Petroquímica

Petroquímica: PQU investe us$ 85 milhões para ampliar eteno

Quimica e Derivados
6 de novembro de 2001
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    Responsável por 18% da oferta de eteno no País, a Petroquímica União (PqU) está investindo US$ 85 milhões em plano de expansão alimentado por gás de refinaria. A idéia é aumentar em 25% sua capacidade de produção, em 2004, conquistando mais quatro pontos percentuais de participação no mercado, pois a PqU estaria produzindo 630 mil toneladas de eteno por ano, saltando da produção atual de 500 mil. Hoje, as empresas líderes de mercado são: a Copene, com 40% de participação, e a Copesul, 34%.

    A ampliação prevê o uso, como matéria-prima, de gases de processo de refinarias da Petrobrás em Capuava (Recap), S. José dos Campos (Henrique Lage – Revap). Orçado em US$ 100 milhões (a Petrobrás participa com US$ 15 milhões), o projeto tem como proposta, além de melhorar a posição da PqU, prover as empresas de segunda geração com mais matérias-primas. “Nosso objetivo estratégico é fortalecer o Pólo Petroquímico de São Paulo”, afirmou o assessor de desenvolvimento de negócios da PqU, Jorge Manuel Souza Rosa em palestra proferida em novembro na sede da Asscociação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo, anunciando os novos investimentos da companhia.

    De acordo com o projeto, a Petrobrás investirá no pré-tratamento do gás de refinaria (DEA) e em estação de compressão, enquanto a PqU pretende alocar recursos na construção de um duto de 105 km até a Revap, bem como em novo forno de pirólise de nafta ou de etano; também no tratamento de gases e em adaptações nas turbinas; e ainda nos compressores e nas torres de seção criogênica.

    A próxima etapa do projeto – o licenciamento ambiental – é considerado por Rosa o caminho crítico da expansão. “Acho que vai demorar um pouco para termos o aval, principalmente por causa da construção do duto, mas nada que atrapalhe o nosso cronograma”, comentou. Ele prevê para 2002 a obtenção da licença e conclusão das engenharias básicas e de detalhamento.

    Aquapolo – Outro importante projeto em andamento na PqU é o Aquapolo. Trata-se de um convênio firmado entre empresas do Pólo Petroquímico de São Paulo, cuja proposta é abastecê-lo com a captação de 500 litros/segundo de água do Rio Tietê, no município de Suzano-SP.

    Com investimento de R$ 30 milhões, o Aquapolo, de acordo com Rosa, é uma forma de combater a escassez de água do Rio Tamanduateí, hoje responsável pela maior parte do abastecimento do pólo. O convênio proporcionará às empresas a garantia da oferta de água industrial, inclusive durante a estiagem, e ainda a economia nos gastos, pois não precisarão mais comprar água potável para uso industrial.

    Apesar do projeto ter sido aprovado e dispor de licença prévia, existe a possibilidade dele não ser concluído. Isso porque a PqU prioriza outras alternativas para o abastecimento de água. Existem estudos quanto ao reuso da água gerada pela Sabesp e pela Sama, que possuem programas de tratamento de esgoto, em Heliópolis e em Mauá, respectivamente. Os dois projetos estão embargados, mas nem por isso Rosa descartou a possibilidade de aproveitá-los. “Não sabemos quando eles (os programas) sairão, mas dependendo do andamento do Aquapolo, na época, renegociaremos”, avisou.

    A PqU está abrindo concorrência para as engenharias básica e de detalhamento. A previsão é de que esses contratos sejam assinados ainda em 2001. O convênio prevê a construção de duto de 26 km na faixa de servidão da Petrobrás e a utilização das duas estações de tratamento de água da Recap. Fazem parte do Aquapolo as seguintes empresas: Polibrasil, Polietilenos União, Oxiteno, Unipar, Air Liquid, Praxair (antiga White Martins), Praxair (antiga Liquid Carbonic) e Polibutenos, além da Recap e da PqU. Juntas as empresas consomem, em média, 320 litros/s de água.

    Co-geração – Quanto ao projeto de co-geração de energia, a PqU também traz novidades, pois acaba de vencer um de seus principais empecilhos: o licenciamento ambiental junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente. “A licença demorou para sair, mas conseguimos, comemorou Rosa, relacionando o apoio oferecido pelas prefeituras de Mauá e Santo André e até por alguns sindicatos”.

    A co-geração, produção simultânea de energia elétrica e térmica pela combustão dos mais variados tipos de combustíveis, com destaque para o gás natural, é resultado de parceria entre a PqU e a multinacional inglesa Rolls Royce Power Ventures, firmada em 1999. O projeto, que estipula a instalação de três turbinas, duas a gás e uma a vapor, além de duas caldeiras de recuperação, irá gerar 350 t/h de vapor e 240 MW/h.

    Assim, a partir de 2003, data prevista para o início das operações da cogeração, a PqU, que hoje produz 12 MW/h, não mais dependerá da Eletropaulo, da qual adquire hoje 13 MW/h. Segundo o contrato, a PqU será a hospedeira do projeto e terá o compromisso de comprar o vapor gerado (350 t/h) da Rolls Royce. Enquanto a multinacional, será responsável por todo o investimento de US$ 230 milhões.

    Pelo fato de a PqU não contribuir com a verba despendida, Rosa lamentou não ter meios de priorizar a utilização de equipamentos nacionais para a execução do projeto. “Acho interessante comprarmos os produtos aqui, principalmente porque facilita muito a manutenção, mas não podemos interferir na escolha da Rolls Royce”, salientou Rosa. No momento, a multinacional está escolhendo as empresas de engenharia do projeto e fechando dois contratos: um para a venda de energia elétrica, com as concessionárias, e outro para a compra do gás natural.



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