Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

Marcelo Fairbanks
5 de maio de 2016
    -(reset)+

    Martínez salienta que o México é um mercado de US$ 49 bilhões por ano para a venda de derivados de petróleo, pois o país é o terceiro maior consumidor mundial de GLP, o sexto de gasolina e 12º de gás natural. “A reforma trará competidores para todos os segmentos de mercado, e eles são muito bons nessas atividades, motivo pelo qual nós precisamos nos preparar bem”, comentou.

    A seu favor, a Pemex conta com uma estrutura de terminais, dutos e tanques montada durante os mais de 70 anos de atuação em regime de monopólio, com aceso a todos os cantos do país. O governo decidiu transferir os gasodutos para a Cenagás, que cuidará da sua expansão e possível repasse a terceiros. Os polidutos para derivados líquidos da Pemex devem permanecer com a empresa, mas serão operados por terceiros.

    Caso a estatal mantivesse sua posição de controle sobre a infraestrutura logística de óleo e gás, pouco mudaria sua participação de mercado, tal como ocorreu no Brasil com a extinção do monopólio da Petrobras. Por aqui, a situação era menos complicada, porque a rede de distribuição e revenda já tinha concorrência.

    Martínez observa que a Pemex Transformación Industrial não terá mais a obrigação legal de atuar em todas as localidades do país. “Vamos nos concentrar nos principais mercados consumidores e deixar as demais localidades para outros competidores”, afirmou.

    A reforma obteve uma vitória surpreendente com o estabelecimento, em novembro, de um acordo entre a petroleira e o poderoso sindicato dos petroleiros para instituir um fundo de pensão para a categoria, elevar a idade mínima de aposentadoria e adequar o relacionamento aos moldes de empresas sujeitas à concorrência. O passivo da companhia com o pagamento de aposentadorias monta a 1,5 trilhão de pesos, e deve ser reduzido com as novas regras acordadas e com a transferência parcial do problema para o orçamento do governo federal.

    Química e Derivados, López: indústria química do México estagnou há 15 anos

    López: indústria química do México estagnou há 15 anos

    Petroquímica aberta – O extinto monopólio do petróleo abrangia também a produção de petroquímicos básicos, a chamada primeira geração. É um conceito elástico, sem bases científicas. Na prática, a Pemex controlava e operava os crackers de etano de Cangrejera, Morelos e Pajaritos, além do propeno das refinarias, consumindo grande parte das olefinas geradas em suas plantas de polietilenos, óxido de etileno e polipropileno.

    “Há 15 anos, a indústria química mexicana alcançou a marca de produção de 25 milhões de toneladas anuais, mas não saiu desse patamar desde então”, lamentou o engenheiro Ulises López Arce, gerente de energia da Associação Nacional da Indústria Química (Aniq), congênere simétrico da brasileira Abiquim.

    Em 1987, o setor químico representou 10% do PIB mexicano, mas caiu para 1,8% em 2014, abaixo da média mundial de 4,5%. Neste ano, a demanda química do país chegou a US$ 40 bilhões, com produção local avaliada em US$ 18,3 bilhões, exportações de US$ 11,3 bilhões e importações da US$ 32,7 bilhões (70% oriunda dos EUA e Canadá), segundo López. “A importação atende a mais de 80% da demanda local e esse número está crescendo”, alertou. Metade da produção química mexicana permanece em poder da Pemex.

    Historicamente considerado como grande produtor de óleo e gás, essa vantagem econômica não se materializou no setor químico. Atualmente, a produção de petróleo no México está próxima de 2,5 milhões de barris diários, para uma capacidade interna de refino de 1,15 milhões de bpd, ou seja, com baixa oferta de derivados de uso químico.

    “O projeto inicial das centrais petroquímicas previa o uso de nafta, mas como não havia disponibilidade do insumo, foi preciso mudar os planos para consumir etano”, explicou López. Há muitos anos, o México resolveu trocar o consumo de óleos pesados pelo gás natural tanto na geração elétrica quanto no consumo das indústrias. Com o advento do shale gas, o preço do gás caiu, estimulando o uso industrial. “Temos grandes reservas de gás, mesmo sem contar com o shale gas, e estamos construindo uma rede de gasodutos interligados com o mercado dos EUA para garantir e ampliar o suprimento que já vai crescer com a reforma energética”, afirmou. A costa oeste mexicana, por exemplo, não é atendida por gasodutos.

    Para a indústria química, contar com suprimento de gás é um dos fatores que pode impulsionar novos investimentos. Outro fator é a demanda interna. O país importa mais de 1 milhão de t/ano de polietilenos, 700 mil t/ano de polipropileno, 262 mil t/ano de poliestireno, 1,3 milhão de t/ano de ureia, e 31 mil t/ano de TDI, por exemplo. É um grande produtor de PVC, com 535 mil t/ano, exportando 352 mil t/ano, mas também importa 395 mil t/ano do material. Ao todo, o México produziu 3,7 milhões de t de resinas sintéticas em 2014, das quais exportou 1,6 milhões de t, tendo importado 4,5 milhões de t, configurado em consumo aparente de 6,6 milhões de t. A produção de polietileno terá o acréscimo da entrada em marcha da Braskem-Idesa, agregando um milhão de t/ano.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *