Petroquímica: Mercado sinaliza recuperação de preços e margens no setor

Surgem sinais de evolução da demanda por petroquímicos acima da capacidade produtiva instalada, provocando alta de cotações com ápice previsto para 2005

Química e Derivados: Petroquímica: .A conjunção de fatores de oferta e demanda internacional faz especialistas apostarem em um período de elevação de preços e recuperação de margens de lucro no setor petroquímico, com pico das cotações dos produtos esperado para 2005. Ao contrário de outras ocasiões similares, a queda posterior de preços não será abrupta, mas com valores sustentados até 2007, quando a curva inclina-se vertiginosamente, apontando o início de um novo período de baixa.

Química e Derivados: Petroquímica: Bauman - após 2005, queda de preços não será abrupta.
Bauman – após 2005, queda de preços não será abrupta.

Esse prognóstico é sustentado por Robert Bauman, vice-presidente da divisão de petróleo e químicos da Nexant/ChemSystems, sediada em White Plains, NY (EUA). “Em 2004, o crescimento de demanda mundial por resinas plásticas, sobretudo a asiática, será muito grande, puxado pela China”, afirmou, com apoio dos dados deste ano que já revelam aquecimento de consumo. Ao mesmo tempo, ele relatou que há poucos projetos petroquímicos em fase final de construção, e as fábricas existentes tendem a operar com ocupação média de 90% de capacidade. Além disso, os preços internacionais do petróleo seguem em queda, devendo situar-se entre US$ 22 e US$ 25 por barril em 2005, aliviando os custos da cadeia a jusante.

Segundo o especialista, na iminência de elevação de preços, os consumidores de termoplásticos já reforçam seus estoques, movimento que deverá se intensificar até 2005. “Os preços das resinas plásticas poderão, então, superar o pico de US$ 1.200 por tonelada alcançado em 1994/1995, ou seja, custarão o dobro das cotações atuais para exportação”, disse Bauman. Até o final de 2005, alguns desengargalamentos entram em operação, e os estoques dos clientes estarão abastecidos, reduzindo a pressão de demanda.

Mesmo assim, a queda das cotações será lenta. “Só em 2005 as grandes companhias petroquímicas mundiais começarão a discutir a construção de novas capacidades”, afirmou o analista que salienta algumas diferenças no setor em relação a períodos passados semelhantes. O forte movimento de consolidação de negócios, fusões e aquisições reduziu substancialmente o número de players relevantes. Novos líderes de mercado como Basell (formada por ativos da Basf, Hoechst, Shell e Montedison), Borealis (Borealis e PCD), BP (Amoco, Arco, BP e Solvay), Chevron/Phillips, Dow (Dow e Union Carbide), Equistar (Lyondell, Millenium e Occidental) e Exxon Mobil resumem o movimento de concentração que perdurou pela década de 1990. Num primeiro momento, foi preciso integrar operações, verificando sinergias e pontos de conflito, atividades que drenaram recursos e atenções antes devotadas aos projetos de expansão. Além disso, o menor número de companhias implica menor número de projetos de investimento. “No último fly-up, todas as 19 companhias construíram um ou dois crackers e/ou linhas de produção de poliolefinas”, comentou Bauman. “Agora, as sete empresas remanescentes não serão tão ativas, erguerão quando muito sete crackers.”

Química e Derivados: Petroquímica: petro01. Consolidadas as operações, muitas unidades produtivas européias e algumas norte-americanas foram fechadas, de modo a operar as remanescentes com melhor ocupação de capacidade. “Na Europa, 80% das unidades foram descontinuadas de modo permanente, e apenas 20% podem retornar à carga, se houver demanda e preço para tanto”, avaliou o especialista.

O movimento de concentração de negócios mundiais no setor petroquímico conduz a uma situação de extrema competitividade. Armando Guedes Coelho, diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, com base em estudos internacionais da Maack Business Services, menciona que a capacidade produtiva de eteno no mundo soma 110 milhões de t/ano. “A participação dos cinco maiores produtores globais [Dow, Exxon Mobil, Shell, Equistar e BP] era de 22%, em 1992, e subiu para 32% em 2002”, comentou. No caso do propeno, segunda olefina mais consumida, a capacidade mundial chega a 90 milhões de t/ano, e a participação dos mesmos cinco maiores players passou de 23% (1992) para 28% (2002).

Movimento semelhante verificou-se nas resinas. Em 2002, a capacidade produtiva de polietilenos era de 65 milhões de t/ano, das quais 49% estavam sob controle dos dez maiores produtores [Dow, Exxon Mobil, Sabic, Equistar, Chevron/Phillips, Basell, Borealis, BP Solvay, Sinopec e Nova]. Esse percentual era de 34% em 1996. No polipropileno, os dez maiores produtores [Basell, BP, Atofina, Sabic, Exxon Mobil, Sinopec, Dow, Borealis, Reliance e Formosa] dominavam 54% da capacidade instalada de 37 milhões de t/ano, em 2002. Em 1996, os dez maiores ficavam com apenas 36%.

“Nesse quadro, é preciso ser mais eficiente a cada dia, para permanecer no mercado”, afirmou Coelho. O porte médio de unidades novas do setor apresentou forte crescimento entre 1990 e 2000. Para estireno, a média cresceu 122%, chegando a 500 mil t/ano; unidades de cloro passaram de 400 mil t/ano, com aumento no porte médio de 220%; no metanol, a alta foi de 55%, beirando 800 mil t/ano; e no polietileno linear de baixa densidade, a média ficou 88% maior, perto de 400 mil t/ano.

Química e Derivados: Petroquímica: Coelho - setor tem menos players e mais competição.
Coelho – setor tem menos players e mais competição.

Para um número menor de projetos de investimento, Bauman espera também uma clara elevação de escala. “Os novos crakers para eteno, com base em gás, devem ter capacidades superiores a um milhão de t/ano”, afirmou. Isso implica contar com suprimento garantido de gás natural a preço baixo, hoje só disponível no Oriente Médio. Ou, talvez, nem lá.“Os três principais projetos petroquímicos da Arábia Saudita foram adiados por causa de problemas na negociação da matéria-prima”, explicou o especialista. Ele comentou que o preço histórico do gás natural mal chegava a US$ 0,50 por milhão de BTUs.

No entanto, com a elevação das cotações no mercado norte-americano, os fornecedores árabes passaram a exigir ao menos US$ 1 por MM BTU dos investidores petroquímicos. “Isso alterou o equilíbrio dos projetos, que pretendiam formar um pólo exportador de resinas para a Europa e para a Ásia, em especial a China”, afirmou.

A escala de um milhão de t/ano pode até ser superada, chegando a 1,5 milhão ou mesmo 2 milhões de t/ano, dependendo da disponibilidade de matérias-primas. Da mesmo forma, Bauman entende plenamente viáveis projetos de 600 mil t/ano de eteno localizados em países com demanda local compatível e disponibilidade limitada de gás ou nafta.

No Oriente Médio, apenas dois projetos estão em início de operação: a Petrokemya (da Sabic) e a unidade de PEAD de Amir Kabir (Irã). Segundo Bauman, três dos sete projetos apresentados de crackers no Irã avançam em diferentes velocidades. Há projetos de expansão ainda a finalizar em Abu Dabi, Egito, Kuwait e Omã. No Qatar, foi aprovado um segundo cracker em parceria entre a Chevron/Phillips e a Atofina.

“Mesmo que todos esses projetos entrem em operação, ainda vai faltar eteno, pois o mundo está em fase de recuperação econômica, a começar pelos EUA”, afirmou.

A capacidade produtiva de eteno dos países do Oriente Médio situa-se ao redor de 10 milhões de t/ano. Com os projetos previstos, espera-se que essa capacidade mais do que dobre até 2010, chegando a 23 milhões t/ano. A produção de resinas ao lado dos crackers deverá crescer proporcionalmente, tomando o rumo do mercado asiático, no qual a China mantém índices de aumento do PIB da ordem de 8% ao ano, seguida pela Índia e Coréia do Sul, ambas com 5% a 6%.

Química e Derivados: Petroquímica: petro02. Cargas líquidas – Nos últimos dez anos, os projetos petroquímicos priorizaram o uso do gás natural (etano) como matéria-prima. Baixos preços e produção isolada de eteno tornavam mais atraente a alternativa. Na contramão, a nafta perdeu prestígio. A crise de energia nos Estados Unidos, no entanto, catapultou o preço do gás natural para mais de US$ 5 por MM BTU, quase tornando inviável o consumo petroquímico. “O uso petroquímico sempre sai perdendo quando compete com o consumo para a geração de energia”, comentou Bruno Albuquerque Piovesan, diretor-financeiro da Cia. Petroquímica do Sul (Copesul). Com dados da consultoria Parpinelli Tecnon, ele indicou que o etano de gás natural ainda será o preferido dos projetos petroquímicos até 2010, passando a responder por 33% de toda a produção de eteno no mundo, contra os atuais 29,2%. Já as cargas líquidas perderão participação, dos 52,1% atuais para 46,6%.

No caso da central gaúcha de matérias-primas petroquímicas, Piovesan salientou a flexibilidade operacional alcançada pelas instalações, ampliadas e modernizadas há dois anos. “Podemos processar nafta, gasóleos, condensados e até GLP, dependendo da disponibilidade e preços desses produtos”, explicou. Antigamente, informou, as petroquímicas dos EUA apresentavam flexibilidade semelhante, sendo aos poucos convertidas para etano de gás natural, tornando-se muito dependentes e suscetíveis do comportamento do insumo.

Bauman recomenda observar com cuidado a dinâmica da oferta e demanda das cargas petroquímicas. “A tendência é de redução dos preços do petróleo, que será forçosamente acompanhada pelas cotações da nafta petroquímica”, afirmou, salientando que a nafta hoje se encontra no final de uma fase de alta de preços, tendendo a baixar no médio e longo prazos. O gás natural, por sua vez, já iniciou a marcha de redução de cotações, pois os EUA conseguiram reforço de suprimento junto ao Canadá e a perfuração de poços no território americano mais do que dobrou neste ano, em relação ao anterior, havendo grandes estoques formados. Em contrapartida, as novas unidades de geração de eletricidade usarão gás natural, criando uma demanda elevada e constante durante o ano todo, com picos no inverno, sustentados pelo uso em sistemas de aquecimento. Além disso, dois terços da capacidade norte-americana de eteno se alimentam de gás. “Analisando esses fatores, pode-se esperar que os preços do gás recuem para a faixa entre US$ 3 a US$ 4,25 por MM BTU até 2005”, disse. “Isso ainda é bem mais do que a média histórica, inferior a US$ 2 por MM BTU.”

Por isso, Bauman critica a adoção das cotações do gás no mercado norte-americano para a fixação de preços em outros países, como é feito no Brasil e na Argentina. “Esses contratos usam como referência o preço mais elevado do mundo, o que pode torná-los inviáveis”, disse. “Seria necessário desenvolver outros parâmetros para a correta precificação do gás.”

A relação de preços entre gás e nafta ainda precisa ser complementada pelo fato de um cracker de nafta ser mais completo, oferecendo maior número de correntes aproveitáveis, como C4 e aromáticos. Como os investimentos mais recentes priorizaram o gás natural, o suprimento de aromáticos apresenta-se apertado, com elevação sustentada de cotações.

Química e Derivados: Petroquímica: Mariani - preço alto da nafta prejudica o setor.
Mariani – preço alto da nafta prejudica o setor.

Bauman aposta no crescimento da petroquímica do Oriente Médio com base no gás natural, com apoio e participação dos grandes players internacionais e dos governos locais. Em algumas regiões específicas, como a China, as cargas líquidas poderão suprir alguns crackers. “Não acredito que os investidores aceitarão a construção de mais capacidades nos EUA, Europa e Japão”, afirmou. A Coréia do Sul, segundo ele, está em fase de reestruturação de negócios, depois de ter perdido dinheiro na última década. “A Atofina assumiu a Samsung, que era muito agressiva, mas não vai manter o ritmo de investimentos da antecessora”, afirmou. Quanto à Rússia, que disputa a liderança do suprimento mundial de petróleo, o país não considera a petroquímica o investimento principal, dedicando-se mais à química básica.

De modo geral, a maioria dos novos crackers, seja de nafta ou de gás, será construída por companhias petrolíferas em associação com governos locais. Para Bauman, as petroleiras serão a força dominante no futuro da petroquímica mundial, pelo controle das matérias-primas do setor.

Já no campo da disputa por mercados, os negociadores chineses levam vantagem. “A única maneira de vender plásticos nos EUA e no Canadá é por meio de produtos transformados”, alertou Bauman. A China se especializou no atendimento a mercados de baixa sofisticação e, depois, ampliou o leque de produtos. Dados da Nexant indicam que a China responde por quase a metade dos sacos e sacolas plásticas importadas pelos EUA. A importação total representa 26% do mercado local.

Embora tenham forte presença no mercado norte-americano, principalmente por causa do baixo custo de mão-de-obra (estimado em US$ 0,35 por hora) e da política cambial, os produtos chineses começam a enfrentar vários processos antidumping, além de sofrerem pressões por parte do governo dos EUA para adotar as normas da Organização Mundial do Comércio. “É possível que o relacionamento entre esses países se deteriore, abrindo caminho para novos fornecedores”, comentou.

Carlos Mariani Bittencourt, presidente do conselho diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) aponta a China como um bom exemplo de integração setorial a montante. “Primeiros eles desenvolveram um grande parque transformador, com base em resinas importadas, e agora constróem uma grande estrutura petroquímica, que reduzirá a dependência de importações”, comentou. A capacidade produtiva chinesa já se aproxima da alemã, a terceira maior do mundo. Importante salientar a magnitude do mercado interno chinês, com 1,5 bilhão de habitantes, ainda pequenos consumidores de petroquímicos.

Salto brasileiro – O modelo exportador chinês inspira a cadeia produtiva de termoplásticos do Brasil a criar mecanismos para tornar-se mais competitiva internacionalmente. “A exportação de produtos petroquímicos aumentou em 2003 porque o mercado interno não absorveu a oferta”, explicou Mariani, que espera para 2004 uma recuperação do poder de compra da população nacional. A exportação de resinas não é muito favorável ao setor, uma vez que tem por base matérias-primas a preço superior ao do mercado internacional. No caso de haver o fly-up, os preços internos deverão acompanhar as cotações internacionais das resinas.

