Petroquímica: Camaçari abre o caminho para a reestruturação

A refinaria de Capuava, que processa 3 mil t/dia de petróleo, será a fornecedora complementar de propeno para a Polibrasil. “A refinaria foi alterada com tecnologia do Cenpes para craquear direto o resíduo da destilação atmosférica, aumentando a produção de frações leves”, informou Coelho. Mesmo assim, para chegar na quantidade contratada de 140 mil t/ano, a estatal deverá trazer um pouco do gás da refinaria de Cubatão-SP.

Química e Derivados: Petroquímica: Rubb - Copene reformulada suporta novos investimentos petroquímicos.
Rubb – Copene reformulada suporta novos investimentos petroquímicos.

Da parte da PqU, na qual o grupo Suzano também é acionista (por meio da Polibrasil), estão sendo estudadas ampliações modestas, a partir de gás residual de São José dos Campos. Espera-se aumentar de 100 mil a 150 mil t/ano a produção de eteno na central, exigindo a construção de gasoduto e separadores adequados. “Talvez não valha a pena”, comenta Coelho.

Próximo round – Embora ruidoso, o leilão dos ativos do grupo Econômico ainda não encerrou a pendência com o Banco Central. Falta definir o destino de outro ativo petroquímico relevante, a Ciquine, produtora de plastificantes, cuja venda ficou para outra oportunidade. “Com a venda da Copene e reestruturação do pólo da Bahia, finalmente o Brasil começou a resolver um problema e poderá reativar o setor”, comentou Reinaldo Rubbi, diretor-superintendente da Elekeiroz, que prevê a ampliação da capacidade da central baiana para além dos desgargalamento anunciados.

Na opinião de Rubbi, é necessário ter maior oferta de matérias-primas para permitir novos investimentos na região. “Da nossa parte, estamos esperando o leilão da Ciquine e buscamos novas oportunidades de negócios a partir da nova dinâmica empresarial de Camaçari”, afirmou.

A Elekeiroz sofre em duas linhas com a importação de produtos argentinos, cujo mercado encolheu com a crise econômica. “A Argentina tem problema estrutural de balança de pagamentos, como qualquer país da América Latina”, disse. Apesar disso, ele qualificou o desempenho dos negócios da companhia como bom, apesar do difícil cenário que se apresenta.

Consolidação baiana corrige vício original

Em Camaçari, depois da transferência do controle da Copene para os grupos Odebrecht e Mariani, já se fala na reorganização empresarial pela união de seis empresas em um único CNPJ, como afirma o ex-superintendente da central Ary Silveira. As empresas seriam a própria Copene e mais Trikem, OPP, Polialden, Nitrocarbono e Proppet.

Hoje a Copene já é dona integral da Proppet e controladora de Nitrocarbono e Polialden, esta com participação minoritária da Mitsubishi. A incorporação da Trikem e OPP, ambas controladas diretamente pela Odebrecht, também ocorreria naturalmente, com base em permutas e trocas de ações (swap).

A formação desta empresa tão abrangente e coesa será a base de algo cogitado há anos, em função de corrigir-se “uma distorção deliberadamente incluída na etapa inicial da formação da petroquímica brasileira”, depõe Silveira, testemunha e personagem desse processo histórico, gestor executivo da implantação e primeiro superintendente da Copene.

A distorção resultou na formação de um conjunto de empresas monoprodutoras distintas, em vez de uma organização empresarial coesa, abrangente, como requer um negócio tão complexo como a petroquímica. Decorreu do próprio modelo tripartite que conduziu a formação das empresas, um expediente arranjado para possibilitar que, além de nacional, o controle da nascente petroquímica fosse privado, “sem as limitações da coisa pública” que inevitavelmente a amarrariam.

Justamente para incluir no modelo é previsível a inclusão de uma sétima, a Politeno, principalmente porque já haveria consciência da controladora, a Suzano, de que, mais do que antes, sua opção preferencial está no ramo do papel e celulose. Menos previsível é como se posicionará a Oxiteno, a duplicada produtora de monoetilenoglicol do Grupo Ultra, que disputou não muito amistosamente a compra da Copene com a dupla Odebrecht/Mariani.

Previsível é também considerar que a reorganização de Camaçari inclua a estratégica implantação de uma fábrica de ácido tereftálico Purificado (PTA), único insumo que falta para assegurar na Bahia a formação de um complexo de PET, poliéster e afins, e que no Brasil só é produzido pela Rhodiaco (Rhodia-Amoco). O pólo de Camaçari já dispõe de monoetilenoglicol, da Oxiteno; de 230 mil t/ano de paraxileno, obtidos pela unidade de xilenos da Copene; além da Nitrocarbono, produtora do do dimetiltereftalato (DMT); da Proppet, fabricante de PET e da Engenpack, onde se produzem pré-formas de garrafas.

O exercício de futurologia deixa margem também para a previsão de que a depender do jogo que for armado no tabuleiro Camaçari -Triunfo uma segunda grande petroquímica nacional deve surgir baseada na aglutinação da Petroquímica União com os projetos ainda em fase de planejamento: Rio Polímeros, Paulínia e o do Mato Grosso, fronteira com a Bolívia. “Eu diria que a reorganização teria desdobramentos, não ficaria no eixo Camaçari-Triunfo”, atesta Ary Silveira.  (José Valverde)

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