) das famílias alquil, acil, nitrocelulose, epóxi e outras. A série B é suportada em resina acrílica, sendo indicada para as formulações base água. Seu uso também reduz o consumo de aditivos, a formação de estoques, perda de tempo e custo de parada e limpeza. “Não se compara custo por kg, mas a vantagem total alcançada”, recomendou Camila.

    A série A foi lançada mundialmente há dois anos, enquanto a série B tem apenas um ano de mercado, sendo ambas produzidas na Itália por uma joint venture com participação da Evonik. “Podemos suprir os clientes no Brasil com estoques locais ou auxiliá-los com importações diretas”, disse.

    A intenção da companhia é se dedicar às cores de mais difícil obtenção e repetição. “O cliente compra os concentrados granulados e desenvolve a cor desejada com nossa ajuda, se preciso for”, afirmou. Atualmente, quatro clientes estão testando produtos da linha Inxel em escala comercial. Segundo Camila, todas as empresas consultadas revelaram interesse pelos concentrados, mas esperam uma oportunidade para mudar seu sistema de produção. A Evonik também atua com ampla linha de insumos para colorantes usados em sistemas tintométricos.

    Química e Derivados, Edson Cordeiro, Merck S.A., abrir espaço nas linhas imobiliárias decorativas

    Cordeiro: perolados conquistam espaços nas tintas decorativas

    Efeitos sofisticados – Especialista nos pigmentos de efeito, a Merck possui forte participação nas tintas automotivas, mas começa a abrir espaço nas linhas imobiliárias decorativas. “Oferecemos produtos que permitem uma ‘viagem de cor’, paredes cuja cor muda conforme o ângulo de observação e da incidência da luz”, comentou Edson Cordeiro, chefe da área de pigmentos e soluções de life sciences da Merck S.A. Essas pinturas também proporcionam toque acetinado às paredes, parecido com uma pele de camurça.

    Nas linhas automotivas, a novidade é a popularização do uso dos pigmentos perolados, antes limitados aos topos de linha. “Há um pouco de confusão no mercado, pois algumas cores metálicas são preparadas com pigmentos perolados puros ou em misturas com metálicos”, disse Francisco Rodrigues Veloso, especialista de negócios da área de pigmentos da companhia. Ele também salienta que a participação dos pigmentos no custo final das tintas é baixa, pois são aplicados em dosagem muito pequena, motivo para os usuários preferirem insumos de qualidade superior, o que nem sempre se verifica na prática.



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