Tintas e Revestimentos

Pigmentos de efeito apontam retomada de negócios

Hamilton Almeida
16 de outubro de 2020
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    Química e Derivados - Tintas e revestimentos - Pigmentos de efeito apontam indícios de retomada de negócios ©QD Foto: iStockPhoto

    Tintas e revestimentos – Pigmentos de efeito apontam indícios de retomada de negócios

    A pandemia do Covid-19 caiu como uma bomba de fragmentação na economia global e ninguém arrisca dizer até quando os seus efeitos serão sentidos. No Brasil, o segmento de pigmentos especiais e de efeito, cujo desempenho está atrelado a diversos negócios, como automotivo, plásticos e outras indústrias, reflete bem o clima de retração e incertezas. Mas, já há sinais de reabilitação, novos projetos e muita esperança no ar.

    A fabricante nacional Aldoro, de Rio Claro-SP, acusa queda na demanda de pigmentos metálicos na comparação com o ano passado. “Temos observado muita incerteza em relação aos meses seguintes”, afirma o gerente comercial Antonio Labecca Filho. Com algumas poucas exceções, os clientes “tiveram significativa queda no volume de compras em abril”. E houve “um movimento de recuperação gradual em maio, que se confirmou em junho e julho”.

    Labecca: setor automotivo tem grande relevância no segmento ©QD Foto: Divulgação

    Labecca: setor automotivo tem grande relevância no segmento

    A IMCD Brasil detectou forte queda nos meses de abril e maio. “Mas isso não foi uma regra, pois alguns ramos, como o de embalagens, apresentaram um aquecimento maior”, testemunha Agnes Muciacito, principal manager pigments South America. Criada em 2017, a Basf Colors & Effects escolheu a IMCD na América do Sul para ser sua distribuidora exclusiva (incorporou, inclusive, a equipe da Basf).

    Suzana prepara novidades para a etapa de pós-pandemia ©QD Foto: Divulgação

    Suzana prepara novidades para a etapa de pós-pandemia

    Queda nos volumes de vendas no primeiro trimestre foi sentida pela Braschemical, que já percebe, no entanto, “uma procura maior”, nas palavras de Suzana Stabile, do departamento de marketing. “Os clientes estão começando a trabalhar em projetos futuros para atrair os consumidores”. A ideia é trazer novidades para o público pensando na nova realidade pós-pandemia. “Temos boas expectativas e estamos otimistas com essa retomada, não paramos de investir em novidades”, agrega.

    A Merck não fugiu à regra. Leonardo Cerqueira Lima, especialista em desenvolvimento de marketing da área de Decorative Materials, Performance Materials, destaca que a atividade este ano “será satisfatória”, consi­derando um comportamento leve­mente acima do que vem acontecendo. Lembra que a indústria automotiva nacional nunca vivenciou um momento tão crítico como o atual. Embora haja indícios de que a recuperação já começou, ele espera a volta aos padrões “normais” apenas em 2022.

    Silva: mercado brasileiro usa efeitos em diversas aplicações ©QD Foto: Divulgação

    Silva: mercado brasileiro usa efeitos em diversas aplicações

    Na Colormix, o coordenador técnico Diogo L. da Silva avalia que o desempenho de 2020 é incerto. “Certamente haverá uma queda de consumo, pois muitas companhias permaneceram por um período longo em férias coletivas ou com processo produtivo reduzido. Infelizmente, não será possível um restabelecimento rápido nesse ano que consiga cobrir esse período com faturamento muito abaixo do esperado”.

    “Mesmo que a incerteza ainda esteja no ar”, argumenta Lilian Furlan, gerente técnico-comercial da Adexim-Comexim, “já se verifica um movimento e o interesse por efeitos visuais diferenciados e exclusivos para novos desenvolvimentos e produtos. Talvez a consolidação não aconteça neste ano”.

    As indústrias enfrentam uma “situação difícil” em que novos projetos são desacelerados, reconhece André Martins, diretor comercial da True Color. Ele espera vender cerca de 10% menos pigmentos de efeito neste ano. No automotivo, redução de 10% a 20% no consumo anual; no industrial, cerca de 10%.



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