Petroquímica

Petroquímica: Mercado sinaliza recuperação de preços e margens no setor

Marcelo Fairbanks
25 de novembro de 2003
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    Surgem sinais de evolução da demanda por petroquímicos acima da capacidade produtiva instalada, provocando alta de cotações com ápice previsto para 2005

    Química e Derivados: Petroquímica: .A conjunção de fatores de oferta e demanda internacional faz especialistas apostarem em um período de elevação de preços e recuperação de margens de lucro no setor petroquímico, com pico das cotações dos produtos esperado para 2005. Ao contrário de outras ocasiões similares, a queda posterior de preços não será abrupta, mas com valores sustentados até 2007, quando a curva inclina-se vertiginosamente, apontando o início de um novo período de baixa.

    Química e Derivados: Petroquímica: Bauman - após 2005, queda de preços não será abrupta.

    Bauman – após 2005, queda de preços não será abrupta.

    Esse prognóstico é sustentado por Robert Bauman, vice-presidente da divisão de petróleo e químicos da Nexant/ChemSystems, sediada em White Plains, NY (EUA). “Em 2004, o crescimento de demanda mundial por resinas plásticas, sobretudo a asiática, será muito grande, puxado pela China”, afirmou, com apoio dos dados deste ano que já revelam aquecimento de consumo. Ao mesmo tempo, ele relatou que há poucos projetos petroquímicos em fase final de construção, e as fábricas existentes tendem a operar com ocupação média de 90% de capacidade. Além disso, os preços internacionais do petróleo seguem em queda, devendo situar-se entre US$ 22 e US$ 25 por barril em 2005, aliviando os custos da cadeia a jusante.

    Segundo o especialista, na iminência de elevação de preços, os consumidores de termoplásticos já reforçam seus estoques, movimento que deverá se intensificar até 2005. “Os preços das resinas plásticas poderão, então, superar o pico de US$ 1.200 por tonelada alcançado em 1994/1995, ou seja, custarão o dobro das cotações atuais para exportação”, disse Bauman. Até o final de 2005, alguns desengargalamentos entram em operação, e os estoques dos clientes estarão abastecidos, reduzindo a pressão de demanda.

    Mesmo assim, a queda das cotações será lenta. “Só em 2005 as grandes companhias petroquímicas mundiais começarão a discutir a construção de novas capacidades”, afirmou o analista que salienta algumas diferenças no setor em relação a períodos passados semelhantes. O forte movimento de consolidação de negócios, fusões e aquisições reduziu substancialmente o número de players relevantes. Novos líderes de mercado como Basell (formada por ativos da Basf, Hoechst, Shell e Montedison), Borealis (Borealis e PCD), BP (Amoco, Arco, BP e Solvay), Chevron/Phillips, Dow (Dow e Union Carbide), Equistar (Lyondell, Millenium e Occidental) e Exxon Mobil resumem o movimento de concentração que perdurou pela década de 1990. Num primeiro momento, foi preciso integrar operações, verificando sinergias e pontos de conflito, atividades que drenaram recursos e atenções antes devotadas aos projetos de expansão. Além disso, o menor número de companhias implica menor número de projetos de investimento. “No último fly-up, todas as 19 companhias construíram um ou dois crackers e/ou linhas de produção de poliolefinas”, comentou Bauman. “Agora, as sete empresas remanescentes não serão tão ativas, erguerão quando muito sete crackers.”

    Química e Derivados: Petroquímica: petro01. Consolidadas as operações, muitas unidades produtivas européias e algumas norte-americanas foram fechadas, de modo a operar as remanescentes com melhor ocupação de capacidade. “Na Europa, 80% das unidades foram descontinuadas de modo permanente, e apenas 20% podem retornar à carga, se houver demanda e preço para tanto”, avaliou o especialista.

    O movimento de concentração de negócios mundiais no setor petroquímico conduz a uma situação de extrema competitividade. Armando Guedes Coelho, diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, com base em estudos internacionais da Maack Business Services, menciona que a capacidade produtiva de eteno no mundo soma 110 milhões de t/ano. “A participação dos cinco maiores produtores globais [Dow, Exxon Mobil, Shell, Equistar e BP] era de 22%, em 1992, e subiu para 32% em 2002”, comentou. No caso do propeno, segunda olefina mais consumida, a capacidade mundial chega a 90 milhões de t/ano, e a participação dos mesmos cinco maiores players passou de 23% (1992) para 28% (2002).

    Movimento semelhante verificou-se nas resinas. Em 2002, a capacidade produtiva de polietilenos era de 65 milhões de t/ano, das quais 49% estavam sob controle dos dez maiores produtores [Dow, Exxon Mobil, Sabic, Equistar, Chevron/Phillips, Basell, Borealis, BP Solvay, Sinopec e Nova]. Esse percentual era de 34% em 1996. No polipropileno, os dez maiores produtores [Basell, BP, Atofina, Sabic, Exxon Mobil, Sinopec, Dow, Borealis, Reliance e Formosa] dominavam 54% da capacidade instalada de 37 milhões de t/ano, em 2002. Em 1996, os dez maiores ficavam com apenas 36%.

    “Nesse quadro, é preciso ser mais eficiente a cada dia, para permanecer no mercado”, afirmou Coelho. O porte médio de unidades novas do setor apresentou forte crescimento entre 1990 e 2000. Para estireno, a média cresceu 122%, chegando a 500 mil t/ano; unidades de cloro passaram de 400 mil t/ano, com aumento no porte médio de 220%; no metanol, a alta foi de 55%, beirando 800 mil t/ano; e no polietileno linear de baixa densidade, a média ficou 88% maior, perto de 400 mil t/ano.



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