Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

Química e Derivados, Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

O ambiente de negócios no setor de petróleo e energia do México está em profunda transformação.

México: Durante mais de 70 anos esses setores foram dominados por monopólios, respectivamente da Pemex (Petroleos Mexicanos) e da CFE (Comissión Federal de Electricidad), e ambos se revelaram incapazes de suprir adequadamente o mercado daquele país, justificando a reforma de todo o sistema energético. O fracasso do modelo se traduz em números: a importação atende a 75% da demanda por petroquímicos, 51% da gasolina, 30% do diesel, 37% do GLP e 34% do gás natural desse país. E o preço pago pela eletricidade é elevado, com baixa qualidade causada pela saturação da rede.

Química e Derivados, Coldwell: modelo energético antigo se provou disfuncional
Coldwell: modelo energético antigo se provou disfuncional

“Essa restrição por demais prolongada à concorrência e aos investimentos privados influenciou cultural e psicologicamente o povo mexicano, afetando sua autoestima”, considerou Pedro Joaquín Coldwell, secretário de energia do México (cargo equivalente ao de ministro no Brasil). Ele explicou que esse modelo engessado começou a produzir incrementos decrescentes já ao final dos anos 1990, causando prejuízos ao país, cujo orçamento nacional era obrigado a bancar os déficits de suas estatais.

No caso da Pemex, embora os investimentos tenham sido muito ampliados desde 2000, a curva de produção diária de petróleo entrou em declínio, de um pico de 3,4 milhões de barris em 2004 para estimados 2,2 milhões de bpd em 2015. “A situação se agravou com a queda das cotações internacionais do petróleo e do gás natural, mas é preciso entender que a era do óleo fácil acabou”, salientou Coldwell.

Segundo o secretário, o país está prestes a inaugurar um ciclo de investimentos petroleiros, porém com foco em reservas não convencionais e em águas profundas, que concentram 76% dos recursos prospectados do país. Isso abrange a recuperação de campos maduros em terra firme e a aplicação de técnicas para aproveitamento terciário de reservas no Golfo do México. “Essas explorações exigem muito capital e tecnologia, ambos os fatores escassos por aqui”, comentou. Ele apontou que a Petrobras domina a tecnologia de produção em águas profundas, ao contrário da estatal mexicana.

“O modelo antigo do monopólio se provou disfuncional, a Pemex sozinha não teria condições de explorar essas reservas e não podia se associar a outras companhias, nacionais ou estrangeiras”, criticou. “Então, se a Pemex não podia explorar, ninguém podia.”

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Produção de Petróleo

A situação de estagnação também se repetia no setor elétrico, totalmente vinculado ao setor petroleiro, pois praticamente toda a geração é feita pela queima de hidrocarbonetos, principalmente de óleo combustível, em operações consideradas poluentes. Dados da secretaria de energia registram que a tarifa média (existem diferenças de preços entre os diferentes consumidores, como industrial, comercial, residencial e de baixa renda) de eletricidade fornecida pela CFE em 2013 era 25% mais cara que a média do Texas. Mas esse valor continha subsídios, sem os quais a diferença seria catapultada para 75%. De 2013 para cá, houve alguma redução nas tarifas, acompanhando os preços dos combustíveis, mas a diferença permanece elevada. No setor elétrico, as metas de governo apontam para a criação de um mercado livre de energia, no qual companhias independentes possam investir em geração, transmissão e distribuição nas mesmas condições oferecidas para os agentes públicos, com liberdade para negociar contratos de suprimento com grandes consumidores. “Com isso, teremos eletricidade a preços mais competitivos e também estimularemos a geração por processos mais limpos, com aproveitamento da energia eólica ou solar”, complementou o secretário. As energias limpas representarão cerca de 5% da matriz energética até 2019, percentual que deverá subir para 35% em 2024 e 50% até 2050, como já está estabelecido em lei.

Desde o começo do governo Peña Nieto, em 2012, a secretaria de energia e órgãos correlatos intensificaram os estudos de casos de reforma no setor energético promovidos por outros países. A Noruega foi o primeiro exemplo, mas os pesquisadores não encontraram muita semelhança ou identidade com a situação mexicana. “O Brasil e a Colômbia, países que também modificaram recentemente seu modelo e têm muitas semelhanças com o México, renderam mais informações e sugestões”, afirmou Coldwell.Em dezembro de 2013, o governo Peña Nieto conseguiu uma assombrosa vitória no Poder Legislativo (senado e câmara federal), modificando três artigos da constituição mexicana que foram instituídos em 1917 (domínio estatal sobre riquezas minerais) e reforçados em 1940 (monopólio estatal, suprimindo as concessões) sob a égide de Lázaro Cardenas del Rio, e assim, abrindo caminho para a reforma energética. “Esses três artigos eram icônicos, sua modificação exigiu enorme esforço para constituir maioria nas casas, de forma democrática, mesmo com a evidente falência do sistema anterior”, disse Coldwell.

Além da mudança constitucional, foi preciso aprovar 21 leis e 25 regulamentos, criar novas instituições (Asea, Cenace, Cenagas e FMP), fortalecer órgãos reguladores (CRE e CNH, de energia e hidrocarbonetos) e também mudar a qualificação da Pemex e da CFE de órgãos públicos para Empresas Productivas del Estado (empresas de capital estatal).

Coldwell não acredita que algum governo futuro queira retornar ao modelo anterior. Há pouquíssimas correntes políticas que defendem isso e são pouco representativas. Além disso, como explicou, no México, a constituição não pode ser reformada se algum partido detenha a maioria dos representantes. “O modelo foi aprovado democraticamente e terá longa permanência”, salientou.

Muito a fazer – A reforma energética mexicana abre espaço para uma grande quantidade de projetos e obras. Para organizar esses esforços, o governo criou um plano quinquenal, de 2014 a 2019, cujos resultados já estão aparecendo. Começaram a ser realizadas rodadas de leilões de campos de exploração, com regras e calendário bem definidos (como se deseja que seja feito no Brasil).

A rodada zero basicamente foi promovida para que a Pemex reservasse suas áreas de interesse, distribuídas em 90 mil km², em terra e mar. A companhia ficou com todos os campos solicitados, compreendendo 83% das reservas provadas nacionais de hidrocarbonetos. Com mais de 20 bilhões de barris de óleo equivalente, a Pemex aparece como a quinta maior detentora de reservas mundiais (entre as empresas que informam esse dado aos mercados internacionais).

A rodada uno teve duas convocações. A primeira delas, realizada em julho deste ano gerou resultados pífios, com apenas dois contratos firmados para uma oferta de 14 campos de reservas não provadas em águas rasas. “Essa convocação foi experimental, precisávamos ajustar o modelo”, admitiu Coldwell. Os lotes despertaram pouco interesse, pois embutiam um risco exploratório e foram disputados em um cenário internacional de preços baixos.

Por sua vez, a segunda convocatória, realizada em setembro, conseguiu contratar oito dos 23 blocos oferecidos, resultado próximo da média internacional de 30%, contando como vencedores a italiana ENI Internacional, a Pan American Energy (com a E&P Hidrocarburos) e a Fieldwood Energy (com a Petrobal). Nesse caso, foram ofertados blocos de reservas provadas em águas rasas, com baixo risco. O modelo se tornou menos rígido e teve os preços mínimos divulgados 15 dias antes do certame – na versão anterior, eles não foram divulgados e isso gerou incerteza nos investidores. O secretário enfatiza que todo o processo licitatório é realizado com transparência absoluta, usando a internet e os meios de comunicação de massa, com critérios legais claros que não permitem nenhum tipo de discricionariedade por parte do Estado.

“Os cinco leilões realizados até agora representam uma produção adicional de 90 mil barris diários ao país, que ficará com 70% do valor”, comentou. Além disso, a entrada de empresas internacionais dará dinamismo e atualização tecnológica ao setor, que exigirá conteúdo local mínimo de 25%, subindo 1% ao ano até 35%. Em águas profundas, esse percentual será menor, porque o país não detém tecnologia para a atividade.

O início dos leilões, programa que prevê quatro rodadas (cada qual com suas convocações, sendo que o secretário espera contar em breve com campos deixados de lado pela Pemex, o chamado farm out) estimulou a realização de levantamentos sismológicos, antes realizados apenas pela estatal. Dados da secretaria informam que foram concedidas 26 permissões para levantamentos que representam 370% de toda a sísmica 3D já realizada no México. “Essas empresas de levantamento geológico não pagam nada pela permissão, apenas devem entregar uma cópia dos estudos para o Centro Nacional de Información de Hidrocarburos”, comentou.

A rede de gasodutos também é insuficiente para atender a demanda mexicana pelo combustível. O plano oficial contempla a construção de mais 10 mil km, mediante investimentos de US$ 14 bilhões em cinco anos. Com isso, a rede atual será ampliada em 84%, contribuindo para a diversificação da matriz energética, apoiando o desenvolvimento industrial e suprindo as residências. Grande parte do território não recebe o insumo. Com a reforma, qualquer companhia pode solicitar permissão para atuar em qualquer segmento de mercado dos hidrocarbonetos.
Refino em pauta – As atividades a jusante (downstream) da cadeia petrolífera estão sendo igualmente liberadas para qualquer investidor. Até 2013, essas atividades – inclusive a petroquímica básica – ficavam restritas à Pemex. Atualmente, todos os postos de abastecimento de combustíveis automotivos operam com a bandeira da estatal, situação que deverá mudar a partir do próximo ano. O plano quinquenal prevê a abertura parcial do mercado de gasolina e outros derivados em 2016 (com importações restritas e preços administrados), com liberação total (de preços e importações) em 2018.

Parece muito pouco provável que novas refinarias venham a ser construídas no México, ao menos nos próximos dez anos, embora o país seja importador de derivados e exportador de óleo bruto. “Nos últimos anos, a Pemex concentrou seus escassos recursos em exploração e produção, deixando de lado refino e petroquímica, porque isso era economicamente mais interessante”, afirmou Coldwell.

Química e Derivados, Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

É preciso considerar a situação mundial das capacidades de refino de petróleo, em especial nos EUA. Estudos da Agência Internacional de Energia apontam para uma grande capacidade excedente na região do Golfo do México e na Costa Oeste. Como os carros atuais são cada vez mais eficientes, o consumo anual de gasolina e diesel vem decrescendo. Dessa forma, a venda de produtos refinados para países vizinhos, caso do México, é uma opção estratégica. Nesse cenário, a ampliação do refino mexicano é pouco atraente. O secretário considera que investimentos em refino e petroquímicos básicos poderão ser feitos, porém com a participação de sócios privados.

O investimento da Braskem-Idesa foi decidido em 2010, antes da reforma energética, mas a antecipava e constitui modelo a ser seguido por outros projetos. Em 2014, a Pemex produziu 700 mil t de polietilenos, cerca de um terço da quantidade necessária para suprir a demanda local, de 2,1 milhões de t, exigindo importar 1,4 milhão de t, equivalentes a US$ 1,5 bilhões, no mínimo. A entrada da Braskem-Idesa no mercado reduzirá as importações para menos de um milhão de t/ano. Como a demanda nacional é crescente, espera-se que em 2025 as importações tenham voltado ao volume de 2014. Há, portanto, espaço para mais projetos, sendo prudente verificar a evolução da oferta de resinas plásticas dos EUA, que estão erguendo muitas novas capacidades produtivas com suprimento de shale gas.

Química e Derivados, Martinez: Pemex ficará livre para ser uma empresa lucrativa
Martinez: Pemex ficará livre para ser uma empresa lucrativa

Pemex em reestruturação – A poderosa estatal de petróleo está se adaptando à reforma energética, tendo sobre ela uma visão benéfica. A legislação anterior impedia a entrada de concorrentes, mas também impunha pesadas obrigações à companhia. Entre elas a total subordinação ao governo, que controlava os preços dos produtos sem a necessidade de manter alguma lógica econômica. A estatal também era vista como financiadora do déficit público e seus resultados eram drenados para o caixa nacional, causando sérias dificuldades para realizar os planos da companhia. “Com a reforma, a Pemex se tornará uma empresa com enfoque econômico, atuando em um mercado com preços livres, com liberdade de atuação embora sujeita a metas previamente estabelecidas”, explicou o engenheiro Alejandro Martínez Sibaja, diretor geral da Pemex Trasnformación Industrial.

