Petroquímica

Petroquímica – Petroquímica nacional estará vulnerável até 2020

Marcelo Fairbanks
16 de junho de 2009
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    A terceira etapa prevista por Zuñeda é de longo prazo, começará a gerar frutos a partir de 2021 e envolve o início das operações do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e o começo da produção em escala das novas jazidas de petróleo descobertas no país. Neste aspecto, ele destaca a tecnologia 100% nacional do Comperj, com investimentos preliminares divulgados em torno de US$ 8 bilhões, para produzir petroquímicos básicos obtidos de petróleo pesado de Marlim ou do próprio pré-sal, o que diminuiria os custos. Outro ponto a favor se relaciona à consolidação da aliança da Braskem com a indústria petroquímica na Venezuela, e também com a estrutura existente no Peru, para confirmar o Brasil como maior potência do setor no Hemisfério Sul.

    Conforme Zuñeda, a Quattor também deverá alargar seus passos na América Latina para encontrar parceiros, pois essa é a lógica da nova petroquímica pós-crise. Isso é: formar grandes conglomerados por meio de alianças transnacionais e fusões. Como assinala o consultor, no longo prazo surgirá uma nova cesta de custos de produção e preços muito mais baixos, de tal forma que permita à petroquímica nacional condições de se igualar ao patamar competitivo do Oriente Médio.

    Otimista, Zuñeda prevê que, a partir de 2021, o país poderá vender nafta a US$ 250 por tonelada e enfrentar a concorrência dos pesos pesados do petróleo agrupados na Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Entretanto, ele enfatiza a necessidade de respeitar esse período de transição de dez anos, com alguma política protecionista. “O mercado não irá resolver tudo e a pergunta que se faz é qual petroquímica o governo quer, uma nova investindo no Brasil, ou uma velha sem competitividade para afundar quando acabar a crise”, raciocina.

    Cenário do petróleo – Recentemente, a Maxiquim publicou em seu site na internet uma leitura de cenário para as oscilações dos preços do petróleo, tema pertinente aos interesses da cadeia petroquímica. O documento alerta para o ambiente de euforia protagonizado por ocasião da última queda do preço do Brent para US$ 34 por barril. “Essas mesmas pessoas, grande parte economistas, entendem que o atual momento econômico não permite preços superiores a este patamar.”

    No entanto, o documento alerta que a Opep e outros países atuantes na exploração e produção de petróleo tinham condições e conseguiram elevar novamente os preços e estabilizá-los em US$ 60 por barril. O documento alerta que os emergentes, notadamente a Rússia, foram os grandes responsáveis pela escalada do petróleo para a casa dos US$ 150 por barril a partir de 2005.

    Como ganharam muito dinheiro com o valor especulativo, essas empresas estão capitalizadas para manter investimentos com o preço do óleo bruto a US$ 80 por barril como patamar máximo. Entretanto, o texto assinala que enquanto persistir a crise, o preço deverá ficar por volta de US$ 60.

    Os consultores da Maxiquim lembram que a estabilidade do preço do petróleo é reforçada por estatísticas como a queda de 14% no consumo de gasolina nas bombas dos EUA. Além disso, comparadas a 2008, as reservas de petróleo voltaram aos níveis de 1990 e são 34% superiores a 2008. Preços muito superiores aos atuais US$ 60, nem a Opep os quer porque comprometeriam a recuperação da principal economia do planeta.

    Ou seja, uma parte dos grandes produtores quer elevar o atual patamar de preços, mas a estagnação na economia americana cria um equilíbrio de forças pela manutenção do preço atual. Dito de outra maneira, o cenário de curto prazo, projetado pela Maxiquim, é de estabilidade do preço do petróleo, favorável a um período de calmaria nas negociações de valores ao longo da cadeia, que se reflete diretamente nos preços petroquímicos.

    Com os atuais patamares do preço do petróleo, a Maxiquim concluiu que os produtos petroquímicos, da mesma forma, acompanharam as oscilações. Enquanto a nafta brasileira oscilou para cima entre US$ 420 e US$ 800/t, nos três primeiros meses de 2009, o eteno sofreu queda de preço, pois em janeiro último estava cotado em US$ 1.320,00. Em abril foi vendido a US$ 915,00. O propeno teve redução de US$ 1.206,00 para US$ 708,00 e o butadieno sofreu forte redução de US$ 1.096,00 para US$ 627,00. Por outro lado, o benzeno e o estireno subiram na cotação.Respectivamente, foram de US$ 348,00 para US$ 406,00 e de US$ 842,00 para US$ 912,00. Todos os valores correspondem a preços médios por tonelada.



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