Pesquisas por insumos sustentáveis e capazes de desempenhar novas funções: Pigmentos

Química e Derivados, Pigmentos, Cádmio
Laboratorista prepara pigmento de cádmio em moinho de discos

A evolução tecnológica dos pigmentos orgânicos e inorgânicos avança muitas casas além da função de atribuir cor para as tintas.

O desenvolvimento de produtos começa a oferecer alternativas para o gerenciamento térmico de ambientes, por meio da reflexão e da absorção controlada de energia, aumentando o conforto de seus ocupantes sem abusar dos sistemas de ar condicionado. O pigmento, nesse caso, traz a vantagem de economizar energia, atitude com elogiáveis reflexos ambientais. Além disso, a decisão dos fabricantes de tintas de retirar voluntariamente os pigmentos amarelos de cromato de chumbo das linhas imobiliárias provocou a migração da demanda para substitutos orgânicos e inorgânicos mais amigáveis.

A demanda brasileira por pigmentos acompanha o desempenho do setor de tintas e vernizes. Puxadas pelas fortes vendas de automóveis e pelo setor de construção civil (reformas, inclusive), as vendas de tintas exibem um confortável aumento de 8% a 10% neste ano, em relação a 2009, ainda marcado pela crise econômica mundial.

No caso dos pigmentos, prossegue a reestruturação de mercado, com o deslocamento da produção para a Ásia, especialmente na Índia e na China. A recessão nos Estados Unidos e na Europa, combinada com a taxa cambial brasileira, com ares de moeda forte, incentiva a importação desses insumos. Mas pode deixar os usuários vermelhos de raiva pela falta de assistência técnica no Brasil.

Química e Derivados, Milton Yoshio Uehara, Luis Carlos Peres, Clariant, yellow 74 têm dois tipos de cores
Uehara (esq.) e Peres: assistência total ao cliente

“O pigmento Yellow 74 tem dois tipos de cor diferentes, o Yellow 64 também tem tipos variados, não é porque os contratipos têm o mesmo código de cor que são a mesma coisa”, explicou Milton Yoshio Uehara, especialista da área de assistência técnica de pigmentos e aditivos da Clariant. “O ideal é o cliente informar que tipo de tinta vai produzir e para qual aplicação ela será destinada para que possamos oferecer a melhor alternativa.” Problemas com migração e segregação de pigmentos

em tintas são típicos de uso do insumo inadequado para a aplicação. Segundo o especialista, a interação com cargas e solventes também pode produzir resultados indesejados, evitáveis mediante a troca de informações com a assistência técnica do fornecedor.

Luis Carlos Peres, coordenador de vendas de pigmentos de aditivos da Clariant, usa a diferenciação de produtos e serviços para vencer a crescente concorrência asiática. “Evitamos brigar diretamente com eles na questão do preço, mas oferecemos produtos de qualidade garantida, com especificações bem definidas e com alta repetibilidade, além de economia de energia com alternativas de apresentação que reduzem o uso de moinhos”, salientou. As vendas de pigmentos da Clariant podem ser feitas em pó ou na forma de preparações líquidas de fácil incorporação às formulações dos clientes.

A Basf completou a integração de seus negócios com os da adquirida Ciba. Desde o início do ano, a companhia passou a oferecer aos clientes um portfólio unificado de pigmentos, sob a marca da Basf, mais completo e mais complexo, como enfatizou Adriano Pinheiro, gerente do departamento de pigmentos da Basf para a América do Sul. “A integração de produtos foi concluída, embora ainda esteja em andamento a reestruturação global de processos e plantas, cujo objetivo será a eliminação de redundâncias ou, melhor, a otimização do negócio”, comentou. Ele ressaltou a inclusão dos pigmentos orgânicos de amarelos a vermelhos da Ciba como ponto forte da união, além da chegada da linha de aditivos da adquirida, que poderá ser engordada com a aquisição da Cognis, em andamento. Nas linhas de efeito, houve alguma superposição, pois a Basf comprara a Engelhard, especialista nesses itens.