Química e Derivados: Petroquímica: Cachum - cadeia unida vai exportar transformados.
Cachum – cadeia unida vai exportar transformados.

A intenção do setor é unir esforços em toda a cadeia produtiva, de modo a oferecer produtos plásticos prontos (convertidos ou transformados) a compradores internacionais, aproveitando a vantagem de custos competitivos em mão-de-obra. O projeto é suportado pela indústria petroquímica (primeira e segunda gerações) e pelas entidades representativas dos transformadores, com apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex), do Ministério da Indústria e Comércio.

Denominado Export Plastic, o projeto setorial beneficiará convertedores de plásticos de pequeno e médio porte, hoje impossibilitados de arcar com os custos inerentes ao comércio internacional. “A Apex já está contratando pessoal especializado e comprando informações sobre vários mercados em potencial, de modo a identificar demandas que possam ser atendidas a partir do Brasil”, afirmou Merheg Cachum, presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast) e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

A título de exemplo, Cachum citou as importações de produtos feitos de plásticos pelos Estados Unidos, que somam US$ 13 bilhões por ano, quase 30% a mais do que o faturamento brasileiro do setor. “Qualquer pedido feito a partir dos EUA é de tamanho gigante, eles exigem estoques locais e estrutura de entrega e assistência técnica”, comentou. “E o preço é sempre muito baixo, a despeito dessas dificuldades.” Daí a importância de buscar oportunidades de negócio mais compatíveis com a realidade nacional, em países da Europa, Oriente Médio, África e América Latina.

As vendas de produtos em grande volume não serão descartadas, mas devem ter rentabilidade razoável. “Pedidos grandes serão atendidos pela formação de consórcios entre várias empresas médias e pequenas, de modo a repartir lucros e riscos”, afirmou. O papel da associação setorial é de induzir a formação desses consórcios, operação que exige transparência no relacionamento entre empresas. “Os empresários que não abrirem a cabeça para aceitar novos conceitos estão condenados a sair do negócio”, disse.

O contrato de participação no Export Plastic será firmado em 15 de dezembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, com a participação do governo federal e entidades de todos os elos da cadeia. “A partir daí, é preciso arregaçar as mangas para reverter o atual déficit comercial de US$ 300 milhões de produtos transformados e gerar um superávit de US$ 1,2 bilhão dentro de oito a dez anos”, explicou. A idéia básica do programa consiste em aproveitar produtos fabricados no Brasil, como as resinas, para atender os pedidos. Caso seja preciso, importações serão feitas. “A China faz assim e obtém excelentes resultados”, disse.

Segundo Cachum, o programa contará com a participação do governo, no sentido de reduzir a carga tributária dos produtos exportados, com reflexos em toda a cadeia produtiva. “O projeto começou no final de 2001 e foi aperfeiçoado no novo governo federal”, afirmou Cachum. O novo formato de programa caprichou nos critérios rígidos de fiscalização e controle, de modo a impedir o desvio de resinas e transformados para o mercado doméstico. “Se não houver desoneração, seria melhor continuar fazendo drawback”, avaliou.

Cachum entende também que o projeto terá sucesso com a participação da Petrobrás. “Talvez possamos contar com um preço diferenciado da nafta para melhorar a competitividade do produtos de plástico fabricados no Brasil”, afirmou. Segundo o dirigente, há negociações em curso sobre isso.

Indefinição perigosa – Analistas no mercado financeiro enxergam dois pontos que necessitam de rápida definição para atrair investimentos para o setor petroquímico nacional, via mercado de capitais. O primeiro item é o equacionamento das dívidas das principais companhias brasileiras, principalmente da Braskem, a maior do setor no País. Nos últimos meses, a empresa empreende esforços para alongar o perfil da dívida, com sucesso. Outras, como a Ipiranga Petroquímica estudam alternativas semelhantes. Caso se confirme a previsão de um fly-up até 2005, a geração de caixa no setor será muito reforçada, deixando as companhias em situação mais confortável, inclusive para promover novas captações, visando acréscimos de capacidade produtiva.

Química e Derivados: Petroquímica: petro03.O outro item diz respeito à participação da Petrobrás na indústria petroquímica. A aquisição do grupo argentino Perez Companc recolocou a estatal no controle de uma companhia de segunda geração, a Innova, produtora de estireno e poliestireno. Detentora de vasto portfólio de participações minoritárias, a companhia já demonstrou, por meio de declarações de seus executivos, o interesse em exercer papel mais relevante na condução dos negócios. No governo Lula, o presidente da estatal José Eduardo Dutra já disse ser favorável a uma reestruturação de capitais no setor, a partir da qual a companhia poderia ampliar sua participação. Daí para frente, sobram especulações. A mais conhecida aventa a possibilidade de a estatal concentrar seus interesses em um de dois possíveis grandes players nacionais a serem formados, a chamada Petroquímica do Sudeste (capitaneada por Unipar e Suzano) e a Braskem (com interesses nos pólos gaúcho e baiano), mantendo-se um modelo concorrencial. A menos provável seria a indução de uma única companhia petroquímica brasileira, claramente liderada pela Petrobrás, com máxima sinergia entre a produção de óleo/gás/subprodutos e as gerações subseqüentes. E sempre há a provável e cômoda possibilidade de deixar as coisas como estão.

“Não existem apenas duas correntes de pensamento dentro da Petrobrás, mas várias, com poder de influência variável, sempre de difícil conciliação sobre esse tema”, afirmou Armando Guedes Coelho, diretor-superintendente da Suzano Petroquímica e ex-presidente da estatal. “Não vejo nenhuma definição por parte da Petrobrás”, confirma o presidente do conselho diretor da Abiquim, Carlos Mariani Bittencourt.

Na estatal não há pronunciamentos oficiais, mas se comenta que a decisão sobre isso será apresentada na revisão do planejamento plurianual, a ser concluída até abril de 2004. Até lá, vários projetos devem ficar em banho-maria, a começar pela ampliação da Petroquímica União a partir de correntes de refino ricas em eteno disponíveis nas refinarias paulistas Henrique Lage, no Vale do Paraíba (Revap) e na Refinaria de Capuava (Recap).

Do ponto de vista de uma empresa de petróleo, não faz muito sentido desviar recursos do core business para investir em uma atividade concorrencial de remuneração bem menor. “A Petrobrás tem grande número de campos de petróleo para explorar, que exigem pesados investimentos e oferecem uma taxa de retorno muito mais interessante que a petroquímica”, disse Coelho. Apesar disso, ele advoga que a estatal se dedique mais ao setor. “Sem ela, corremos o risco de ficar sem matérias-primas para os crackers.”

O diretor-geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mário Mugnaini, assegura que a decisão sobre a participação da estatal no setor petroquímico será tomada em prazo adequado. “A decisão sairá logo, sem prejudicar o desenvolvimento do setor”, assegurou.

Hoje, como há anos, a maior crítica feita pelos representantes da petroquímica nacional diz respeito à política de preços da nafta e do gás natural. “Há anos que as coisas não saem do lugar; a Petrobrás precisa entender que é um elo da cadeia produtiva e que o custo da nafta determina a competitividade da cadeia toda”, lamentou José de Freitas Mascarenhas, vice-presidente do conselho diretor e coordenador da comissão de economia da Abiquim. Para ele, a estatal só enxerga resultados financeiros imediatos, seguindo a “regra do jogo” capitalista. “O governo precisa ser o fiel da balança, de modo a equilibrar as forças do setor e apoiar o esforço de exportação”, disse.

