Petroquímica

Petroquímica: Copesul amplia lucro e investe em novo forno

Quimica e Derivados
3 de setembro de 2004
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    O relatório anual 2003 da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), a central de matérias-primas petroquímicas de Triunfo, no Rio Grande do Sul, apontou receita líquida de R$ 5,434 bilhões, 44,5% acima da receita de 2002. O lucro líquido cresceu mais ainda: 178%, atingindo R$ 203 milhões. Também no ano passado, a empresa processou 2,9 milhões de toneladas de petroquímicos básicos, um milhão de eteno, consumindo 3,5 milhões de toneladas em matérias-primas provenientes da indústria petrolífera.

    Em 2004, a Copesul vai de vento em popa. Somente no primeiro semestre, os resultados chegaram aos R$ 234 milhões, superando em 15% todo o lucro do ano passado. O Ebitda societário (lucro antes dos impostos, juros, depreciações e amortizações) atingiu R$ 471,1 milhões, contra R$ 234,1 milhões do primeiro semestre de 2003. A margem Ebtida dobrou, evoluindo de 10,5% para 20,4% nos respectivos períodos. Isso significa que a cada R$ 100,00 reais integrados aos cofres da empresa, R$ 20,40 foram direto para o caixa. Com isso, e de olho na nova onda crescimento da cadeia petroquímica, a empresa projeta investimentos de mais de US$ 40 milhões ao longo do exercício atual.

    Segundo o Diretor de Relações com Investidores da Copesul, Bruno Albuquerque Piovesan, “a recuperação das margens de comercialização da cadeia petroquímica, reflete a continuidade do processo de recuperação dos preços médios dos produtos no mercado mundial, determinando o resultado alcançado”. A elevação da relação “Ebitda por tonelada vendida que passou de R$ 177,00 por tonelada no primeiro semestre de 2003 para R$ 338,00 por tonelada no segundo semestre de 2004, caracteriza a melhora obtida na lucratividade das vendas”, acrescenta. Um aspecto importante foi a queda acentuada da dívida líquida, de R$ 582,6 milhões ao final de junho de 2003, para R$ 308,1 milhões em junho deste ano.

    Outro fator relevante é a forma de contrato da Copesul com as indústrias de segunda geração, denominado margem compartilhada. Se a nafta custa R$ 300,00 por tonelada e a segunda geração está vendendo a resina a R$ 1mil, os R$ 700,00 agregados desde a produção dos monômeros até o repasse aos distribuidores e transformadores de grande porte tem necessariamente de cobrir todos os custos e remunerar o capital dos fabricantes de resinas e os da central de matérias-primas. Dessa forma, quando o volume de vendas dos fabricantes de resina cresce e os preços também, o faturamento da Copesul acompanha essa evolução na mesma proporção.

    O principal investimento de 2004 na Copesul surtirá efeito em 2005. Trata-se do novo forno de pirólise, comprado há dois meses com valor inicial de US$ 17 milhões, podendo chegar a US$ 20 milhões a ser instalado, em outubro do próximo ano, por conta da primeira parada geral da planta 2, cuja partida ocorreu em 1999.

    Química e Derivados: Petroquímica: Soares - dos 18 fornos existentes, um sempre está em manutenção. ©QD Foto - Divulgação - Copesul.jpg

    Soares – dos 18 fornos existentes, um sempre está em manutenção.

    De acordo com o coordenador de controladoria, José Arnaldo Ribeiro Soares, hoje a capacidade nominal das duas linhas de produção da Copesul é de 1,35 milhão (685 mil toneladas na planta 1 e 450 mil na 2). Como pelo menos um dos 18 fornos de pirólise existentes nas duas áreas está sempre em manutenção, a empresa nunca conseguiu operar a plena carga.

    A partir do investimento, a Copesul pretende finalmente cumprir os contratos de vendas. Outra novidade é que o novo forno de pirólise será híbrido, embora o projeto tenha definido sua montagem na planta 2, poderá queimar a nafta processada na planta 1. O novo equipamento funcionará como stand by e estará pronto a entrar em operação quando algum problema retirar um dos queimadores da produção. O novo forno de pirólise terá capacidade para ofertar pelo menos 55 mil toneladas/ano de eteno e 27,5 mil de propeno.

    Além disso, neste ano, estão ocorrendo as substituições das tubulações internas dos fornos de pirólise a um custo de US$ 5 milhões. Os investimentos incluem também melhorias nos laboratórios, atualização da área de informática, reforma e substituição de guindastes, novas iniciativas em controle ambiental. Uma área também privilegiada pelos investimentos da Copesul é a unidade de gasolina. A empresa está mobilizando US$ 6,7 milhões para oferecer mais 13 mil metros cúbicos por mês do combustível, passando a produzir 25 mil metros cúbicos a cada 30 dias. Na parada de 2005, serão investidos mais US$ 3 milhões em aumento da capacidade de produção de líquidos.

    No primeiro trimestre de 2004, a produção da Copesul chegou a bater os 97% da capacidade instalada, o equivalente 94.600 toneladas por mês, correspondendo a 1,135 milhão por ano. Depois se acomodou em 95%. No ano passado, o máximo que produziu foi 89,1%. Como explicou José Arnaldo Soares, a petroquímica se desenvolve por ciclos e os altos investimentos da Copesul estão associados com a nova onda de crescimento, prevista para durar até o final de 2006. “O ciclo de alta petroquímico demanda investimentos intensivos que são de grande monta”, ensina. Ele prevê novas cifras de vulto por volta de 2010, após um ciclo de acomodação previsto para atravessar 2007, 2008 e 2009. Soares previu também: com a partida da planta da Rio Polímeros, em 2005, poderá ocorrer um excedente de polietileno no mercado brasileiro. Nesse caso, uma das alternativas da indústria de segunda geração será aumentar a oferta da resina para exportação.



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