Petroquímica: Camaçari abre o caminho para a reestruturação

O primeiro projeto a deslanchar deve ser o desgargalamento da Copene, de modo a ofertar mais 100 mil t/ano de eteno. “Com isso deverá haver uma sobra da olefina para permitir ampliação da Trikem (PVC) e iniciar o projeto de monômero de estireno, por parte da Dow e da Basf”, afirmou Alencar. Essas hipóteses são viáveis em horizonte de dois a três anos.

Em prazo pouco maior, é possível pensar em nova fase de desgargalamento da central, acrescendo outras 200 mil t/ano de eteno. Além disso, a sobra de propeno da Copene poderia suportar nova fábrica de PP, aproveitando a existência de um projeto elaborado pela antiga Polialden que, nos velhos tempos da reserva de mercado, já contava com a benção do extinto Conselho de Desenvolvimento Industrial (CDI). “A nova fábrica poderá ser até maior, se a unidade baiana da Polibrasil for comprada pela Copene”, comentou Alencar.

Será a hora de a OPP fazer a escolha entre integrar-se à central baiana ou aproveitar propeno de refinaria em Paulínia-SP, onde firmou protocolo de intenções com a Petrobrás, válido até 2005. Comenta-se no setor que a estatal gostaria de uma definição breve, para encontar uso mais rentável para essa corrente, hoje incorporada ao pool de GLP. “O projeto de Paulínia está no forno, aguardando as conclusões dos estudos de mercado”, explicou Alencar, salientando que a construção da fábrica é rápida, estimada em menos de dois anos.

Paulínia também seria a sede de novo pólo petroquímico, conforme outro protocolo de entendimento mantido com a estatal. “Esse projeto já foi deslocado de lá para a fronteira entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia”, comentou o diretor. Seria a melhor forma de aproveitar o gás natural boliviano, retirando as frações de uso petroquímico para fazer resinas plásticas, abastecendo o mercado agrícola regional.

A área de aromáticos também pode ser alvo de mudanças, recebendo investimentos para a fabricação do ácido tereftálico purificado (PTA), permitindo produzir poliéster têxtil e polietileno tereftalato (PET) por rota mais econômica que a atual, via DMT da Nitrocarbono.

Todos esses projetos da Braskem deverão ser alavancados por emissão de ADRs no mercado de capitais do exterior. “Temos dívidas contraídas para fazer fábricas novas, que nos tornaram mais competitivos”, afirmou. “O processo de fusão melhora a alavancagem financeira.”

Sudeste cresce – Consultores do setor apostam na consolidação de empreendimento petroquímico concorrente na região Sudeste do Brasil, a começar pela integração entre Petroquímica União e a projetada Rio Polímeros. A sinergia seria interessante pela localização dos empreendimentos e pela complementariedade das tecnologias, uma com base em nafta e outra alimentada a gás natural. No entanto, a central paulista também apresenta nós a desatar em sua composição acionária, que consumiriam recursos dos controladores, atitude pouco atraente no momento. Uma possibilidade de integração passaria pela maior participação da Petrobrás, uma negociação difícil.

A Rio Polímeros deve fechar a engenharia financeira nas próximas semanas, com a possibilidade de iniciar obras a partir de novembro. “Trata-se de contrato internacional de financiamento complexo, que exigiu muitas revisões para estabelecer qual o melhor modelo societário e as garantias necessárias”, afirmou Armando Guedes Coelho. O que nasceu como conjunto de duas empresas independentes, tornou-se uma só entidade, da separação do etano do gás natural até a fabricação de polietilenos, empreendimento conjunto da Petrobrás, Suzano e Unipar. Um dos entraves para o projeto foi o questionamento feito junto ao Cade, pela Copesul, já devidamente superado, segundo Coelho.

Melhor sorte teve o projeto da nova fábrica de PP da Polibrasil, em Mauá-SP. Em setembro foram concluídas as negociações com os agentes financeiros internacionais, permitindo prever para daqui a 26 meses o início de operações da unidade para 300 mil t/ano de PP, feitos com tecnologia Basell. O acordo acertado com a Petrobrás há dois anos estabelece que a Polibrasil vai construir separador de propeno de fluxos de refinaria da estatal, que ficará dispensada de investir. “O spliter será da Petrobrás, que pagará por ele pelo fornecimento de propeno”, explicou Coelho. “Enquanto não remunera o investimento, a instalação fica arrendada à estatal, depois passa para o seu patrimônio.” Segundo o executivo da Suzano, a venda como propeno é duas vezes mais rentável para a Petrobrás que sua comercialização como GLP. Aliás, a remuneração pela olefina será feita por meio de participação no valor de venda do PP.

Para chegar a 300 mil t/ano, a Polibrasil deverá desativar a fábrica velha, para pouco mais de 100 mil t/ano, do pólo paulista. Desse modo, a unidade nova vai usar duas fontes diferentes de propeno. Como o projeto reduz a quantidade de um dos componentes do GLP, Coelho apressa-se em afastar qualquer risco de desabastecimento do popular gás de cozinha. “O GLP tem problemas de logística, não de oferta mundial”, disse. A Petrobrás, inclusive, é sócia do projeto Mega, criado para aproveitar o gás natural da província de Neuquén em associação com a YPF e a Dow.

Pelo acordo, a YPF (Repsol) ficará com a fração C4, vendendo-a para alimentar os sistemas de aquecimento de prédios e casas argentinas, sujeitos a invernos rigorosos. A Dow fica com o etano separado do gás, enquanto à Petrobrás cabem cerca de 600 mil t/ano de propano/butano, para uso industrial (após separação) e como GLP, que se tornará abundante no País. “Quanto mais usos, melhor”, disse.

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