Aliás, essa é uma novidade relevante, a velha Pemex foi dividida em duas grandes subsidiárias: a Pemex Transformación Industrial (abrange todas as atividades de downstream) e a Pemex E&P (exploração e produção, o upstream). Elas possuem diretorias independentes, com orçamentos, metas e estratégias específicas. “Mas tudo acaba convergindo para o balanço geral da Pemex”, explicou Martínez. Operações comuns a ambas, ou que possam prestar serviços para terceiros, como logística, comércio exterior, serviços de perfuração e outros, ficarão em unidades ligadas diretamente à Pemex, com a possibilidade de venda a terceiros ou de formar associações empresariais em algum momento.

Os investimentos nas seis refinarias mexicanas seguem adiante, com foco na melhoria da qualidade dos combustíveis vendidos e também na valorização de subprodutos, como o coque. “O governo mexicano alterou recentemente os padrões de qualidade da gasolina e do diesel, nós vamos nos adaptar às exigências atuais”, afirmou. Ele se refere aos teores de nitrogênio e enxofre, que deverão ser praticamente iguais aos do mercado norte-americano. As refinarias de Tula, Salamanca e Salina Cruz receberão investimentos de US$ 12,3 bilhões para ampliar a produção de destilados e melhorar as margens do coque para mais de US$ 6 por barril. Novas capacidades não estão sendo consideradas a curto e médio prazo, pois é mais fácil importar os produtos necessários.

Os biocombustíveis (etanol e biodiesel) estão em estudos, com a intenção de aproveitar os recursos disponíveis em cada região, algumas delas muito ricas em milho, outras em cana de açúcar. “Ainda não há regulamentação oficial do uso desses combustíveis”, disse o diretor geral.
Martínez salienta que o México é um mercado de US$ 49 bilhões por ano para a venda de derivados de petróleo, pois o país é o terceiro maior consumidor mundial de GLP, o sexto de gasolina e 12º de gás natural. “A reforma trará competidores para todos os segmentos de mercado, e eles são muito bons nessas atividades, motivo pelo qual nós precisamos nos preparar bem”, comentou.

A seu favor, a Pemex conta com uma estrutura de terminais, dutos e tanques montada durante os mais de 70 anos de atuação em regime de monopólio, com aceso a todos os cantos do país. O governo decidiu transferir os gasodutos para a Cenagás, que cuidará da sua expansão e possível repasse a terceiros. Os polidutos para derivados líquidos da Pemex devem permanecer com a empresa, mas serão operados por terceiros.

Caso a estatal mantivesse sua posição de controle sobre a infraestrutura logística de óleo e gás, pouco mudaria sua participação de mercado, tal como ocorreu no Brasil com a extinção do monopólio da Petrobras. Por aqui, a situação era menos complicada, porque a rede de distribuição e revenda já tinha concorrência.

Martínez observa que a Pemex Transformación Industrial não terá mais a obrigação legal de atuar em todas as localidades do país. “Vamos nos concentrar nos principais mercados consumidores e deixar as demais localidades para outros competidores”, afirmou.

A reforma obteve uma vitória surpreendente com o estabelecimento, em novembro, de um acordo entre a petroleira e o poderoso sindicato dos petroleiros para instituir um fundo de pensão para a categoria, elevar a idade mínima de aposentadoria e adequar o relacionamento aos moldes de empresas sujeitas à concorrência. O passivo da companhia com o pagamento de aposentadorias monta a 1,5 trilhão de pesos, e deve ser reduzido com as novas regras acordadas e com a transferência parcial do problema para o orçamento do governo federal.

Química e Derivados, López: indústria química do México estagnou há 15 anos
López: indústria química do México estagnou há 15 anos

Petroquímica aberta – O extinto monopólio do petróleo abrangia também a produção de petroquímicos básicos, a chamada primeira geração. É um conceito elástico, sem bases científicas. Na prática, a Pemex controlava e operava os crackers de etano de Cangrejera, Morelos e Pajaritos, além do propeno das refinarias, consumindo grande parte das olefinas geradas em suas plantas de polietilenos, óxido de etileno e polipropileno.