A Ciba não produzia pigmentos no Brasil quando da negociação com a Basf, abastecendo o mercado local por meio de importações. A Basf, por sua vez, mantém a fabricação completa das ftalocianinas em Guaratinguetá-SP. “Importamos alguns intermediários para fazer alguns tipos específicos dessa linha e de outras, mantendo o acabamento por aqui”, explicou. A companhia oferece pigmentos em pó, na forma de preparações líquidas e também como bases para colorantes (usados nos sistemas tintométricos).

O crescimento das vendas de tintas em sistemas tintométricos na América do Sul é expressivo. Segundo Pinheiro, 70% das vendas de tintas decorativas imobiliárias no Brasil (e na região) são brancas, ou seja, sem pigmentos coloridos. Das 30% restantes, cerca de 40% são formuladas nos pontos de venda por meio de mix machines. As tintas pigmentadas de fábrica (ready made) ainda detêm 60%, mas o crescimento das tintas preparadas na frente do consumidor é vertiginoso. “Estamos muito próximos do perfil de vendas da Europa, mas ainda longe dos americanos que compram 90% das tintas decorativas em sistemas tintométricos”, comentou. Para o fornecedor de pigmentos, isso implica adaptação da produção. Enquanto as tintas decorativas ready made preferem receber o insumo na forma de preparações líquidas, a Basf fornece concentrados de cor para fabricantes dos colorantes líquidos que alimentam as mix machines. As linhas automotivas originais e de repintura seguem consumindo pigmentos na forma de pó.

Química e Derivados, Pigmentos, preparações livres de compostos orgânicos voláteis
Amostras de cores especiais usadas em peças plásticas

“Todos os grandes fabricantes de tintas imobiliárias base água compram pigmentos preparados e dispersos na forma de pastas”, comentou Peres, da Clariant. “Os fabricantes de tintas de base solvente ou compram pigmentos em pó ou preparados para isso.” Pelo fato de os pigmentos orgânicos apresentarem elevada potência de cor, isso facilita sua dispersão, mas é preciso cuidado para evitar contaminação entre os lotes de cores diferentes, exigindo a limpeza frequente das linhas de produção. A compra de pigmentos dispersos, portanto, garante a qualidade do produto, por evitar erros de manipulação, gera economia de água e de energia nos moinhos.

“Os pigmentos orgânicos são mais exigentes em moagem que os inorgânicos”, salientou Uehara, reforçando as vantagens da compra de preparações pigmentárias no lugar dos pós. “Dentro de cada classe de pigmentos há produtos com diferenças significativas de dispersabilidade e, como somos especialistas no insumo, sabemos como lidar com isso”, afirmou. Ele explicou que a produção de tintas em pó usa pigmentos normalmente indicados para plásticos, mais parecidos com as necessidades dessas linhas.

Uehara não vê como tendência a criação de novas classes químicas de pigmentos, até mesmo pelos reduzidos esforços hoje dedicados a isso em todo o mundo. “A tendência é usar melhor o portfólio disponível”, comentou. A Clariant atua fortemente na sustentabilidade de seus negócios, motivo que a levou a deixar de produzir algumas classes químicas de pigmentos orgânicos, já em fase de redução de demanda. “Não usamos nonilfenol em nossas preparações de pigmentos e não há norma oficial que nos obrigasse a tanto”, disse Peres.

Há preparações comerciais disponíveis livres de compostos orgânicos voláteis (VOC), caso desejado pelos clientes. “Embora a migração dos sistemas base solvente para base água seja muito forte, ainda há muito uso de solventes em tintas, na forma de coalescentes”, afirmou Uehara. Ele informou que as dispersões para base água da Clariant tentam ser universais o mais possível, eliminando, por exemplo, a incorporação de qualquer tipo de resina.

