Petrobras mantém investimentos, mas reavalia alguns projetos

Química e Derivados, Engenharia, Projetos PetrobrasA Petrobras planeja investir US$ 236,5 bilhões (R$ 416,5 bi­lhões) até 2016, perfazendo a média anual de US$ 47,3 bi­lhões. Desse total, US$ 208,7 bilhões estão destinados a 833 projetos em implantação e US$ 27,8 bilhões reservados para os 147 projetos que se encontram em fase de avaliação.

Entre os projetos que sofreram alteração na execução estão algumas plataformas, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e a Refinaria Abreu e Lima (Pernambuco).

Do total de investimentos, R$ 141,8 bilhões foram alocados para projetos de exploração e produção de petróleo e gás natural, que envolvem pesquisa exploratória, construção de sondas de perfuração, plataformas de produção, dutos submarinos, instalações de trata­mento de óleo e gás, além de projetos de menor porte.

Segundo a companhia, os projetos destinados aos segmentos de refino, transporte e comercialização de petróleo e derivados vão requerer investimentos de US$ 65,5 bilhões, de 2012 a 2016,  dos quais US$ 31,2 bilhões para proje­tos de ampliação do parque de refino, incluindo a implantação de quatro novas refinarias de grande porte em prazos ainda indefinidos.

O segmento de gás e energia irá absorver, em seus projetos, US$ 13,8 bilhões, principalmente em geração elétrica, gasodutos, regaseificação e produção de fertilizantes, tendo o gás como matéria-prima. No segmento pe­troquímico, os projetos envolvem apli­cações de US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos. Em empreendimentos para biocombustíveis, serão investidos US$ 3,8 bilhões; e em distribuição de com­bustíveis, US$ 3,6 bilhões, no mesmo período.

Química e Derivados, Quadro de investimentos por atividade em 2012, Engenharia
Quadro de investimentos por atividade em 2012. Clique para ampliar.

O Plano Anual de Negócios para 2012 prevê aplicações totais de R$ 87,5 bilhões, dos quais 95% no Brasil. Entre os projetos em execução no país nos próximos anos, destacam-se: a cons­trução simultânea de 20 plataformas de produção, 33 sondas de perfuração, 49 navios-tanque, centenas de barcos de apoio offshore, quatro refinarias de grande porte, uma fábrica de ferti­lizantes, centenas de quilômetros de dutos terrestres e marítimos, plantas de processamento de gás e uma infinidade de obras de menor porte.

Do total de investimentos previstos para 2012, R$ 83 bilhões serão investi­dos no país e R$ 4,2 bilhões em ativida­des no exterior, onde a empresa atua nas áreas de exploração e produção, refino, geração de energia elétrica e comercia­lização. O plano prevê a colocação de encomendas no mercado fornecedor de serviços, materiais e equipamentos com uma taxa de conteúdo local de cerca de 67%, o que significa um nível de contratação no país em torno de R$ 50 bilhões anuais.

Obras da atividade de exploração e produção


Plataformas em construção em 2012 (próprias e afretadas)

  • FPSO Cidade de Anchieta: Projeto Baleia Azul. Destina-se ao desenvolvimento do pré-sal dos campos de Baleia Azul, Jubarte e Pirambu, na parte capixaba da Bacia de Campos. Capacidade para 100 mil barris/ dia. Primeiro óleo previsto para agosto de 2012. Estaleiro Keppel, Cingapura. Não é unidade própria da Petrobras, e sim afretada.
  • FPSO Cidade de Itajaí: Desenvolvimento dos campos de Baúna e Piracaba, no pós-sal da Bacia de Santos. Primeiro óleo previsto para outubro de 2012. Capacidade: 80 mil barris/dia. Estaleiro Jurong, Cingapura. Plataforma afretada.
  • P-55: Desenvolvimento do Módulo III do campo de Roncador, no pós-sal da Bacia de Campos. Primeiro óleo: setembro de 2013. Capacidade: 180 mil barris/dia. Estaleiro Rio Grande. Unidade própria da Petrobras.
  • FPSO Cidade de São Paulo: Destina-se ao projeto piloto do campo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos. Primeiro óleo previsto para janeiro de 2013. Capacidade: 120 mil barris/dia. Estaleiro Brasfels, Angra dos Reis. Plataforma afretada.
  • FPSO Cidade de Parati: Destina-se ao desenvolvimento da área nordeste do campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. Primeiro óleo previsto para maio de 2013. Capacidade: 120 mil barris/dia. Estaleiro Keppel, Cingapura. Plataforma afretada.
  • P-63: FPSO destinado ao desenvolvimento do campo de Papa-Terra, no pós-sal da Bacia de Campos. Primeiro óleo previsto para julho de 2013. Capacidade: 140 mil barris/dia. Conversão do casco no Estaleiro Cosco, na China. Construção, montagem e interligação dos módulos ao casco no Estaleiro Rio Grande. Será da Petrobras.
  • P-61: Primeira plataforma do tipo TLWP (tension legs) da Petrobras. Destina-se, também, ao desenvolvimento de Papa-Terra. Primeiro óleo previsto para outubro de 2013. Capacidade: 140 mil barris/dia. Topside no Estaleiro Keppel, Cingapura. Casco em construção no Estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis-RJ. Própria da Petrobras.
  • P-58: FPSO destinado ao desenvolvimento dos campos de Baleia Franca (pré e pós-sal), Cachalote (pós-sal), Jubarte (pós-sal), Baleia Azul (pré-sal) e Baleia Anã (pós–sal), todos na Bacia de Campos. Primeiro óleo previsto para janeiro de 2014. Capacidade: 180 mil barris/dia. Estaleiro Rio Grande-RS. Própria da Petrobras.
  • P-62: FPSO destinado à produção do módulo quatro do campo de Roncador, na Bacia de Campos. Primeiro óleo para março de 2014. Capacidade: 180 mil barris/ dia. Construção: estaleiro Atlântico Sul, Pernambuco. Própria da Petrobras.
  • FPSO Cidade de Ilhabela: Para o campo de Sapinhoá Norte, no pré-sal da Bacia de Santos. Primeiro óleo para setembro de 2014. Capacidade: 150 mil barris/dia. Construção do casco no Estaleiro CSCC na China. Unidade afretada.
  • FPSO Cidade de Mangaratiba: Campos de Lula e área de Iracema, no pré-sal da Bacia de Santos. Primeiro óleo em novembro de 2014. Estaleiro Cosco, na China. Capacidade: 150 mil barris/dia. Unidade afretada.
  • Oito FPSOs para o pré-sal: Terão o mesmo projeto e serão construídos pela Ecovix, em Rio Grande-RS. Por isso estão sendo cha­mados de “replicantes”. Terão capacidade para 150 mil barris cada um. E deverão ser entregues a partir de 2015. Terão os nomes de P-66 a P-73. Unidades próprias.
  • P-74, P-75, P-76, e P-77: Quatro plata­formas destinadas a produzir petróleo e gás das áreas da Cessão Onerosa, obtidas pela Petrobras com o processo de capitalização realizado em 2010. As plataformas serão construídas com a conversão de quatro navios-petroleiros do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier) pelo Estaleiro Inhaúma, arren­dado pela Petrobras, no Rio de Janeiro-RJ. Localizado no bairro do Caju, ele está sendo totalmente revitalizado para atender a esta e a outras demandas da companhia. Durante a conversão, destacam-se obras como o reforço estrutural do casco, a ampliação, reforma e adaptação das acomodações, a substituição de instalações, equipamentos e utilidades, a adaptação do sistema de ancoragem, entre outras. O primeiro navio foi comprado na Indonésia, já está no Porto do Rio de Janeiro e será a plataforma P-74. Os demais virão da Malásia e receberão os nomes de P-75, P-76 e P-77, com previsão de chegada ao país entre 2012 e 2013. Serão unidades próprias da Petrobras.
  • Sondas de perfuração marítima: Para atendimento às demandas de médio e longo prazo serão construídas no Brasil 33 novas sondas para águas profundas, com conteú­do nacional variando entre 55% e 65%. Serão as primeiras deste porte produzidas no país, todas para entrega a partir de 2016 até 2020. As sondas serão de propriedade das empre­sas prestadoras de serviço de perfuração e afretadas pela Petrobras. Das 33 sondas, 28 serão da empresa Sete Brasil S.A. e cinco da Ocean Rig. Todas terão capacidade para perfurar poços em águas com profundidades superiores a dois mil metros.

Obras na área de refino

  • Refinaria Abreu e Lima: Está em constru­ção no Polo Industrial de Suape-PE. Segundo o cronograma de obras da Petrobras, a refinaria deveria iniciar operação em 2014, mas isso ainda é incerto. Dos 230 mil barris diários a serem processados, sairão 70% de diesel padrão europeu, e o restante de gás liquefeito de petróleo (GLP), nafta petroquí­mica, óleo combustível e coque. A Petrobras vai atender ao aumento da demanda de diesel, o combustível de maior valor na cadeia do petróleo e que ainda é, em parte, importado.
  • Refinarias Premium: Outros dois empre­endimentos fazem parte do programa de expansão do refino no Nordeste para aumentar a capacidade de produção de derivados do país. São duas refinarias do tipo premium, no Maranhão e no Ceará, projetadas para a produ­ção de derivados de elevada qualidade e baixo teor de enxofre, utilizando petróleo pesado da Bacia de Campos e petróleo leve do pré-sal.
  • Refinaria Premium I: Essencial para que a Petrobras possa atender à crescente demanda por combustíveis no país, a Refinaria Premium I será construída no município de Bacabeira. Terá duas unidades (trens) independentes de refino. Cada uma processará 300 mil barris de petróleo por dia, destinando ao mercado produtos premium com especificações internacionais. O principal produto da Premium I será o óleo diesel 10 ppm, com 55,8% da produção. Também serão produzidos QAV (20,8%), nafta petroquímica (14,1%), GLP (4%), coque (3,8%) e óleo bunker (1,5%). A fase atual é de adequação do projeto aos parâmetros internacionais de preço, prazo e uso de tecnologia padronizada. A previsão de conclusão da obra é para meados de 2018, mas esse cronograma está em fase de revisão, devendo ser postergado.
  • Premium II: Será construída no Ceará e terá capacidade para processar 300 mil barris de petróleo por dia, abastecendo o mercado com óleo diesel 10 ppm (63,5% da produção), nafta petroquímica (15,3%), que­rosene de aviação (12,6%), coque (2,8%) e óleo bunker (1,6%). Os produtos terão qualidade premium e atenderão às especificações internacionais. A operação da Premium II, a depender da solução tecnológica adotada, estava prevista para meados de 2018, mas a companhia anunciou que esse prazo será ampliado.
  • Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj): Está sendo construído no muni­cípio de Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro, e será a primeira unidade petroquímica básica do mundo a utilizar petróleo pesado como matéria-prima. O Comperj é um dos principais empreendimentos da história da Petrobras e marca a retomada da empresa aos investimentos no setor petroquímico. Representa, também, a melhor opção para o crescimento da indústria petroquímica brasileira. A capacidade operacional será de 330 mil barris em duas fases. A primeira fase está prevista para entrar em operação em 2014 e a segunda, em 2018, mas esse cronograma poderá mudar.

Confira também:

Engenharia – Empresas ainda acreditam em obras públicas e privadas

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.