Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

Marcelo Fairbanks
5 de maio de 2016
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    Refino em pauta – As atividades a jusante (downstream) da cadeia petrolífera estão sendo igualmente liberadas para qualquer investidor. Até 2013, essas atividades – inclusive a petroquímica básica – ficavam restritas à Pemex. Atualmente, todos os postos de abastecimento de combustíveis automotivos operam com a bandeira da estatal, situação que deverá mudar a partir do próximo ano. O plano quinquenal prevê a abertura parcial do mercado de gasolina e outros derivados em 2016 (com importações restritas e preços administrados), com liberação total (de preços e importações) em 2018.

    Parece muito pouco provável que novas refinarias venham a ser construídas no México, ao menos nos próximos dez anos, embora o país seja importador de derivados e exportador de óleo bruto. “Nos últimos anos, a Pemex concentrou seus escassos recursos em exploração e produção, deixando de lado refino e petroquímica, porque isso era economicamente mais interessante”, afirmou Coldwell.

    Química e Derivados, Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

    É preciso considerar a situação mundial das capacidades de refino de petróleo, em especial nos EUA. Estudos da Agência Internacional de Energia apontam para uma grande capacidade excedente na região do Golfo do México e na Costa Oeste. Como os carros atuais são cada vez mais eficientes, o consumo anual de gasolina e diesel vem decrescendo. Dessa forma, a venda de produtos refinados para países vizinhos, caso do México, é uma opção estratégica. Nesse cenário, a ampliação do refino mexicano é pouco atraente. O secretário considera que investimentos em refino e petroquímicos básicos poderão ser feitos, porém com a participação de sócios privados.

    O investimento da Braskem-Idesa foi decidido em 2010, antes da reforma energética, mas a antecipava e constitui modelo a ser seguido por outros projetos. Em 2014, a Pemex produziu 700 mil t de polietilenos, cerca de um terço da quantidade necessária para suprir a demanda local, de 2,1 milhões de t, exigindo importar 1,4 milhão de t, equivalentes a US$ 1,5 bilhões, no mínimo. A entrada da Braskem-Idesa no mercado reduzirá as importações para menos de um milhão de t/ano. Como a demanda nacional é crescente, espera-se que em 2025 as importações tenham voltado ao volume de 2014. Há, portanto, espaço para mais projetos, sendo prudente verificar a evolução da oferta de resinas plásticas dos EUA, que estão erguendo muitas novas capacidades produtivas com suprimento de shale gas.

    Química e Derivados, Martinez: Pemex ficará livre para ser uma empresa lucrativa

    Martinez: Pemex ficará livre para ser uma empresa lucrativa

    Pemex em reestruturação – A poderosa estatal de petróleo está se adaptando à reforma energética, tendo sobre ela uma visão benéfica. A legislação anterior impedia a entrada de concorrentes, mas também impunha pesadas obrigações à companhia. Entre elas a total subordinação ao governo, que controlava os preços dos produtos sem a necessidade de manter alguma lógica econômica. A estatal também era vista como financiadora do déficit público e seus resultados eram drenados para o caixa nacional, causando sérias dificuldades para realizar os planos da companhia. “Com a reforma, a Pemex se tornará uma empresa com enfoque econômico, atuando em um mercado com preços livres, com liberdade de atuação embora sujeita a metas previamente estabelecidas”, explicou o engenheiro Alejandro Martínez Sibaja, diretor geral da Pemex Trasnformación Industrial.

    Aliás, essa é uma novidade relevante, a velha Pemex foi dividida em duas grandes subsidiárias: a Pemex Transformación Industrial (abrange todas as atividades de downstream) e a Pemex E&P (exploração e produção, o upstream). Elas possuem diretorias independentes, com orçamentos, metas e estratégias específicas. “Mas tudo acaba convergindo para o balanço geral da Pemex”, explicou Martínez. Operações comuns a ambas, ou que possam prestar serviços para terceiros, como logística, comércio exterior, serviços de perfuração e outros, ficarão em unidades ligadas diretamente à Pemex, com a possibilidade de venda a terceiros ou de formar associações empresariais em algum momento.

    Os investimentos nas seis refinarias mexicanas seguem adiante, com foco na melhoria da qualidade dos combustíveis vendidos e também na valorização de subprodutos, como o coque. “O governo mexicano alterou recentemente os padrões de qualidade da gasolina e do diesel, nós vamos nos adaptar às exigências atuais”, afirmou. Ele se refere aos teores de nitrogênio e enxofre, que deverão ser praticamente iguais aos do mercado norte-americano. As refinarias de Tula, Salamanca e Salina Cruz receberão investimentos de US$ 12,3 bilhões para ampliar a produção de destilados e melhorar as margens do coque para mais de US$ 6 por barril. Novas capacidades não estão sendo consideradas a curto e médio prazo, pois é mais fácil importar os produtos necessários.

    Os biocombustíveis (etanol e biodiesel) estão em estudos, com a intenção de aproveitar os recursos disponíveis em cada região, algumas delas muito ricas em milho, outras em cana de açúcar. “Ainda não há regulamentação oficial do uso desses combustíveis”, disse o diretor geral.



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