Petroquímica: Troca de turbina pára parte da Copesul

A planta industrial número 1 da Copesul, a central de matérias-primas do Pólo Petroquímico de Triunfo-RS, responsável por 55 mil toneladas/mês de derivados petroquímicos de primeira geração, foi parcialmente paralisada de 14 a 28 de abril para a troca de uma das cinco turbinas de acionamento dos dois trens de processo da unidade. Com isso, 13,5 mil toneladas deixam de ser fabricadas em 2004, correspondendo a 1,2% da capacidade média anual produtiva da empresa. A parada envolveu duas mil tarefas, 50 mil homens/hora de trabalho, mobilizou 850 pessoas, 600 a mais em comparação com o contingente regular da área de manutenção. Custou R$ 5 milhões. Desse total, R$ 3,5 milhões correspondem ao reaproveitamento de uma turbina antiga da empresa, retirada durante a parada geral de 2001 e que havia retornado da fábrica da Siemens, na Alemanha, totalmente recondicionada.

Química e Derivados: Petroquímica: atualidade_grafico01. ©QDEsse recondicionamento tem de minucioso porque embora os equipamentos apresentem grandes dimensões, os defeitos ocorrem por perdas de espessura de centésimos de milímetros. Trata-se de uma turbina a vapor, movida por caldeiras a carvão, óleo ou gás de processo, já que o gás natural proveniente da Bolívia, no caso da Copesul, só movimenta as turbinas da central de geração de energia elétrica própria da empresa.

Segundo o executivo da unidade de manutenção da Copesul, Paulo Ermida Moretti, de maneira geral, os grandes equipamentos da indústria petroquímica têm monitoramento on line. Portanto o defeito já havia sido detectado há mais tempo. “Foi uma parada fora de época, mas planejada com antecedência de um ano”, enfatizou Moretti. Numa parada geral, acrescentou, ocorrem 18 mil tarefas com até quatro mil pessoas em atividade no pico da operação.

Química e Derivados: Petroquímica: Brun e Moretti (dir.) - ocasião para fazer consertos. ©QD Foto - Fernando de Castro
Brun e Moretti (dir.) – ocasião para fazer consertos.

Conforme Moretti, qualquer tipo de parada em empresas petroquímicas é precedida por todo um condicionamento antes da desativação dos equipamentos. Primeiramente, é feita uma inspeção completa para verificar as condições de segurança do pessoal envolvido na área do equipamento. Da mesma forma, complementa, quando terminada a manutenção, a planta vai sendo adequada gradativamente à nova partida, até o acionamento do sistema. “Nós temos procedimentos para garantir a segurança das pessoas, dos ativos e do meio ambiente. Somente quando essa premissa está devidamente assegurada, a operação industrial é reativada. Todos esses aspectos são considerados num evento desse porte. No caso específico da parada de abril todos os objetivos foram cumpridos”, comemorou Paulo Moretti.

Como explicou o engenheiro metalúrgico Jáder Weber Brun, chefe da oficina central da Copesul, enquanto as outras quatro turbinas da planta 1 operavam normalmente, a unidade de manutenção realizou ainda mais duas tarefas, procedendo a abertura de equipamentos para a limpeza dos trocadores de calor, além da substituição das serpentinas dos fornos de pirólise. “Denominamos isso de manutenção de oportunidade. Quando você aproveita um período de operação de grande porte para efetuar consertos menores em outras áreas da planta”, ensina o engenheiro. As paradas gerais acontecem a cada seis anos pela legislação brasileira. No Japão, a cada quatro ou cinco anos. Nos Estados Unidos, variam de seis a oito. Em 2005, uma nova parada geral irá mobilizar a Copesul. A planta 2, inaugurada em 1999 – responsável por produzir 480 mil toneladas/ano de derivados petroquímicos – irá passar pela primeira manutenção de rotina.

Lucro garantido – A perda de uma pequena parcela da produção decorrente da parada parcial na planta 1 foi insuficiente para atrapalhar a trajetória de recuperação da Copesul, registrada desde o ano passado. A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2004 apresentando um lucro líquido ajustado antes das destinações de R$ 113,7 milhões, valor superior aos R$ 16,9 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. O diretor de relações com o investidor, Bruno Albuquerque Piovesan, atribui os resultados positivos à recuperação das margens de comercialização da cadeia petroquímica no mercado interno, basicamente em decorrência da retomada dos preços internacionais, elevando significativamente o Ebitda societário (indicador de lucro operacional antes dos impostos, juros, depreciações e amortizações) de R$ 214,8 milhões, contra os R$ 110,3 milhões no primeiro trimestre de 2003. A margem Ebitda evoluiu para 19,7% contra 9,4% no mesmo período do ano passado. Outro fator relevante foi o resultado financeiro apresentado pela Companhia (valor positivo de R$ 861 mil no trimestre, contra os R$ 43 milhões negativos apurados no mesmo período de 2003), derivado da atual política de gestão do endividamento. Uma recuperação de créditos fiscais relativos ao ano de 2003, no montante líquido de R$ 25 milhões, também influenciou positivamente os resultados da Copesul neste início de 2004. “Em um quadro de estabilidade econômica e de melhoria das condições do mercado, os números refletem o acerto da estratégia comercial e financeira adotada pela empresa, somada à adequada gestão dos ativos operacionais”, define Piovesan. Uma outra iniciativa tem ajudado a Copesul a melhorar seus ganhos. Nos últimos três anos, vem aumentando a diversificação de produtos principalmente com o aumento da oferta de gasolina comum, oferecendo concorrência aos tradicionais players do setor na Região Sul, em especial a Ipiranga e a BR Distribuidora.

Em relação ao primeiro trimestre de 2003, a receita bruta da Copesul apresentou queda de 1,4%. As 708 mil toneladas de produtos comercializados, principalmente para as indústrias de segunda geração petroquímica do Pólo de Triunfo, geraram uma receita bruta de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Em termos operacionais, manteve neste primeiro trimestre um nível médio de 98% de ocupação da capacidade. A empresa consumiu no período 898 mil toneladas de matérias-primas, principalmente nafta, sendo 50% adquirido da Petrobrás e o restante importado.

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