Química

Petróleo & Energia – OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

Bia Teixeira
15 de junho de 2010
    -(reset)+

    O FPSO BW Pioneer, convertido de um casco já existente, terá capacidade de processar cerca de 80 mil barris de petróleo e 500 mil metros cúbicos de gás por dia e pode estocar aproximadamente 500 mil barris de petróleo. E ficará em águas com profundidades de 2.500 metros. “Será o FPSO do Sistema Petrobras mais profundo já instalado”, destaca o executivo. Segundo ele, o empreendimento representa uma nova fronteira e inúmeros desafios, pois o reservatório, os processos de perfuração e a completação dos poços também são de uma sofisticação e complexidade bastante altas. “A profundidade dos poços é um pouco maior que os poços do pré-sal”, observa Azevedo. Ele destaca que o transporte de petróleo por navios aliviadores (e não dutos marítimos) e o uso de bombas submersas fazem parte das inovações, que incluem ainda risers (linhas submarinas de escoamento) híbridos e rígidos. “É similar ao que usamos no Brasil, na P-52.”

    Química e Derivados, Paolo Fiorletta e Tedesco, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

    Fiorletta(esq) e Tedesco: atraindo novas representadas

    Mas é o fato de ser uma unidade FPSO, que poderá ser desconectada dos poços a qualquer momento, em caso de furacões e outros tipos de intempéries, o grande trunfo alardeado pela Petrobras, que assegura ser possível fazer isso sem riscos de acidentes similares ao da Deepwater Horizon. “Todas as novidades são field prooved – testadas em campo”, assegurou Azevedo. Esse novo paradigma poderá nortear futuras escolhas, inclusive da própria BR, que é parceira da Petrobras e da ConocoPhillips no Golfo do México, no campo de Tiger, considerada a maior descoberta do ano passado na região.

    Mercado do pré-sal – O processo de capitalização da Petrobras também foi tema das entrevistas feitas por jornalistas econômicos brasileiros e estrangeiros. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, reiterou que a companhia fará a capitalização até o final de julho, após cumprir uma série de trâmites – entre os quais uma assembleia de acionistas para apresentar os valores da capitalização e dos barris na cessão onerosa da União, assim como seu plano de negócios para 2010-2014. “O plano sai antes da capitalização”, afirmou Gabrielli.

    A indefinição no marco regulatório ainda deixa as petroleiras com um pé atrás, mas todas buscam estreitar as relações com a Petrobras que, pela proposta em trâmite no Congresso Nacional, vai ser a operadora dos blocos do pré-sal, atuando com outras parceiras. O que realmente conta neste momento são os planos da Petrobras, no médio e longo prazo, para o pré-sal.

    Química e Derivados, Marcos Cueva, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

    Marcos Cueva: engenharia nacional ganhou respeito em âmbito global

    No curto prazo, já está certa a entrada em operação do piloto de Tupi, até o final do ano – se não houver atrasos, como vem ocorrendo com Mexilhão, também na Bacia de Santos. Gabrielli passou ao gerente-executivo do Pré-sal, José Miranda Formigli, a tarefa de detalhar os próximos passos. Entre os quais os outros dois testes de longa duração (TLD) na área do pré-sal da Bacia de Santos – Guará e Tupi Nordeste –, previstos para este ano. “A vazão do óleo em Tupi Nordeste nos fez priorizar esse TLD”, declarou Formigli, explicando porque Iara ficou para o próximo ano.

    “Vamos buscar no mercado, em todo o mundo, soluções para superarmos os inúmeros desafios que temos pela frente no pré-sal. Acreditamos que a questão do conteúdo nacional não será empecilho para as companhias estrangeiras, que poderão se associar às empresas similares que atuam no Brasil”, observaram os executivos da Petrobras.

    Ainda que não tenha conseguido apresentar a revisão de seu plano de negócios para o período de 2010-2014 – “já falamos que deverá chegar a US$ 220 bilhões”, frisou Gabrielli –, a estatal reiterou que tem mais de 600 projetos em andamento. Foi mais longe ao prever, para após 2014, investimentos de mais de R$ 460 bilhões, dos quais nada menos que R$ 400 bilhões para atividades de exploração e produção. Nesses montantes estão incluídos os US$ 111,4 bilhões que a Petrobras prevê investir no desenvolvimento da produção no pré-sal até 2020 – valores que podem ter mudado nas revisões ainda em andamento.

    O que a estatal não muda é a sua intenção de chegar em 2020 com uma produção nacional total de quase 5,2 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia e atingir, no exterior, mais de 630 mil boe/dia. Mas, para chegar a esse horizonte, ela precisa acelerar as obras de inúmeros projetos em andamento e fazer novas licitações internacionais de diversos tipos de equipamentos, bens e serviços.

    Assédio comercial – Essa demanda crescente está ‘aquecendo’ os ânimos da cadeia internacional de fornecedores, que depois do ‘rigoroso inverno’ da crise financeira internacional, que ainda paira sobre os países mais ricos, anseia em ter uma fatia maior nesse bolo. A “fome” de encomendas estimula a “corte” às empresas brasileiras e estrangeiras que atuam no país com instalações fabris próprias.

    As companhias internacionais não falam sobre isso. Mas os empresários brasileiros, que sempre “suam a camisa” para serem recebidos por potenciais parceiros estrangeiros, revelam certa surpresa com esse assédio. A percepção de vários empresários do Pavilhão Brasil, que teve um grande fluxo de pessoas, é a de que o investimento valeu a pena.

    “Foi acima da expectativa o volume de pedidos de representações de empresas que estão na OTC, com foco no mercado brasileiro. Só isso já validou os investimentos feitos pela Metroval, para participar da OTC pela quinta vez, com o intuito de mostrar para o mercado internacional sua qualificação”, afirmou Paolo Fiorletta, diretor de Óleo e Gás da empresa.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *