Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

Marcelo Fairbanks
5 de maio de 2016
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    Química e Derivados, Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

    O ambiente de negócios no setor de petróleo e energia do México está em profunda transformação.

    México: Durante mais de 70 anos esses setores foram dominados por monopólios, respectivamente da Pemex (Petroleos Mexicanos) e da CFE (Comissión Federal de Electricidad), e ambos se revelaram incapazes de suprir adequadamente o mercado daquele país, justificando a reforma de todo o sistema energético. O fracasso do modelo se traduz em números: a importação atende a 75% da demanda por petroquímicos, 51% da gasolina, 30% do diesel, 37% do GLP e 34% do gás natural desse país. E o preço pago pela eletricidade é elevado, com baixa qualidade causada pela saturação da rede.

    Química e Derivados, Coldwell: modelo energético antigo se provou disfuncional

    Coldwell: modelo energético antigo se provou disfuncional

    “Essa restrição por demais prolongada à concorrência e aos investimentos privados influenciou cultural e psicologicamente o povo mexicano, afetando sua autoestima”, considerou Pedro Joaquín Coldwell, secretário de energia do México (cargo equivalente ao de ministro no Brasil). Ele explicou que esse modelo engessado começou a produzir incrementos decrescentes já ao final dos anos 1990, causando prejuízos ao país, cujo orçamento nacional era obrigado a bancar os déficits de suas estatais.

    No caso da Pemex, embora os investimentos tenham sido muito ampliados desde 2000, a curva de produção diária de petróleo entrou em declínio, de um pico de 3,4 milhões de barris em 2004 para estimados 2,2 milhões de bpd em 2015. “A situação se agravou com a queda das cotações internacionais do petróleo e do gás natural, mas é preciso entender que a era do óleo fácil acabou”, salientou Coldwell.

    Segundo o secretário, o país está prestes a inaugurar um ciclo de investimentos petroleiros, porém com foco em reservas não convencionais e em águas profundas, que concentram 76% dos recursos prospectados do país. Isso abrange a recuperação de campos maduros em terra firme e a aplicação de técnicas para aproveitamento terciário de reservas no Golfo do México. “Essas explorações exigem muito capital e tecnologia, ambos os fatores escassos por aqui”, comentou. Ele apontou que a Petrobras domina a tecnologia de produção em águas profundas, ao contrário da estatal mexicana.

    “O modelo antigo do monopólio se provou disfuncional, a Pemex sozinha não teria condições de explorar essas reservas e não podia se associar a outras companhias, nacionais ou estrangeiras”, criticou. “Então, se a Pemex não podia explorar, ninguém podia.”

    Química e Derivados, Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

    Produção de Petróleo

    A situação de estagnação também se repetia no setor elétrico, totalmente vinculado ao setor petroleiro, pois praticamente toda a geração é feita pela queima de hidrocarbonetos, principalmente de óleo combustível, em operações consideradas poluentes. Dados da secretaria de energia registram que a tarifa média (existem diferenças de preços entre os diferentes consumidores, como industrial, comercial, residencial e de baixa renda) de eletricidade fornecida pela CFE em 2013 era 25% mais cara que a média do Texas. Mas esse valor continha subsídios, sem os quais a diferença seria catapultada para 75%. De 2013 para cá, houve alguma redução nas tarifas, acompanhando os preços dos combustíveis, mas a diferença permanece elevada. No setor elétrico, as metas de governo apontam para a criação de um mercado livre de energia, no qual companhias independentes possam investir em geração, transmissão e distribuição nas mesmas condições oferecidas para os agentes públicos, com liberdade para negociar contratos de suprimento com grandes consumidores. “Com isso, teremos eletricidade a preços mais competitivos e também estimularemos a geração por processos mais limpos, com aproveitamento da energia eólica ou solar”, complementou o secretário. As energias limpas representarão cerca de 5% da matriz energética até 2019, percentual que deverá subir para 35% em 2024 e 50% até 2050, como já está estabelecido em lei.

    Desde o começo do governo Peña Nieto, em 2012, a secretaria de energia e órgãos correlatos intensificaram os estudos de casos de reforma no setor energético promovidos por outros países. A Noruega foi o primeiro exemplo, mas os pesquisadores não encontraram muita semelhança ou identidade com a situação mexicana. “O Brasil e a Colômbia, países que também modificaram recentemente seu modelo e têm muitas semelhanças com o México, renderam mais informações e sugestões”, afirmou Coldwell.


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