Petroquímica – Braskem lucra mais no segundo trimestre

Fadigas explicou que o projeto de produzir polietilenos no México visa a abastecer o mercado interno daquele país, portanto não deve ser afetado pela entrada de polietilenos de baixo custo vindos do EUA, onde começam a ser feitos com etano recuperado do shale gas. Além disso, “o preço do etano no projeto mexicano tem como referência o preço nos EUA, ficando sempre abaixo deste”, como explicou Fadigas. “Talvez até possamos exportar alguns grades para eles.” Ou mesmo começar a produzir polietilenos nos EUA, ou aproveitar o eteno barato para produzir propeno, em meras conjecturas.

Um fator que contribuiu para os bons números da Braskem foi o aproveitamento de sinergias geradas pela integração dos negócios da Quattor. A estimativa da companhia é obter R$ 377 milhões em sinergias apenas em 2011, das quais R$ 163 milhões já foram capturadas no primeiro semestre.

Crescimento internacional – Na área internacional, a Braskem deu um enorme passo no final de julho, ao anunciar a compra dos negócios de polipropileno da Dow Chemical por US$ 323 milhões. Esse valor deve ser pago até novembro, após o período de análise apurada do negócio (due dilligence). Depois disso, a Braskem passará a operar quatro plantas de PP – duas nos EUA (Freeport e Seadrift, ambas no Texas) e duas na Alemanha (Wesseling e Shckopau) –, com capacidade total de 1.050 mil t/ano de resina.

O negócio merece uma comemoração. Para construir capacidade semelhante seria preciso investir mais de US$ 1 bilhão. “As plantas adquiridas possuem tecnologia de alta qualidade, com escala mundial e podem ser consideradas como estado da arte”, explicou Fadigas. A Braskem já possui 950 mil t/ano de capacidade de produção de PP nos EUA, adquiridas da Sunoco em 2010. Isso coloca a Braskem America como a maior compradora independente de propeno daquele país.

Aliás, o abastecimento de propeno promete dores de cabeça nos compradores mundiais. Enquanto o eteno vive dias de abundância, refletindo o boom do shale gas, a corrente C3 empacou porque há anos (ou décadas) não se constroem mais crackers de cargas líquidas nem refinarias de petróleo no mundo, as duas fontes mais relevantes da olefina.

Até no Brasil, a Braskem enfrentou problemas com o fornecimento de propeno pela Petrobras. “Temos seis fábricas de PP no Brasil, algumas são integradas aos nossos crackers, outras não”, explicou. As duas não integradas, Duque de Caxias-RJ e Paulínia-SP, foram paralisadas por um curto período em junho, enquanto a companhia negociava melhor o suprimento de propeno com a estatal que, aliás, é sua sócia. “Chegamos a um ponto de equilíbrio adequado, uma situação de ganha-ganha, e voltamos a produzir nessas unidades”, explicou. Segundo ele, o contrato ainda segue parâmetros internacionais, com algumas diferenças em relação ao passado, mais atrelado à Europa e aos EUA. Além disso, eram contratos diferentes, feitos por empresas diferentes, antes da aquisição da Quattor pela Braskem, no caso da unidade fluminense.

No caso das plantas norte-americanas a situação é bem diversa. “Trata-se de um mercado aberto, com muitos fornecedores de propeno que competem entre si, e há vários dutos para conduzir o suprimento para as plantas”, explicou Fadigas. Lá, os preços acompanham as variações da relação oferta/demanda, mas 70% da olefina segue regime de contrato. As plantas compradas da Dow têm suprimento garantido pelos próximos 18 meses. “Somos o maior comprador e temos ampla experiência com esse tipo de negociação, a tendência é obtermos vantagens adicionais”, comentou, aventando a possibilidade de desenvolver novos fornecedores, mediante a instalação de separadores de propeno em refinarias.

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