Mariani critica a precificação da nafta, feita com base nas cotações internacionais, acrescidas dos custos de transporte e internação, mesmo quando o insumo é obtido a partir de petróleo brasileiro nas refinarias nacionais. “Isso é irreal, não conseguimos competir com outros países que pagam muito menos, sem falar na volatilidade cambial, pois o preço é dolarizado”, afirmou, prometendo levar a questão ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, instituído pelo governo Lula.

Mascarenhas vai além. “Além do preço, o problema é a disponibilidade da nafta, pois o projeto de expansão do refino nacional não contempla aumento ou maximização na oferta, mas a sua mistura à gasolina”, afirmou.

Segundo Armando Guedes Coelho, atualmente a demanda pela carga líquida no Brasil chega a 10 milhões de t/ano, das quais apenas 7 milhões são nacionais. Com base nas previsões de mercado, em 2010, o setor petroquímico local consumirá entre 15 milhões e 20 milhões de t/ano de nafta, exigindo importar de 8 milhões a 13 milhões de t/ano. “Sem suprimento local de nafta, torna-se inviável a atividade petroquímica dela derivada”, disse. O uso de outras cargas líquidas (condensados ou gasóleos) não apresenta o mesmo rendimento em eteno, ou não tem suprimento garantido a longo prazo. No caso do propeno, as refinarias nacionais ainda apresentam disponibilidade da olefina em seus fluxos gasosos. No exterior, essa fonte de propeno já está no limite.

Química e Derivados: Petroquímica: Matsumoto - PqU espera definição da Petrobrás.
Matsumoto – PqU espera definição da Petrobrás.

Mariani entende ociosa a discussão sobre a influência das participações da estatal nas empresas do setor e o preço cobrado pela nafta. “A Petrobrás já esteve dentro e fora do setor, e os preços da nafta continuaram altos”, explicou. “No tempo do controle oficial de preços era possível repassar para os consumidores a elevação dos custos, sem maiores problemas, mas agora é preciso ser competitivo internacionalmente.”

Também os custos do gás natural e das correntes gasosas resultantes do refino do óleo representam custos preocupantes para o setor. “A ampliação da PqU consumirá 1,5 milhão de m³/dia de gás de refinaria, mas ainda não se chegou a um valor adequado para esse material”, informa o diretor-superintendente da PqU, Wilson Matsumoto. Segundo ele, a Petrobrás alega ser esse gás usado em processos térmicos dentro da refinaria e precisaria ser substituído pelo gás natural comprado na Bolívia a preço muito elevado. “Com esse preço, nenhum projeto, nem petroquímico, nem de termoeletricidade vai sair do papel”, afirmou.

O projeto permitirá ampliar a capacidade produtiva de eteno da central paulista em 200 mil t/ano, exigindo investimentos de US$ 140 milhões na PqU, além de US$ 20 milhões para a construção de um duto entre ela e a Revap, e mais US$ 16 milhões para instalar uma unidade de pré-tratamento e compressão do gás nesta refinaria. O eteno adicional seria consumido pela Polietilenos União, em uma nova linha de polietileno, orçada em US$ 140 milhões.

“O projeto é muito bom, mas estamos sendo obrigados a contornar inúmeros obstáculos”, disse Matsumoto. O primeiro foi a alegação de falta de espaço e condições ambientais para receber a ampliação. “Entramos até com uma consulta formal na Secretaria Estadual do Meio Ambiente para saber os requisitos para a ampliação do pólo e não verificamos nenhum impeditivo”, explicou. A densa povoação do entorno do pólo também não proíbe o investimento. “A lei de zoneamento na área foi até alterada e, desde que não haja aumento de emissões de poluentes, não há restrições”, disse.

Depois foi a questão do abastecimento de água, insumo fundamental para os processos de troca térmica realizados nos grandes condensadores da central. “Chegaram a dizer que não tínhamos água, mas agora temos duas opções de fornecimento para escolher”, disse Matsumoto. As empresas do pólo elaboraram o projeto Acquapolo, pelo qual seria captada água poluída no Rio Tietê, para tratamento nas instalações da Recap e da PqU de modo a suprir toda a demanda da área. Recentemente, a empresa recebeu a oferta de usar água resultante do tratamento de efluentes domésticos de Santo André e da Zona Leste de São Paulo, bastando construir um duto de transporte.

“O custo desta alternativa é maior que o do Acquapolo, pois a água de reuso é mais salina e permite número menor de ciclos na torre de resfriamento, mas é um projeto de grande impacto social”, disse. Caso as empresas de água garantam o suprimento, essa deve ser a alternativa preferida pela empresa.

Agora, é a vez de esperar a definição das intenções da Petrobrás na petroquímica, motivo para adiar por mais seis meses a decisão sobre o fornecimento de resíduos de refino para a PqU. “As empresas do pólo paulista ficaram impedidas de ganhar escala por falta dos insumos básicos, e estão em via de perder competitividade em relação às concorrentes instaladas nos outros pólos”, lamentou Matsumoto. A PqU fornece apenas 18% do eteno nacional. A possibilidade de importar nafta, aberta com a quebra do monopólio da Petrobrás sobre os derivados, não traz alento à central. “A nafta importada não é tão competitiva, pois além do preço é preciso considerar o custo logístico da operação, muito pesado”, informou.

Presidente da Resinor Resinas Sintéticas, produtora de poliestireno expandido, Takashi Sanefuji se esforça para unir todos os interessados na ampliação do pólo petroquímico para obter apoio governamental ao projeto. Segundo ele, além dos empresários consumidores de matérias-primas e seus clientes da transformação, também os trabalhadores petroquímicos apóiam a idéia, que levaria ao aumento do número de empregos qualificados na região, e as prefeituras do entorno acabariam sendo favorecidas pelo aumento da arrecadação. “A ampliação do pólo interessa a todos”, defendeu, embora reconheça que o projeto atualmente considerado pela PqU não alivie a situação de toda a cadeia produtiva, por estar restrito ao eteno.

Matsumoto comenta que 2003 apresentou uma conjunção favorável de preços dos co-produtos da central, como butadieno, benzeno, solventes e gasolina. “Os produtos principais, eteno e propeno, estão com preços baixos, pois as resinas deles derivadas tiveram demanda fraca neste ano, com aumento notável de competição entre fornecedores”, comentou. Apenas o terceiro trimestre do ano apresentou melhora na atividade econômica, mas, ainda assim, ficou abaixo dos índices registrados em 2002. “Percebemos que a indústria formou estoques nesse período”, afirmou. Ele espera que os dissídios de grandes categorias profissionais, marcados para o final do ano, consigam repor a perda de poder aquisitivo da classe assalariada, estimada em 15% ao longo de 2003. “Sem salários não há demanda e sem investimentos não há empregos”, disse.