Química e Derivados, Camila Pecerini, Evonik Degussa Brasil, aditivos dispersantes já incorporados a resina
Camila: preparações sólidas para facilitar as dispersões

De olho na economia de energia e simplificação de processos produtivos, a Evonik começa a oferecer ao Brasil a linha Inxel de preparações pigmentárias granuladas para tintas base água e base solvente, bem como tintas de impressão. “O conceito foi desenhado para tintas industriais e está sendo ampliado para linhas automotivas e em pó, tendo por base fornecer o pigmento com os aditivos dispersantes já incorporados a uma resina compatível com o sistema, na forma sólida, com maior facilidade de manipulação”, explicou Camila Pecerini, chefe da divisão de materiais inorgânicos da Evonik Degussa Brasil. A companhia possui grande participação nos brancos de dióxido de titânio e no negro de fumo, esta última divisão em fase de estudos para alienação.

Segundo Camila, a dispersão dos produtos Inxel é fácil e rápida, aposentando totalmente os moinhos, exigindo apenas um misturador Cowles convencional nas tintas líquidas. A linha foi dividida em duas séries. A série A é formulada com base em resina aldeídica, indicada para sistemas de base solvente (exceto aguarrás) das famílias alquil, acil, nitrocelulose, epóxi e outras. A série B é suportada em resina acrílica, sendo indicada para as formulações base água. Seu uso também reduz o consumo de aditivos, a formação de estoques, perda de tempo e custo de parada e limpeza. “Não se compara custo por kg, mas a vantagem total alcançada”, recomendou Camila.

A série A foi lançada mundialmente há dois anos, enquanto a série B tem apenas um ano de mercado, sendo ambas produzidas na Itália por uma joint venture com participação da Evonik. “Podemos suprir os clientes no Brasil com estoques locais ou auxiliá-los com importações diretas”, disse.

A intenção da companhia é se dedicar às cores de mais difícil obtenção e repetição. “O cliente compra os concentrados granulados e desenvolve a cor desejada com nossa ajuda, se preciso for”, afirmou. Atualmente, quatro clientes estão testando produtos da linha Inxel em escala comercial. Segundo Camila, todas as empresas consultadas revelaram interesse pelos concentrados, mas esperam uma oportunidade para mudar seu sistema de produção. A Evonik também atua com ampla linha de insumos para colorantes usados em sistemas tintométricos.

Química e Derivados, Edson Cordeiro, Merck S.A., abrir espaço nas linhas imobiliárias decorativas
Cordeiro: perolados conquistam espaços nas tintas decorativas

Efeitos sofisticados – Especialista nos pigmentos de efeito, a Merck possui forte participação nas tintas automotivas, mas começa a abrir espaço nas linhas imobiliárias decorativas. “Oferecemos produtos que permitem uma ‘viagem de cor’, paredes cuja cor muda conforme o ângulo de observação e da incidência da luz”, comentou Edson Cordeiro, chefe da área de pigmentos e soluções de life sciences da Merck S.A. Essas pinturas também proporcionam toque acetinado às paredes, parecido com uma pele de camurça.

Nas linhas automotivas, a novidade é a popularização do uso dos pigmentos perolados, antes limitados aos topos de linha. “Há um pouco de confusão no mercado, pois algumas cores metálicas são preparadas com pigmentos perolados puros ou em misturas com metálicos”, disse Francisco Rodrigues Veloso, especialista de negócios da área de pigmentos da companhia. Ele também salienta que a participação dos pigmentos no custo final das tintas é baixa, pois são aplicados em dosagem muito pequena, motivo para os usuários preferirem insumos de qualidade superior, o que nem sempre se verifica na prática.Cordeiro vê no crescimento do mercado de tintas um estímulo ao maior e melhor uso de pigmentos de efeito, mas adverte que a grande variedade de tipos e qualidades existentes no mercadob pode confundir o comprador. “Por conta da taxa de câmbio atual, os pigmentos estão ‘baratos’ em reais, mas seu custo em dólares está subindo em todo o mundo, acompanhando as altas das matérias-primas”, explicou.

Em 2009, a Merck comprou um produtor chinês de perolados, em Taizhu, e está oferecendo esses pigmentos em todos os países em que atua. “São produtos brancos de boa qualidade, mas com especificações menos rigorosas que as nossas”, disse Cordeiro. Com isso, a distribuição do tamanho de partículas é mais ampla que a dos produtos tradicionais da companhia. Esse movimento foi feito para ocupar uma fatia de mercado em fase de crescimento, a de custo/benefício (value for money), no qual as exigências são menores em repetibilidade e uniformidade das partículas.

Ainda hoje, cerca de 70% da produção de pigmentos tem como ponto de partida as micas naturais (muscovita), obtidas por mineração. “Estamos desenvolvendo as micas sintéticas com base em alumina, borosilicatos e silicato de sódio, nas quais o controle das partículas é total, com efeitos diferenciados para cada material e tratamentos posteriores”, afirmou Cordeiro. Ele salientou que a Merck, na Alemanha, possui um site químico de um km² de área, no qual é fácil atuar com sínteses.

Os avanços tecnológicos vão além das tonalidades e cintilações. A Merck oferece um pigmento funcional condutivo para a formulação de primers claros. “Esse produto é fundamental para melhorar a aderência da camada superior de pintura em substratos de plásticos, cada vez mais usados na indústria automobilística”, comentou Veloso.

Outra linha de desenvolvimento visa a aumentar a transmissão de calor dos pigmentos mediante tratamento superficial. Isso ajudará a controlar a temperatura interna de casas, escritórios e até mesmo dos carros.

Também os pigmentos de segurança, usados em tintas para cartões eletrônicos bancários, ingressos de espetáculos e na impressão de papel-moeda de vários países, estão sendo aprimorados. “São pigmentos sensíveis a comprimentos específicos de onda luminosa, obtidos com o controle total da molécula e do sistema, facilitando a identificação do produto original”, comentou Cordeiro. Esses pigmentos são criados especificamente para cada cliente e aplicação, com um controle apurado das quantidades produzidas. Segundo informou, as notas de cinco e de vinte euros usam tintas feitas com pigmentos de segurança da Merck. “A Copa do Mundo será uma oportunidade para os fabricantes dessas tintas ampliarem negócios no Brasil”, apontou.

A companhia lançou um aditivo para o autofechamento de riscos em pinturas de carros (self healing). Adicionado ao verniz, ele cria uma matriz elástica que recompõe a pintura atingida. “São tintas elaboradas sob encomenda, mas já estão sendo usadas no Brasil”, disse Veloso.

A dinâmica desses negócios convida a companhia a manter um programa de inovação constante, antecipando-se aos desejos dos clientes. “O Color Trends, um dia de apresentação de sugestões e discussões sobre cores com clientes ligados à indústria automobilística, que era por nós promovido bienalmente, passará a ser anual a partir de 2011”, informou Cordeiro. “O Brasil ainda usa muito prata e preto, isso não ajuda a criar muita coisa.” Outros mercados, como o de cosméticos e o de têxteis, são muito mais dinâmicos.

A transição das tintas automotivas para formulações com altos sólidos ou de base aquosa foi acompanhada pelo fabricante de pigmentos de efeito. “Antes, tínhamos um produto para uso com solventes e outro para água, mas hoje todos os lançamentos atendem bem a ambos os sistemas”, explicou Veloso. A dispersão dos pigmentos de efeitos geralmente é simples, embora algumas linhas exijam o emprego de aditivos. Casos de migração e incompatibilidade com outros ingredientes são relatados e precisam ser prevenidos ou resolvidos individualmente. “Temos um grande banco de dados de aplicações que ajuda muito”, comentou o especialista.

A suíça Clariant, por sua vez, mantém um grupo de trabalho permanente em Frankfurt para estudar novas funcionalidades para pigmentos, campo que poderá crescer com a aplicação de conhecimentos de nanotecnologia. Ela também representa no Brasil a Eckart, conhecida fabricante alemã de pigmentos metálicos, que já possui produtos indicados para refletir o calor incidente em paredes externas. A Eckart, aliás, está dando seus primeiros passos no campo dos perolados. “Esse mercado é complicado, precisa ajustar cada fórmula em cada cliente, não existe produto pronto para substituição rápida, um drop in”, afirmou Uehara.

Sem metais pesados – Novidade no mercado nacional é o banimento dos pigmentos feitos com metais pesados das tintas decorativas imobiliárias, decretado voluntariamente pelos fabricantes nacionais reunidos na Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) como contribuição setorial aos propósitos de sustentabilidade. Sem poder usar o cromato de chumbo, houve um aumento na demanda pelos orgânicos e por inorgânicos mais amigáveis, como o óxido de ferro.

Segundo Uehara, a combinação entre orgânicos e inorgânicos é desejável para alcançar os melhores padrões de cor e de resistência à luz e ao intemperismo nas tintas. “Nosso portfólio de pigmentos inclui inorgânicos como óxido de ferro, dióxido de titânio e negro de fumo produzidos por terceiros”, explicou. “Oferecemos ao cliente a melhor solução para a cor desejada no uso pretendido com o produto mais adequado, feito ou não por nós.”Em Suzano-SP, a Clariant mantém um centro de produção global de alguns pigmentos orgânicos, abastecendo todas as demais unidades mundiais da companhia que atua com quase todas as categorias químicas orgânicas. “A especialização da linha em alguns produtos permite redução de custos, garantindo a competitividade internacional”, explicou Peres. Ele comentou que existem mais de cem tipos diferentes de pigmentos, e é impossível fabricar todos eles no mesmo sítio com eficiência.

Química e Derivados, Adriano Pinheiro, Basf América do Sul, portfólio unificado de pigmentos mais completo e mais complexo
Pinheiro: orgânicos conseguem substituir o cromato de chumbo

“O segredo de um pigmento está no seu acabamento, que garante suas propriedades e sua repetibilidade ao longo do tempo”, comentou Uehara. Por ser fabricante, é possível promover algumas alterações no processo produtivo, gerando tipos diferentes de pigmentos, com ganhos em rendimento, opacidade e dureza. Essas mudanças são feitas em casos particulares de demanda. “A solidez da cor depende da molécula do pigmento e das suas partículas”, afirmou. Ele também apontou que o mercado tende a usar cores mais vivas nas fachadas das casas e dos comércios, aumentando o consumo de pigmentos orgânicos.

A Basf aponta como tendências a eliminação do uso de cromato de chumbo, o desejo de obter formulações com reduzido teor de VOC e que tenham durabilidade prolongada até nas tintas decorativas de fachada, expostas ao Sol e ao tempo, aplicando pigmentos de alta resistência. Para tanto, a companhia conta com tons amarelos a laranjas das linhas Sicopal (vanadatos de bismuto e óxidos mistos) e Sicotan (titanatos). “Lançamos no ano passado o Sicopal L2430, um laranja brilhante (Pigment Orange 82, do Colour Index) feito de óxidos de zinco e titânio, com alta resistência ao intemperismo e a produtos químicos, podendo ser aplicado em tintas decorativas de alto desempenho, em coil coating, em tintas automotivas e em pó”, afirmou Pinheiro. A Basf também oferece a série Sicotrans, de óxidos de ferro transparentes para formular vernizes de madeira amarelos a vermelhos, bem como aplicações automotivas.

Ele informa que a Basf ainda tem cromato de chumbo em seu portfólio, indicado para algumas aplicações industriais, mas esse pigmento está gradualmente sendo retirado da linha. A companhia oferece suporte técnico local e global, contando com apoio de laboratório completo para desenvolvimento e reprodução de cores em Guaratinguetá-SP, que é complementado em casos especiais pelos laboratórios da matriz, em Ludwigshafen, na Alemanha. “Temos cores para tudo, exceto em alguns segmentos específicos, como o de pigmentos cerâmicos, em que não atuamos”, informou.

Química e Derivados, Lothar Schwarz, Lanxess, Lanxess é o maior player global em óxidos de ferro
Schwarz: Porto Feliz exporta a metade de sua produção

Na linha automotiva, a Basf lançou o DPP (diquetopirrolopirrol) ultraopaco vermelho Ferrari, de alta cromaticidade, indicado para pinturas sólidas (sem efeitos). “Tínhamos outros tipos de DPP, mas nenhum era ultraopaco”, comentou Pinheiro. Nos perolados, a empresa apresentou o Lumina

Royal Blue (um pérola azulado). Outra novidade é o Paliocrom L2850, de alta saturação cromática e brilho, proporcionando efeito cintilante. “Os pigmentos metálicos são opacos; os pérolas, transparentes; enquanto os de efeito são considerados intermediários quanto à opacidade”, explicou.

O veto ao cromato de chumbo reforçou a demanda pelos óxidos de ferro produzidos pela Lanxess em Porto Feliz-SP, na China e na Alemanha, com capacidade produtiva global entre 350 mil e 400 mil toneladas por ano. “Somos o maior player global em óxidos de ferro, e atuamos em todas as regiões”, comentou Lothar Schwarz, gerente-executivo da área de pigmentos inorgânicos para a América Latina. A companhia inaugurou neste ano uma fábrica para 28 mil t/ano de pigmentos pretos na China, além de ampliar para 40 mil t/ano a capacidade de Porto Feliz, a única a contar com geração própria de vapor e eletricidade com a queima de biomassa (bagaço de cana). “Isso nos ajuda a sermos competitivos mundialmente”, afirmou.

A unidade de Porto Feliz consegue atender a 90% da demanda nacional por óxidos de ferro amarelos, pretos e vermelhos e ainda exporta cerca de 50% de sua produção anual. “Importamos quase 10% da demanda nacional porque os clientes assim querem, mas a tendência é reduzir essa participação estrangeira”, explicou. A unidade paulista é especializada nos amarelos, fato explicado pelo perfil de demanda e pela tecnologia adotada na unidade, comprada há onze anos da antiga Globo Pigmentos.

“Todos os nossos amarelos são classificados como de baixa absorção de óleo, identificados pela sigla LOM, qualificados e aceitos por todos os grupos fabricantes de tintas do mundo”, afirmou Givanildo Ferreira, gerente de produtos da área de pigmentos inorgânicos da Lanxess no Brasil. A linha de amarelos vai dos mais limpos e claros (como o tipo 912 LOM) até os tons mais escuros. Por serem de baixa absorção de óleo, esses pigmentos podem ser incorporados em alta dose nas formulações, chegando a 65%-70%. “Sempre buscamos combinações com orgânicos para alcançar a cor, o custo e o PVC (relação entre as massas de pigmentos e sólidos totais nas tintas) mais adequados para cada caso”, informou.

Em geral, segundo Ferreira, os inorgânicos conferem elevada solidez à luz e ao intemperismo. Opacos, eles proporcionam melhor cobertura, porém sua intensidade de cor é menor que a dos orgânicos. A combinação criteriosa entre produtos das diferentes origens permite obter excelentes resultados.

Química e Derivados, Givanildo Ferreira, Lanxess, combinações com orgânicos para alcançar a cor, o custo e o PVC
Ferreira: óxidos de ferro têm grande facilidade de dispersão

Atualmente, segundo Schwarz, a demanda nacional de óxidos de ferro se divide em 45% para construção civil (pigmentação de massas, principalmente), de 30% a 35% para tintas, 10% para plásticos e o restante para aplicações diversas, inclusive o varejo (linha de pó xadrez). “Essa divisão de mercado varia muito pouco em todos os países”, disse. No segmento de tintas, as linhas imobiliárias são as maiores clientes dos óxidos de ferro, que também têm algumas aplicações em vernizes, com produtos especiais. A Lanxess não produz mais os óxidos transparentes.

“Os óxidos de ferro têm bom desempenho tanto em base água como em base solvente, e ampliaram-se suas aplicações com a retirada dos metais pesados das formulações de tintas”, observou Ferreira. Isso impulsionou, por exemplo, as vendas do Bayferrox 943, um amarelo com tom alaranjado, especialidade importada da Alemanha. “É um pigmento que custa de US$ 4 a US$ 5 por kg, mas é capaz de reduzir a dosagem de um orgânico que pode custar US$ 20 por kg, com vantagens no aumento da durabilidade e na cobertura”, exemplificou.

Os fabricantes de tintas preferem receber o pigmento em pó, aproveitando a facilidade de manipulação e dispersão dos óxidos de ferro. “A maior procura por dispersões está ligada ao nível de ocupação das fábricas de tintas, que chegou ao apogeu em 2007 e 2008, época na qual todos queriam receber pigmentos dispersos para reduzir serviços internos e ganhar produtividade”, explicou Schwarz. Ele admite que essa demanda pelos produtos dispersos possa voltar, uma vez que o alinhamento de grandes obras civis, ligadas principalmente à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016, associado à evolução da economia nacional, cria um ambiente para crescimentos anuais importantes no consumo de tintas, entre 5% e 6%, ao menos. Ele salientou que a Lanxess possui uma divisão para preparar essas dispersões, hoje atuando no segmento de colorantes, mas que seria capaz de atender a esses pedidos.

Resistência ampliada – A produção de óxidos de ferro na Lanxess em Porto Feliz usa o método Penniman-Zoph. Basicamente, em um reator, uma fonte de ferro, como sucata, é atacada quimicamente por ácidos e álcalis, e submetida a calor úmido (vapor), com o objetivo de provocar a oxidação do metal na forma hidratada, dando origem ao pigmento amarelo e ao preto. Parte do material amarelo é calcinada, para retirar a água retida, gerando o óxido de ferro vermelho. Os tons intermediários, como os marrons, são obtidos por meio de misturas.

Como resultado, os amarelos tendem a resistir menos às altas temperaturas. “Existem tratamentos superficiais que aumentam essa resistência até 300ºC”, explicou Ferreira. O pigmento amarelo normal resiste a 200ºC em curtos períodos de residência, além do qual começa a avermelhar. Os pretos são um pouco mais estáveis e também contam com tratamentos superficiais para superarem a faixa de 300ºC. Por sua vez, obtidos por calcinação, os vermelhos são os mais resistentes a altas temperaturas, dispensando esse tipo de modificação. Segundo Ferreira, essa característica é importante para a produção de tintas em pó, cuja produção é crescente no Brasil, substituindo importações.

No caso geral dos pigmentos, a entrada no país de produtos de origens variadas causa alguma preocupação. “Temos capacidade para atender a duas vezes o mercado local, oferecemos estoque para pronta entrega e assistência técnica aos clientes, e somos competitivos na produção, mas sofremos com os custos logísticos, com impostos e com a taxa de câmbio”, comentou Schwarz. Ele disse que os grandes clientes, em geral, confiam e apoiam a produção local de insumos, mas isso não os impede de realizar eventuais importações.

“Para nós, os óxidos de ferro não são commodities, mas especialidades que precisam ter especificações rígidas e qualidade constante”, afirmou o gerente-executivo. Além disso, a Lanxess produz esses pigmentos por meio de outros dois processos, especialmente na Alemanha. Os diferentes processos oferecem variações importantes na dureza das partículas e nas suas tonalidades. “Por isso, nosso portfólio é tão amplo”, comentou.

Como novidade, a empresa apresentou o pigmento Bayferrox 915 de alto alastramento, cuja aplicação não deixa aparecer as marcas de mudança de direção no pincel durante a pintura. Existem várias opções de produtos, inclusive a linha Z, aprovada para contato direto com alimentos, sendo usada em rações animais e cosméticos, além de embalagens. Os usos do óxido de ferro chegam ao setor de petróleo, atuando como absorvedor para ácido sulfídrico (H2S) em plataformas de exploração e produção. Também é aplicado na remoção de arsênico de fluxos de água.

Para o futuro, a Lanxess promete vermelhos de alta pureza de tonalidade, capazes de abrir novas possibilidades de formulação de cores. Esses pigmentos serão fabricados em unidades da companhia no exterior.

Química e Derivados, João Alfredo Soares, Multicel / James M. Brown, pigmentos orgânicos não suportam mais de 280ºC
Soares: complexos bimetálicos abrem caminhos nos inorgânicos

Cádmio nacional – Os amarelos e vermelhos de cádmio consolidam sua posição em segmentos determinados do mercado de tintas, enquanto sofrem derrotas em outros campos. “O produto é seguro, mas ficou com imagem ruim, associada à dos metais pesados mais tóxicos”, explicou João Alfredo Soares, gerente de operações da Multicel, fabricante nacional adquirida em 2007 pelo grupo inglês James M. Brown, líder mundial nesses pigmentos.

Os sulfetos de cádmio-zinco e os sulfoselenetos de cádmio oferecem cores limpas e brilhantes entre o amarelo-limão e o vermelho intenso, com alta resistência à temperatura (mais de 600ºC). Resiste melhor à luz quando encapsuladas em polímeros. Essas características colocam o pigmento mais próximo dos usos em plásticos. “Pigmentos orgânicos não suportam mais de 280ºC, atrapalhando a reciclagem das peças, o que não ocorre com o cádmio”, comentou.Na área de tintas, suas aplicações são relevantes nas formulações em pó, para vidros, linhas artísticas de base acrílica, sinalização viária e algumas tintas de manutenção de base solvente. “Não indicamos o cádmio para paredes porque ele pode representar risco à saúde caso a superfície seja lixada mais tarde”, explicou. Na Europa, segundo Soares, esses pigmentos foram banidos das tintas, com exceção das cores de segurança.

A Multicel investiu na criação de outra linha de pigmentos orgânicos, formada por complexos bimetálicos na forma de óxidos, obtidos com tecnologia própria. “São produtos totalmente diferentes do cádmio, sendo fabricados em outra linha, com fornos próprios, sem nenhum contato entre eles”, afirmou. Essa linha, chamada Multitherm, é composta de titanatos, pretos de cobre, ferrita de zinco e cobaltos, apresentando alta resistência ao intemperismo, à luz e às altas temperaturas, e ainda, é isenta de metais pesados, competindo com orgânicos de alta performance.

Soares indica os complexos bimetálicos para os mesmos usos dos pigmentos de cádmio, mas verifica boas respostas de demanda na produção de coil coatings, plásticos e na formulação de esmaltes para vitrificação de chapas de aço.

Como todos os metais, os preços desses pigmentos dependem das cotações internacionais, da taxa de câmbio e dos impostos. “Como a maior parte dos nossos custos é paga em reais, acabamos tendo uma vantagem capaz de absorver as variações dos preços dos metais, dando segurança aos clientes”, explicou. Entre 30% e 50% da produção anual da Multicel é destinada para exportação. Os mais recentes investimentos, além da linha de complexos, criada em 2003, contemplaram o tratamento de efluentes e o controle ambiental na fábrica.

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