Petroquímica

Petroquímica – Consultores apontam tendências durante encontro da Apla

Marcelo Fairbanks
18 de dezembro de 2010
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    Química e Derivados, Jorge Bühler-Vidal, Polyolefins Consulting, investimentos na América do Sul

    Bühler-Vidal: falta gás para petroquímica argentina crescer

    O segundo país com maior volume de projetos a médio prazo é o Peru: amônia e derivados em Pisco e Marcona, e um cracker de gás com polietilenos, este com a participação da Braskem. Ao todo, os investimentos montam a mais de US$ 5 bilhões. “O presidente Alan Garcia quer fazer a petroquímica peruana avançar, logo ele que no passado afugentou investidores”, ironizou Bühler-Vidal.

    A Bolívia, assim como o Peru, tem boas reservas de gás, embora estejam sendo reavaliadas atualmente, com a possibilidade de redução. O governo Morales mantém projetos de amônia e também deseja contar com a parceria da Braskem em um cracker e produção de polietilenos. “Ainda há muitas indefinições sobre esse projeto, o governo Evo Morales quer rever leis para promovê-los”, afirmou.

    A Argentina apresenta apenas um projeto de investimento factível, segundo o consultor. Trata-se de uma planta para 1,5 mil t/dia de amônia e ureia, em Rio Grande, na Terra do Fogo. O projeto de US$ 650 milhões foi licenciado pela KBR (Halliburton).

    “O principal problema argentino é o gás natural e sua precificação”, explicou Bühler-Vidal. Há muitos anos, o governo argentino fixou o preço do gás natural para venda aos consumidores em um patamar muito baixo, incapaz de remunerar os investimentos de exploração. Como é barato, o uso do gás foi amplamente difundido para aquecimento residencial e de alimentos, tornando-se escasso. Para que a população não sofra demais, principalmente durante o inverno, a indústria petroquímica tem seu suprimento cortado no pico da demanda, operando abaixo de sua capacidade anual.

    “A situação na Argentina é tão ruim, que nem se pesquisam mais jazidas de gás, e as reservas estão baixas, exigindo importações da Bolívia e até do Chile, além de regaseificar GNL de fora”, explicou. O Chile importa gás natural liquefeito (GNL) e o exporta para suprir o vizinho. Até o Uruguai anunciou um grande terminal para regaseificação de GNL para venda para a Argentina, que já foi exportadora de petróleo há algumas décadas.

    Bühler-Vidal reconhece que esse problema começou antes dos governos do casal Kirchner. “Mas eles estão no poder há quase oito anos e nada fizeram para mudar”, criticou. “Hoje em dia, o clima para investimentos está muito ruim na Argentina, no Equador e na Venezuela”, comparou. “É melhor investir em Cuba!”

    Ele elogiou a continuidade dos investimentos da Petrobras, inalterados mesmo com a alternância de governantes. “O foco da companhia está na produção e isso não muda, tanto que o pré-sal é o resultado de décadas de estudos. Além disso, quando o presidente Lula viaja para outros países não carrega com ele um séquito de ministros, mas leva empresários, fato que mostra a disposição de apoiar os negócios”, afirmou.

    Na parte setentrional da América do Sul, o maior potencial de desenvolvimento petroquímico está na Venezuela e suas grandes reservas de gás e petróleo. A consultora Rina Quijada, CEO da Intellichem, de Houston (Texas, EUA) lamenta que os megaprojetos de produção de poliolefinas desse país tenham sido postergados. “Pelo menos, foi inaugurada neste ano a planta para 800 mil t/ano de metanol e estão em andamento as unidades de fertilizantes”, comentou.

    A consultora espera o final da expansão da refinaria de Cartagena, da estatal Ecopetrol, da Colômbia, para ver se a petroquímica local tomará impulso. “Aumentará a disponibilidade local de nafta, mais cara que o etano, mas o governo pretende apoiar projetos que serão definidos em 2011”, avaliou.

    No México, ela vê bom ambiente para o desenvolvimento de projetos. É o caso da Braskem-Idesa, com o Etileno XXI. “Em Minatitlan, a refinaria terá uma expansão até 2011, aumentando a disponibilidade de propeno para a Pemex”, informou.

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