Sem contar com acréscimos da PqU, a Polibrasil foi buscar na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão-SP, suprimento de propeno necessário para completar o abastecimento de sua nova fábrica de polipropileno no pólo paulista, com 240 mil t/ano. A nova planta já tem programado um desengargalamento para 2005, mediante o qual, com US$ 8 milhões de investimento, será possível aumentar em 60 mil t/ano a capacidade nominal.

Maior projeto de investimento em curso no País, com partida prevista para o início de 2005, a Rio Polímeros já está em fase de instalação de equipamentos pesados, como os grande reatores típicos do processo Unipol (da Univation), de fase gasosa. Com investimento de US$ 1,08 bilhão, repartidos entre Unipar e Suzano, cada uma com 33% de participação, e Petrobrás e BNDES (16,5% cada), serão produzidas 520 mil t/ano de eteno, posteriormente convertidos em 540 mil t/ano (dois trens de 270 mil t/ano) de polietilenos de marca Rio Pol, além de 75 mil t/ano de propeno, destinadas à vizinha Polibrasil, de Duque de Caxias-RJ. Esta unidade será ampliada com investimento de US$ 30 milhões, ficando 100 mil t/ano de PP maior, perfazendo 300 mil t/ano de capacidade total. O projeto será alimentado com etano e propano de gás natural extraído na Bacia de Campos-RJ.

Exportação e produção maior sustentam resultados

Química e Derivados: Petroquímica: Grubisich prevê demanda forte em 2004.
Grubisich prevê demanda forte em 2004.

Durante os nove primeiros meses de 2003, a Braskem mostrou fôlego frente à retraída atividade econômica do País. Líder em resinas termoplásticas na América Latina, a companhia encerrou o terceiro trimestre de 2003 com lucro líquido de R$ 411 milhões. “Apesar das condições adversas do País, conseguimos esse desempenho”, comemorou o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich. Com esse resultado, a empresa reverteu o prejuízo de R$ 1,8 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. Na opinião do vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Paul Altit, os números refletem a política comercial da empresa, focada na rentabilidade e na criação de valor. “O terceiro trimestre foi importante em termos de captura de valor agregado”, afirmou.

Balanço realizado pela companhia mostra o melhor desempenho operacional desde sua criação, em agosto de 2002. O Ebitda (indicador de geração de caixa) registrado foi de R$ 461 milhões no terceiro trimestre, ante os R$ 367 milhões de igual período de 2002. “Houve uma melhoria de 4% na qualidade do negócio Braskem”, comentou Grubisich. A margem Ebitda foi de 21%, de julho a setembro deste ano, contra 17% de igual período de 2002. No acumulado do ano, o Ebitda foi de R$ 1,3 bilhão, 43% superior ao obtido nos nove primeiros meses de 2002. “Terminamos setembro com Ebitda maior do que o de 2002 inteiro”, explicou Grubisich.

Na avaliação do executivo, o bom desempenho da companhia foi influenciado sobretudo pelo realinhamento dos preços das principais resinas da companhia, polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC), do mercado doméstico à realidade internacional. “A política de preços estava distorcida. Mas conseguimos criar valor e alinhar os preços, obtendo impacto positivo em nossas atividades”, disse Grubisich. Os índices também refletem a redução das despesas com vendas gerais e administrativas e a evolução na captura de sinergias, decorrentes do processo de integração da companhia. Até o final de setembro, a Braskem havia capturado R$ 260 milhões em sinergias.

De janeiro a setembro, a receita líquida da Braskem atingiu R$ 6,6 bilhões, marca 36% superior aos R$ 4,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Os primeiros nove meses de 2003 também foram marcados pelo aumento nas exportações. A receita obtida com o mercado externo foi de US$ 495 milhões, o que significou um incremento de US$ 90 milhões sobre os números registrados em igual período no ano passado. No terceiro trimestre deste ano, a receita líquida com exportações atingiu US$ 178 milhões, 2% superior ao mesmo período de 2002. Responsável pelo consumo de 40% do total exportado pela Braskem, a América do Norte foi o principal alvo da companhia, seguida pela Europa, Ásia e América do Sul, cada um com 19% do total. A África absorveu 3% das exportações.

Incremento na produção – “Neste trimestre, começamos a produzir e a vender mais”, ressaltou Altit. O volume de vendas de resinas termoplásticas totalizou 1.160 mil toneladas de janeiro a setembro deste ano; só no terceiro trimestre, foram comercializadas 433 mil toneladas, representando incremento de 5%, em relação às 412 mil toneladas vendidas no mesmo período de 2002. Esse avanço reflete as melhorias realizadas em cada uma das unidades de produção. Em comparação com os nove meses de 2002, a produção de propeno aumentou 10% e a de eteno, 9%. Na unidade de vinílicos, houve um crescimento do volume produzido da ordem de 9% de soda cáustica, e de 2% de PVC. Já nas poliolefinas, a Braskem registrou incremento de 8% de polipropileno e de 5% de polietileno. A única resina a apresentar queda foi o polietileno tereftalato (PET), cuja produção foi reduzida em 7%, passando de 43.449 t, em 2002, para 40.203 t, em 2003.

Investimentos – “O mercado voltou a dar sinais de vitalidade no terceiro trimestre”, comentou Grubisich. Essa retomada da economia abriu espaço para novos investimentos da Braskem. Confiante no crescimento do PIB, a companhia anunciou projeto de expansão da capacidade de PVC e de PE. “Acreditamos que a melhoria da renda disponível para o brasileiro vai impactar positivamente o consumo de resina termoplástica em 2004”, declarou Grubisich. E acrescentou:

“Queremos estar com a maior capacidade possível para atender o aumento da demanda”. O executivo antecipou apenas se tratar de um incremento de produção de 50 mil toneladas para cada uma das resinas. Grubisich salientou, também, que a partir do primeiro semestre de 2004 deverá estar concluída a ampliação da capacidade de produção de polipropileno, em 100 mil t/ano, no Pólo Petroquímico de Triunfo-RS. Com investimento de US$ 7 milhões, a expansão propiciará à Braskem a possibilidade de elevar em cerca de 20% sua capacidade produtiva da resina, representando um potencial de receita adicional de R$ 250 milhões.

Por conta da criação da Braskem ter ocorrido em 16 de agosto de 2002, os números da companhia foram baseados em resultado pró-forma, a partir da consolidação integral da Braskem, por meio dos balanços da OPP Química, Trikem, Nitrocarbono e Polialden Petroquímica, como se essa estrutura societária tivesse existido desde o início de 2002.

Nova tecnologia – A Braskem já oferece aos seus clientes, a título de produto para teste, a primeira resina obtida por catálise de sítio específico, dita metalocênica. Fabricado no Pólo de Camaçari, o polietileno linear de baixa densidade metalocênico da Braskem usa tecnologia licenciada pela Univation Technologies, e estará disponível comercialmente a partir do primeiro trimestre de 2004.

O lançamento exigiu investir US$ 1,4 milhão na área industrial, mas alimenta a expectativa de alavancar vendas da ordem de US$ 30 milhões até o final do próximo ano. Até 2006, o potencial de negócios nessa linha de produtos ascende a US$ 100 milhões/ano. O mercado principal dessas resinas é a produção embalagens flexíveis mais resistentes ao impacto e à perfuração, sendo dotadas de maior brilho e transparência.

As resinas de origem metalocênica foram lançadas no mercado norte-americano em 1995. Em 2002, 600 mil t de resinas desse grupo já haviam sido vendidas naquele país, com taxa de crescimento da ordem de 25% ao ano, a melhor do setor. n Renata Pachione

Pólo de Triunfo investe em tecnologia petroquímica

Num ano considerado fraco por analistas e executivos do setor petroquímico, o Grupo Braskem contrariou as expectativas e voltou a investir com força no Rio Grande do Sul, a partir da inauguração de sua segunda unidade de pesquisa em tecnologia de polímeros no Estado. Trata-se do Centro Petroquímico de Pesquisa e Desenvolvimento (Cepped), localizado no campus central da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) em Canoas, a 31 quilômetros do Pólo Petroquímico de Triunfo, onde já funciona o Centro de Pesquisas e Inovação Tecnológica, empreendimento de R$ 300 milhões empregados na construção de seis unidades piloto para transformação de resinas e de laboratórios voltados à caracterização de polímeros.

Química e Derivados: Petroquímica: Mazzochi mostra o RMN de R$ 1,8 milhão do Cepped.
Mazzochi mostra o RMN de R$ 1,8 milhão do Cepped.

O Cepped de Canoas custou R$ 9 milhões divididos entre a própria Braskem e a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia, a Finep. À Ulbra, caberá o custeio e administração do complexo científico. Os três parceiros pretendem desenvolver tecnologia genuinamente nacional para a catálise de produtos petroquímicos de primeira, segunda e terceira geração. Com isso, querem reduzir a importação de produtos químicos e combater a saída de divisas na forma de royalties e licenciamentos pagos às empresas estrangeiras. Por conta dessa iniciativa, a Braskem acredita estar contribuindo diretamente com a desempenho da balança comercial brasileira, coerente com a política de substituição de importações do governo federal.

“O Rio Grande do Sul é estratégico para a Braskem. Montamos aqui o mais moderno laboratório de processos de catálise construído em uma universidade da América Latina. Com isso, confirmamos a decisão de concentrar no Estado os principais recursos em pesquisa”, anunciou o presidente do grupo, José Carlos Grubisich, durante a inauguração do Cepped, em 27 de novembro.

Do total investido, R$ 5 milhões foram mobilizados na aquisição dos equipamentos. Os R$ 4 milhões restantes serviram à construção do conjunto de prédios que formam o Cepped. Além dos recursos financeiros os números do empreendimento impõem respeito: 890 m² de área construída somente nos laboratórios; 1,6 mi1 m² de planta piloto de catálise, prédios para armazenamento de gases e matérias-primas. A infra-estrutura do Cepped inclui também um conjunto de equipamentos com tecnologia de ponta voltados a ensaios químicos de altíssima precisão para o desenvolvimento contínuo de pesquisas de processos industriais em praticamente todas as áreas da engenharia química, entre as quais se destacam a petroquímica (polímeros), catalisadores, tintas, solventes, combustíveis e a gama completa de derivados de petróleo.

Na área de pesquisa e desenvolvimento de processos, destacam-se os aparelho de operações unitárias como torres de destilação, filtração, reatores de síntese e simulação, calcinação e outros empregados na avaliação de variáveis para o projeto de equipamentos a serem desenvolvidos para o processo de catálise da Braskem, como o analisador de partículas Mastersizer 2000 e o difratômetro de raio-X da Rigaku, modelo D/Max-2100. Há ainda um sintetizador automático para reações sob pressão, da Chemspeed, capaz de realizar dezenas de sínteses simultaneamente, para a obtenção de efeitos variáveis em processos automatizados e robotizados.

Já o analisador dinâmico reométrico serve à identificação de propriedades viscoelásticas de materiais poliméricos. Mas a menina-dos-olhos do Cepped é o primeiro espectrômetro de ressonância magnética nuclear de 400 megahertz , da Varian, importado dos Estados Unidos e instalado nas dependências do centro pelo montante de R$ 1,8 milhão. “É o custo unitário mais elevado de todo o investimento”, informou o coordenador do Cepped, o engenheiro químico Nelomar Mazzochi. O instrumento permite avaliar a estrutura molecular dos catalisadores e dos polímeros gerados.

Completa o complexo de pesquisas da Ulbra uma estação de tratamento de resíduos industriais provenientes da operação de pesquisa, a qual irá simular a situação real de operação em uma planta petroquímica para obter a reciclagem de produtos e descontaminação de efluentes.

O Cepped desenvolverá quatro linhas básicas de pesquisa. A primeira corresponde à fluidização e troca de calor no forno de catalização. A segunda está ligada ao estudo da estrutura e geometria molecular, tanto dos catalisadores como das resinas. Na terceira, os cientistas estarão voltados aos fenômenos de transporte, filtração, circulação e trocas de gases, tanto da matéria-prima básica (monômeros) como nas resinas já polimerizadas.

Na ponta final, explica Mazzochi, os pesquisadores responsáveis pelo Cepped chegarão a uma família completa de catalisadores e de processos com tecnologia 100% nacional, empregados em pontos específicos da reação, com diminuição de tempo, a alteração de variáveis como temperatura e pressão do reator. O centro irá operar com aproximadamente 20 pesquisadores designados pelo consórcio Ulbra/Braskem, em grau de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Mazzochi acredita que os primeiros resultados das pesquisas serão conhecidos em quatro meses, a contar de janeiro de 2004 quando a unidade encerrará os testes dos equipamentos iniciando a operação em escala de pesquisa propriamente dita.

As negociações entre a Ulbra, a Braskem e a Finep ocorreram ao longo de um ano, atendendo os interesses das três instituições. Pelo acordo firmado, a Ulbra poderá colocar os serviços do Cepped à disposição da cadeia produtiva petroquímica, ou seja, a serviço inclusive dos concorrentes da Braskem. No entanto, nos primeiros 24 meses, a empresa co-patrocinadora terá prioridade absoluta para as pesquisas. Além disso, toda a tecnologia desenvolvida em nome da Braskem receberá uma salvaguarda de dez anos antes de ser repassada ao mercado. Existem áreas específicas da linha de pesquisa com sigilo absoluto.

Por sua vez, a Finep poderá dispor dos resultados das pesquisas e transformá-los em publicações científicas, exceção para as áreas de conhecimento pré-definidas como estratégicas pela Braskem, como composição química final de catalisadores ou detalhes técnicos do processo, também considerados segredos industriais. “A rede de computadores do Cepped está interligada à Braskem, que irá acompanhar todas as operações on line, podendo incorporar as tecnologias ao processo industrial de forma imediata ao encerramento de cada linha de pesquisa”, esclareceu Mazzochi. “Já ligaram técnicos de concorrentes deles para cá querendo utilizar a estrutura e eu avisei que com autorização da Braskem não tem problema”, avisou.

Conhecimento estratégico – O diretor da Maxiquim, consultoria especializada na análise do mercado petroquímico, João Luiz Zuñeda, elogiou a iniciativa de criação do Cepped: “A petroquímica se instalou no Brasil comprando tecnologia e pagando caro por licenciamentos e royalties”. Em sua opinião, a Braskem está copiando no sentido positivo a iniciativa da Petrobrás, detentora da tecnologia em exploração de petróleo em águas profundas.

“Quando o Brasil começou a perfurar poços, o know-how era estrangeiro. Hoje somos totalmente independentes. O que a Braskem está buscando é uma tecnologia 100% nacional para os processos de polimerização a exemplo do que a Petrobrás fez com o petróleo”, reforçou o consultor. “Uma coisa é você fazer catálise com a receita dos outros e pagando caro por isso. Outra coisa é você ter dentro de sua empresa um conhecimento próprio.” Para Zuñeda, as regiões do País contempladas com esse tipo de empreendimento passam a formar técnicos especializados e mão-de-obra de alto nível. Ele prevê até o reaquecimento do mercado de trabalho para profissionais da área química, nos diversos níveis de formação.

João Luiz Zuñeda considera ainda uma atitude ousada da Braskem investir pesado a despeito da atual conjuntura econômica nacional. De acordo com os estudos da Maxiquim, 2003 será um ano de estagnação da indústria petroquímica em relação a 2002, um dos piores já registrados pelo setor. “Não haverá crescimento”, alertou Zuñeda. Outro fator a jogar contra a indústria petroquímica nacional, ponderou, são as resinas importadas pela Dow Química a partir de sua unidade na Argentina, estimadas em torno de 200 mil toneladas em 2003. Para 2004, adverte Zuñeda, não há muito que comemorar porque os 3,5% de crescimento da economia projetados tomam como referência o quase zero por cento do ano que termina. A grande saída da petroquímica nacional, sugere o consultor, é montar uma carteira de exportação permanente para a terceira geração, capaz de colocar o produto brasileiro no mercado internacional com maior valor agregado.

“A exportação de resina virgem não é o melhor negócio. Há demanda no exterior para comprar produtos brasileiros nos 12 meses de ano, sem problemas, só falta vontade política para fazer esse mercado decolar de uma vez por todas”, criticou. No entendimento de Zuñeda, a exportação de manufaturados de terceira geração deve ser considerada como uma necessidade estratégica, permanente e ao longo do tempo. “O Brasil precisa se internacionalizar de uma vez por todas no setor petroquímico e não adianta, é trabalho formiguinha”, apregoa o analista de mercado.

As declarações do diretor da Maxiquim foram confirmadas dentro da indústria petroquímica. “Nós tivemos uma enorme dificuldade no primeiro semestre, uma queda brutal do mercado. Entre abril e junho os transformadores de poliestireno consumiram o que deveria ser processado em um único mês”, afirma Marcelo Bianchi, diretor-comercial da Innova, cuja produção de PS deverá fechar o ano em aproximadamente 70 mil t, contra uma projeção inicial de 100 mil toneladas. A queda de vendas de PS da empresa deve chegar a 15%.

Em alguns meses, acrescentou, a planta de Triunfo chegou a suspender a reação de PS. Os principais mercados do poliestireno no Brasil são o parque de descartáveis de Santa Catarina, a indústria de eletroeletrônicos de São Paulo e da Zona Franca de Manaus. A Innova exporta parte da sua produção para Canadá, Estados Unidos e África do Sul.

À queda das vendas do poliestireno a Innova respondeu com aumento da oferta de estireno, monômero empregado na obtenção da resina e consumido em outras indústrias da cadeia petroquímica, como os fabricantes de borracha, de isopor (EPS), resinas de poliéster e fibra de vidro. “Existe um mercado para o estireno, compensando a queda do poliestireno, mas o valor agregado não é o mesmo”, reconheceu Bianchi. A expectativa de Bianchi é ampliar as vendas em 13% durante 2004 para compensar o refluxo de 2003.

Tudo azul na Copesul – Na contramão da petroquímica regional, a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) obteve recuperação expressiva de sua atividade neste ano. O diretor de relações com os investidores da empresa, Bruno Albuquerque Piovesan, aponta um lucro líquido de R$ 148,7 milhões, acumulado entre janeiro e setembro de 2003, já considerando a parcela de realização da reserva de reavaliação dos ativos da Copesul, ocorrida em 1983 e 1989, e descontados R$ 18,8 milhões em impostos. “É um resultado bastante superior ao lucro líquido de R$ 10 milhões obtido de janeiro a setembro de 2002”, comemorou o executivo.

Mesmo assim, para Piovesan a Copesul ainda não alcançou o estágio de rentabilidade compatível com o segmento industrial no qual opera, pois segundo ele uma empresa petroquímica para produzir bons dividendos aos acionistas não pode lucrar menos do que US$ 120 milhões em 12 meses, algo em torno de R$ 360 milhões. “Esse resultado já indica uma tendência de recuperação do setor petroquímico. Se o Brasil crescer pelo menos 3% ao ano e distribuir melhor a renda, a Copesul deverá se tornar uma empresa petroquímica rentável em pouco tempo”, acredita Piovesan. Segundo o diretor, a Copesul comercializou no período 2,1 milhões de t de petroquímicos básicos, solventes e combustíveis, gerando um faturamento consolidado de R$ 4,2 bilhões e receita operacional líquida de R$ 3,3 bilhões.

O resultado operacional foi de R$ 397,8 milhões, 15% superior ao período compreendido entre janeiro a setembro de 2002, quando a empresa vendeu 1,8 milhão de toneladas de produtos, com faturamento consolidado de R$ 2,5 bilhões e receita operacional líquida de R$ 1,9 bilhão.

Do volume comercializado pela Copesul até setembro de 2003, 78,7% foram direcionados para as indústrias de segunda geração do Pólo Petroquímico do Sul, e 6,7% em outros estados brasileiros. Outros 14,7% foram exportados, especialmente para os Estados Unidos e Argentina. Em termos operacionais, a Copesul melhorou seu desempenho em 2003, obtendo uma média de 92,2% de ocupação da capacidade instalada de produção de eteno, seu principal produto. No mesmo período do ano passado, o nível operacional ficou na média de 85,8%.

Três fatores ajudaram a Copesul a construir o lucro do primeiro semestre: a queda dos juros e do dólar, mais a recuperação dos preços do eteno em 30% com relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a empresa vem investindo na diversificação de produtos com o aumento da participação gasolina tipo A. Atualmente são 20 mil m³ por mês, mas o plano é produzir pelo menos mais 5 mil litros de combustível a cada 30 dias, em 2004.

Mesmo assim, a Copesul enfrenta, assim como o restante da indústria petroquímica, o problema do preço da nafta. De acordo com Piovesan, a Opep decidiu estabilizar o barril do petróleo entre US$ 25,00 e US$ 30,00 com média de US$ 28,00 por barril. Mas a tendência é segurar por mais tempo o valor de pico antes de baixá-lo para o preço intermediário.

Quando o óleo chega ao mínimo de US$ 25,00, a Opep rapidamente corta a produção, elevando as cotações até chegar aos 30 dólares. No preço mínimo do óleo, a nafta é comprada a US$ 220 por t, enquanto que no pico chega a US$ 273. “O preço máximo é mantido por muito mais tempo no mercado”, protesta Piovesan.

Parceria entre resineiros e transformação agita Camaçari

Suprir as empresas de transformação de resinas a preço diferenciado é o foco do programa Export Plastic, a estratégia que a cadeia petroquímica está lançando para multiplicar por quatro, no prazo estimado de quatro a cinco anos, as exportações de embalagens e produtos manufaturados que contenham plástico na condição de matéria-prima principal.

Química e Derivados: Petroquímica: Sartori - programa ajuda pequena empresa a exportar.
Sartori – programa ajuda pequena empresa a exportar.

O preço diferenciado tomará por base as publicações especializadas reconhecidas internacionalmente, a exemplo da Platt´s, revela o diretor-superintendente da Politeno, Jaime Sartori, que tem assento na Comissão dos Termoplásticos da Abiquim (Coplast). Em média, o preço seria 20% mais baixo em relação aos praticados no mercado interno.

“Esperamos, em quatro a cinco anos, reverter o atual déficit da balança comercial, que em 2002 alcançou cerca de um bilhão de dólares, computando-se resinas e produtos transformados, para um superávit de 1 bilhão de dólares, acrescido de 50 mil novos postos de trabalho na indústria de transformação”, afirmou Sartori.

As regras do Export Plastic rezam que as empresas transformadoras atenderão os requisitos acordados com as duas gerações iniciais, a dos petroquímicos básicos, “representada pelas três centrais”, e a segunda geração, “constituída pelas fábricas de resinas”. A adesão do transformador deve ser formalizada através da assinatura do termo de compromisso.

Cabe ao transformador, revela Sartori, “transformar resina em produtos que atendam os requisitos solicitados pelos clientes do exterior e abrir os canais necessários para alcançar esses clientes”. O grupo coordenador do programa auxiliará os transformadores que tenham dificuldade em desenvolver esses mercados, promete.

O detalhado controle do fornecimento da resina, item considerado importante para evitar a tentação de desvios para o mercado interno, será administrado em conjunto pelas centrais e empresas de segunda geração. As centrais apresentarão mensalmente um relatório dos negócios à coordenação do Export Plastic e às associações de classe.

Para a elaboração do relatório, as empresas de segunda geração enviarão à central a nota fiscal de venda da resina com preço diferenciado e a documentação comprobatória das exportações feitas pelos transformadores. E o transformador apresentará, no prazo de 60 dias após o embarque, o número de DDE e conhecimentos relativos às exportações.

O Export Plastic já foi examinado e aprovado pelas áreas técnicas da Agência de Promoção à Exportação (Apex) do Ministério do Desenvolvimento. A Apex destinará a fundo perdido nos dois anos iniciais R$ 5,302 milhões (50%); a segunda geração, R$ 4,008 milhões (38%); e a Abiplast, que representa a terceira geração, R$ 1,258 milhão (12%). Ao todo são R$ 10,568 milhões. Com esse dinheiro serão custeadas campanhas de publicidade, presença em feiras no exterior, visitas de importadores para eventos no Brasil, treinamento de empresários do setor de transformação, etc. “Queremos criar um grupo de exportadores de pequeno e médio portes”, resume Sartori.

A execução do Export Plastic está sendo antecedida da reativação, ocorrida no decorrer deste ano, do programa Vendas Internas para Exportação (Vipe). “Através do Vipe, as petroquímicas de segunda geração, com apoio das três centrais, oferecem preços especiais aos transformadores de grande porte, que já apresentam condições de incrementar exportações, especialmente para países da América do Norte e Europa”.

A Europa e os Estados Unidos são o foco comercial, mas o Mercosul não está sendo desconsiderado. “Mesmo antes de lançado, o Export Plastic possibilitou, inclusive, participação de 20 transformadores nacionais na última edição da Argenplas, ocorrida em novembro de 2002, por meio de estandes individuais locados em uma área comum”, comentou Sartori.

A cadeia produtiva espera da Petrobrás uma preço diferenciado para a nafta que não ofenda às regras da OMC, nem provoquem acusações de dumping, subsídio, etc. “Sendo o preço final das resinas baseado em cotações internacionais, o preço das matérias-primas produzidas nas refinarias também o seria, descaracterizando o dumping ou qualquer outro favorecimento”, responde Sartori. Ele admitiu, na primeira semana de dezembro, que ainda não estava decidido qual seria a contribuição da estatal.

O Export Plastic é o resultado de uma tese nascida em Camaçari, a da lógica da cadeia. Preconiza a articulação dos quatro estágios de produção, da refinaria à indústria de transformação, como fator de aumento de eficácia e redução de custos, mediante o aproveitamento das sinergias, racionalizações diversas, incluindo a área tributária, etc.

Essa lógica admite também que o fator mais competitivo ao longo da cadeia de produção é a mão-de-obra, fator presente principalmente na indústria de transformação, capaz de compensar desvantagens como custo financeiro elevado, falta de autonomia tecnológica e de hidrocarbonetos nas melhores condições globais de logística e preço.

Química e Derivados: Petroquímica: Silveira - pequenos querem também apoio operacional.
Silveira – pequenos querem também apoio operacional.

Um conselho gestor, formado por quatro representantes das empresas de segunda geração, três dos transformadores e um conselheiro representando as três centrais conduzirá o Export Plastic. A direção-executiva será exercida por Wagner de La Rovera Pinto, ex-executivo da Zaraplast que até recentemente estava em Houston (EUA), representando uma empresa chilena.

Transformação apóia – “Altamente elogiável” é a qualificação que o ex-superintendente da Copene Ary Silveira, que hoje atua como consultor de empresas e empresário transformador de EVA, confere em princípio ao Export Plastic. “Obviamente, o apoio financeiro do governo federal através da Apex e dos produtores de resinas e da Abiquim é da maior importância”. Mas pondera: “Não obstante este e outros aspectos positivos, para que este programa articulado atinja volumes compatíveis com o potencial é necessário também apoio operacional às empresas transformadoras”.

Explica Silveira que o transformador típico, “este que movimenta cerca de 50 t/mês”, não dispõe de estrutura organizacional, ou mesmo de dados cadastrais, que o habilite a atuar adequadamente no comércio internacional.

Baseando-se nos “exemplos de sucesso” que observou na Itália, Espanha e em Portugal, Silveira aponta a necessidade de as empresas líderes do próprio segmento de transformação ou dos segmentos a montante, principalmente os produtores de resinas, estruturarem as operações de vendas externas, créditos e logística, para assegurar às empresas de menor porte a função que denomina de “fornecedores intermediários de bens finais.”

“A Braskem, que produz 1,5 milhão t/ano de resinas termoplásticas e dispõe de estrutura de mercado externo poderosa, além de alta credibilidade financeira, poderia estruturar estas vendas e utilizar os transformadores de menor porte como subfornecedores”, sugere, ressalvando que também a Suzano, ou mesmo um grande transformador, poderia exercer tal função. “Ocorrendo isto passaremos a ter empreendedores da maior expressão atuando como estruturadores, seguindo o conceito clássico de cluster.”

Acredita que deslanchado esse processo de exportação articulada será possível alcançar volumes exportados da ordem de 700 mil t/ano de produtos finais, correspondentes a cerca de 4 bilhões de dólares. Lembra que há capacidade ociosa, tanto nas fábricas transformadoras como nas de resina. “A capacidade pode ser facilmente aumentada através de processos de otimização”.

Entre os outros esperados efeitos do Export Plastic elogiados por Silveira estão o incentivo à absorção de mão-de-obra na indústria de transformação, a distribuição geográfica da produção (interiorização), o estímulo às pequenas e médias empresas, e a “desconcentração industrial, importante principalmente para a Bahia”.

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