“Há 15 anos, a indústria química mexicana alcançou a marca de produção de 25 milhões de toneladas anuais, mas não saiu desse patamar desde então”, lamentou o engenheiro Ulises López Arce, gerente de energia da Associação Nacional da Indústria Química (Aniq), congênere simétrico da brasileira Abiquim.

Em 1987, o setor químico representou 10% do PIB mexicano, mas caiu para 1,8% em 2014, abaixo da média mundial de 4,5%. Neste ano, a demanda química do país chegou a US$ 40 bilhões, com produção local avaliada em US$ 18,3 bilhões, exportações de US$ 11,3 bilhões e importações da US$ 32,7 bilhões (70% oriunda dos EUA e Canadá), segundo López. “A importação atende a mais de 80% da demanda local e esse número está crescendo”, alertou. Metade da produção química mexicana permanece em poder da Pemex.

Historicamente considerado como grande produtor de óleo e gás, essa vantagem econômica não se materializou no setor químico. Atualmente, a produção de petróleo no México está próxima de 2,5 milhões de barris diários, para uma capacidade interna de refino de 1,15 milhões de bpd, ou seja, com baixa oferta de derivados de uso químico.

“O projeto inicial das centrais petroquímicas previa o uso de nafta, mas como não havia disponibilidade do insumo, foi preciso mudar os planos para consumir etano”, explicou López. Há muitos anos, o México resolveu trocar o consumo de óleos pesados pelo gás natural tanto na geração elétrica quanto no consumo das indústrias. Com o advento do shale gas, o preço do gás caiu, estimulando o uso industrial. “Temos grandes reservas de gás, mesmo sem contar com o shale gas, e estamos construindo uma rede de gasodutos interligados com o mercado dos EUA para garantir e ampliar o suprimento que já vai crescer com a reforma energética”, afirmou. A costa oeste mexicana, por exemplo, não é atendida por gasodutos.

Para a indústria química, contar com suprimento de gás é um dos fatores que pode impulsionar novos investimentos. Outro fator é a demanda interna. O país importa mais de 1 milhão de t/ano de polietilenos, 700 mil t/ano de polipropileno, 262 mil t/ano de poliestireno, 1,3 milhão de t/ano de ureia, e 31 mil t/ano de TDI, por exemplo. É um grande produtor de PVC, com 535 mil t/ano, exportando 352 mil t/ano, mas também importa 395 mil t/ano do material. Ao todo, o México produziu 3,7 milhões de t de resinas sintéticas em 2014, das quais exportou 1,6 milhões de t, tendo importado 4,5 milhões de t, configurado em consumo aparente de 6,6 milhões de t. A produção de polietileno terá o acréscimo da entrada em marcha da Braskem-Idesa, agregando um milhão de t/ano.

Química e Derivados, Petroquímica México: Monopólio de 70 anos chega ao fim

A Pemex possui capacidade excedente de óxido de etileno e busca empresas internacionais interessadas em aproveitar o insumo. A Oxiteno já atua no México há vários anos, mediante a compra da Canamex. A empresa finalizou em novembro um investimento de US$ 20 milhões para acrescentar 30 mil t/ano à sua capacidade local de etoxilação. A unidade fica em Coatzacoalcos (Veracruz) e recebeu a mais moderna tecnologia disponível, incluindo o resfriamento a seco dos reatores (sem consumo de água). O valor destinado ao projeto incluiu a construção de nova sala de controle, agora digital.

O Brasil, com 6,5 milhões de t/ano de produção de resinas termoplásticas, tem semelhanças e diferenças com a petroquímica mexicana. A escala de produção é próxima, o México possui uma integração comercial maior, mas está começando a privatizar sua indústria de produtos básicos. De comum, salta aos olhos a estagnação dos investimentos durante os últimos 15 anos e o crescente déficit comercial – o do Brasil somou US$ 24 bilhões em 2014, nos produtos químicos de uso industrial, para uma importação bruta de US$ 36 bilhões. Os mexicanos já começaram a mudar sua estrutura de negócios e atraem mais investidores, com uma economia aberta e pujante. O Brasil ainda discute uma fórmula para fixar o preço da nafta, mantém subsídios e impostos complexos e abusivos. Até quando?

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