Petroquímica

Petroquímica: Perspectivas 2009 – Europa prevê queda na produção química

Anelise Sanchez, de Milão
16 de janeiro de 2009
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    Até mesmo os países emergentes, como a China e a Índia, não devem esperar resultados entusiasmantes em 2009. O American Chemistry Council (ACC) estima que a produção química chinesa crescerá algo em torno de 9,7% em 2009; um resultado que representa menos da metade do crescimento registrado no setor entre 2005 e 2007. Por sua vez, o mercado indiano deverá sofrer um decréscimo de 4% em relação ao ano anterior.

    Esses números, contudo, não indicam que estes mercados perderam fôlego. Basta pensar que, nos últimos três anos, segundo a European Medicines Agency, cerca de 80% dos princípios ativos para a indústria farmacêutica europeia são importados principalmente da Índia e da China. “Os produtores chineses detêm mais de 50% do mercado europeu de pigmentos orgânicos convencionais”, afirma Fritz Brenzikofer, diretor-executivo da consultoria suíça IQChem.

    Uma das preocupações mais presentes na indústria química norte-americana e europeia está relacionada à redução dos estoques por parte das empresas. O fenômeno de destocking atingiu plenamente a demanda, agravando a crise. “Em vez de comprar, clientes como as montadoras preferem controlar seus inventários, porque, obviamente, essa é outra maneira de obter liquidez”, opina Alan Eastwood, conselheiro econômico da Associação das Indústrias Químicas (CIA) do Reino Unido. “Esse comportamento tem reflexos diretos na indústria química porque estamos no topo da cadeia de suprimentos, mas cedo ou tarde os clientes deverão comprar novamente e esperamos que isso aconteça logo”, completa. Os especialistas acreditam que o destocking será superado somente a partir do segundo trimestre, mas que a demanda posterior será ainda muito mais fraca e que as empresas comprarão moderadamente, de acordo com as exigências do mercado e sem a necessidade de recompor os próprios estoques.

    Parece ser consensual que, ao longo dos próximos semestres, serão mais raros os períodos de crescimento vigoroso. Segundo Henrik Meinche, economista sênior da associação das indústrias químicas alemãs (VCI), depois de quatro anos de crescimento contínuo, em 2009 a expectativa para o mercado alemão é de uma retração de 2,5%, considerada normal. “De qualquer maneira, a situação não é tão ruim quanto parece, pois ganhamos competitividade e desenvolvemos novas tecnologias em áreas como nanomateriais, eletrônica e energia verde”, avalia Meinche.

    Enquanto a Alemanha aposta na corrida tecnológica para reverter a crise, na Itália o cenário gera preocupações. Em termos monetários, em 2008 o valor da produção química italiana diminuiu 1,6% e, para 2009, as perspectivas não são melhores. O centro de estudos da associação Federchimica sustenta que, em 2009, ocorrerá uma redução de 1,9% na demanda interna e uma redução de 3,5% na produção química nacional. Para a associação, a questão mais urgente no momento é a colaboração das esferas política e institucional. Deteriorar a confiança de indústrias estratégicas em um momento de tensões e em um ambiente temerário seria agravar ainda mais uma crise sistêmica.

    Confira também: Indústria brasileira sente a crise, mas pode ter alívio com apoio estatal



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