Petroquímica: Poliestireno entra na era da internet

Única produtora integrada no mesmo site de etilbenzeno, monômero de estireno e poliestireno do Brasil, a Innova (Grupo Perez Companc) lançou em outubro seu sistema de negócios via internet, na linha do business to business (B2B). O uso da rede mundial é a parte mais evidente de um investimento de US$ 6,5 milhões na implantação de sistemas de relacionamento com clientes e gerenciamento de cadeia de suprimentos. Em plena operação, o conjunto informatizado permitirá ampliar a flexibilidade de atendimento aos clientes, oferecendo vantagens em qualidade e produtividade das operações, de modo a garantir a rentabilidade, estreitar laços de fidelidade com os clientes e diferenciar-se da concorrência.

Química e Derivados: Petroquímica: Barbosa - Innova toma a dianteira ao integrar produção e vendas.
Barbosa – Innova toma a dianteira ao integrar produção e vendas.

A Innova iniciou sua produção de poliestireno no Brasil em Triunfo-RS, em setembro de 2000, tendo vendido nesse ano 51 mil t da resina e 60 mil t de monômero, também consumido na produção de borracha sintética, EPS, ABS, resinas acrílicas e poliéster. Para 2001, a empresa espera vender 175 mil t desses produtos. “A capacidade produtiva de PS já é maior que a demanda no Brasil e ainda cresce, embora não seja seguida pela ampliação no monômero, indicando a evolução de importações”, afirmou o diretor-superintendente Flávio Augusto Lucena Barbosa. Ele salientou que a Innova é a única produtora estabelecida no País a dispor de alguma sobra de monômero.

A partir de dados da Abiquim, a empresa estima a capacidade atual de produção de PS no Brasil da ordem de 350 mil t/ano, somando Dow (120 mil), Innova (120 mil) e Basf (110 mil), contra demanda prevista de 300 mil t/ano. Dada a elevada competitividade do mercado, a empresa exporta de 6% a 8% de sua produção. Barbosa estima que a Innova já tenha conquistado 28% do mercado local de PS e 55% do de monômero de estireno (ex-PS). Com isso, o faturamento somou US$ 133 milhões em 2000, com previsão de chegar a US$ 180 milhões neste ano.

Avanço necessário – A necessidade de investir na integração interna da companhia e também com os clientes pode ser explicada pelas economias nos procedimentos e pelas vantagens de relacionamento imediato entre as áreas de produção e vendas. “Agora poderemos atuar no sistema de disponibilidade para promessa de entrega, ou seja garantir a data da entrega já no momento da venda, sem riscos”, afirmou o diretor comercial Marcelo
Bianchi.

Por meio do site www.innova.ind.br, clientes previamente cadastrados poderão colocar pedidos, recebendo resposta imediata de confirmação. “Os pedidos são enviados na hora para o planejamento da produção, que pode até reprogramar a fábrica de forma mais eficiente, avaliando simultaneamente os reflexos da mudança nos demais pedidos”, explicou.

Esse procedimento era feito “na unha”, com grande possibilidade de erro. No sistema tradicional, ou a empresa trabalha com estoques elevados de cada um dos tipos e grades de PS, de modo a operar com ciclos de produção mais compridos, ou adota ciclos rápidos, de forma a reduzir ao mínimo os estoques. Na primeira alternativa a empresa carrega alto custo financeiro, na segunda fica onerada pelo aumento das perdas ocorridas nas fases de transição de um grade para outro. “”E preciso encontrar o ponto ótimo entre estoque e duração de ciclos”, avaliou Barbosa. “O sistema ajuda muito nisso”. Bianchi ressalta a disponibilidade de um recurso pelo qual cada ciente pode informar sua previsão de demanda nos meses seguintes, dado capaz de aprimorar a elaboração do plano de produção.

Outro ponto positivo da elevada flexibilidade de relacionamento com os clientes consiste na possibilidade de aceitar pedidos imprevistos sem prejudicar a demanda planejada. “No sistema tradicional, algumas boas oportunidades de negócio eram perdidas”, disse.

Do quadro atual de 120 clientes ativos, a Innova quer atrair para a sua extranet cerca de 40 a 50 o mais rápido possível. Essa quantidade de usuários representa quase 80% da vendas da companhia no Brasil. O sistema já opera desde maio na forma de piloto, com cerca de dez clientes. “Isso foi feito para acertar detalhes dos programas”, informou o diretor. Para 2001, a empresa espera contar com 15% das vendas feitas pelo sistema B2B, percentual que deve chegar a 70%, até 2004. “Ao mesmo tempo vamos alargar a base de clientes”, promete Bianchi.

Química e Derivados: Petroquímica: Bianchi - sistema permite planejar sem riscos.
Bianchi – sistema permite planejar sem riscos.

A Innova opera no Brasil e na Argentina, com fábricas em ambos os países. No entanto, o banco de dados dos clientes já nasceu unificado, podendo ser consultado pela internet (usuários cadastrados), telemarketing e pela área de assistência técnica. “Por enquanto, cada fábrica abastece seu respectivo país, pois os produtos consumidos nos mercados não são necessariamente os mesmos”, comentou Barbosa. Mas, a complementariedade das produções não é descartada, principalmente quando a demanda argentina se mostra enfraquecida pela crise econômica. “O importante é que a Innova é a primeira empresa petroquímica do Brasil a aceitar e processar pedidos de forma 100% eletrônica, sem interferência humana”, ressaltou. O sistema também dá informações sobre andamento dos pedidos, mostra o histórico de operações anteriores e apresenta dados financeiros, como a disponibilidade de crédito.

De forma geral, explicam os executivos da Innova, o sistema representa passo importante na rotina comercial da companhia. Todos os aspectos anteriores à venda, como preços, envio de amostras e sistemas logísticos devem ser acordados entre as partes em etapa anterior. Aliás, eles informaram que 90% dos negócios com resinas são feitos na modalidade CIF, ou seja, incluem o frete. “Isso pode ser alterado por contato direto com vendedores ou via telemarketing”, comentou Bianchi.

Química e Derivados: Petroquímica: Sítio de Triunfo nasceu integrado e apresenta sobra de monômero.
Sítio de Triunfo nasceu integrado e apresenta sobra de monômero.

No futuro, a empresa espera poder desenvolver negócios totalmente automatizados, na linha ERP to ERP (enterprise resource programming). A Innova já implantou sistema ERP da J.D. Edwards para gerenciamento interno. O programa adotado para cuidar do relacionamento com clientes (CRM) foi fornecido pela Siebel (EUA), enquanto o de controle de cadeia de suprimentos (SCM) adotado foi o Picasso, da WAM Systems (EUA). “São os mais vendidos para a indústria petroquímica americana”, afirmou o diretor-comercial.

Bianchi explicou a preferência por sistema próprio em vez de atuar por meio de marketplaces eletrônicos (portais). “Os portais apresentam maior vantagem quando se fala em vendas para varejo de resinas, operações hoje realizadas pelos nossos distribuidores com os quais pretendemos ter relacionamento cada vez melhor”, comentou. “Entrar num portal poderia criar conflito com eles, sem alcançar os nossos objetivos.”

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