Petróleo & Energia – OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

O acidente da plataforma Deepwater Horizon, da Transocean, a serviço da britânica BP, no Golfo do México, a cerca de 80 quilômetros da costa da Louisiana, que causou o vazamento contínuo de cinco mil barris de petróleo por dia, foi o grande tema nas rodas de conversas, painéis, debates e entrevistas da Offshore Technology Conference 2010 (OTC 2010), realizada em Houston, no estado do Texas (EUA), entre os dias 3 e 6 de maio.

Maior feira e congresso de tecnologia offshore da indústria mundial de petróleo, a OTC 2010 recebeu quase 73 mil pessoas, visitantes, especialistas, pesquisadores, empresários e profissionais do setor de óleo, gás e indústria naval, além de representantes de organizações de classe, câmaras de comércio e instituições financeiras.

Embora ainda não tenha superado o público de mais de 108 mil pessoas e 2.500 empresas, registrado em 1982, foi um número superior ao dos anos anteriores. Em 2008, por exemplo, a crise mundial e a gripe suína tiveram reflexos no número de participantes desse evento que é realizado desde 1969 por um grupo de doze organizações relacionadas às atividades da indústria de óleo e gás.

A importância da OTC na agenda da indústria mundial de petróleo é confirmada pela participação de 2.400 empresas, de 40 países, que exibiram seus produtos e serviços em estandes próprios ou em pavilhões – como o do Brasil –, espalhados em 568 mil m² do gigantesco Reliant Center. É cinco vezes a área ocupada pela Rio Oil & Gas, maior evento brasileiro do setor de petróleo, realizado a cada dois anos no Riocentro, no Rio de Janeiro, com uma área total similar (571 mil m²), se considerados os 200 mil m² de área verde e os estacionamentos.

Emoção dos negócios – “Nós estamos nos unindo nesse momento complicado para a indústria de exploração offshore. Apesar de ainda não sabermos a causa do acidente, é importante lembrar que esse setor leva padrões de segurança e meio ambiente a sério”, declarou Susan Cunningham, chairman da OTC 2010, que também anunciou a realização da OTC Brasil no próximo ano.

Química e Derivados, Estande da Petrobras, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Número de visitantes no estande da Petrobras refletiu interesse pelos investimentos no pré-sal

Mas, a despeito do enorme impacto ambiental e econômico que o acidente no Golfo do México representa – tanto para a BP e os demais envolvidos nesse empreendimento como também para diversos setores da economia da região que serão afetados pela maré de óleo –, a indústria petrolífera, que tem o risco em sua rotina, continua fiel à sua essência de não perder nenhuma oportunidade para ampliar seus negócios. Tanto as petroleiras, que têm como principal desafio descobrir e incorporar novas reservas de petróleo e gás para manter uma produção ascendente, como toda a cadeia produtiva, que busca mercados com demanda aquecida ‘fora do mundo em crise’ – econômica ou política – e nas regiões onde as atividades exploratórias estão arrefecendo, como o Mar do Norte.

Nesse cenário conturbado, nada no mundo ocidental parece tão atraente como o pré-sal brasileiro – principalmente graças às grandes descobertas de petróleo nos últimos quatro anos, que praticamente dobraram as reservas brasileiras – e o aquecimento das atividades exploratórias nos próximos anos para desenvolver essas riquezas.

O que abre possibilidades para diversas parcerias entre as petroleiras e negócios para a cadeia de fornecedores, de parafusos a navios. Mas, sem ter um cardápio mais incrementado de soluções inovadoras – a inovação ficou mais por conta dos debates nos seminários e sessões técnicas –, as companhias que montaram luxuosos estandes procuravam vender seus produtos e serviços enquanto seus “olheiros” avaliavam as oportunidades de parcerias em outros mercados.

Isso ficou claro no ‘assédio’ internacional às empresas brasileiras que integraram o Pavilhão Brasil, a apenas uma quadra do estande da Petrobras, ou mesmo as que montaram estande próprio – como foi o caso do Estaleiro Mauá – ou ficaram no espaço de parceiros comerciais.

Organizado há onze anos pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), o pavilhão brasileiro reuniu 37 organizações, incluindo os organizadores e a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), em respeitáveis 550 m².

No horizonte Petrobras – A Petrobras, que já se acostumou a ser cortejada por fornecedores e petroleiras estrangeiras que prospectam oportunidades de parcerias futuras, foi o foco das atenções por múltiplos motivos. Com os olhares voltados para o acidente no Golfo do México, a imprensa quis mais detalhes sobre o projeto dos campos de Cascade e Chinook, operados pela Petrobras, naquela região.

Química e Derivados, José Sérgio Gabrielli, Presidente da Petrobras, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Gabrielli fala, com diretores da estatal: segurança ampliada

Com 100% de participação no campo de Cascade e 66,7% no de Chinook, em parceria com a Total (33,33%), a petroleira brasileira pretende iniciar a produção no segundo semestre, quebrando um paradigma. Vai produzir petróleo por intermédio de um FPSO (Floating Production Storage and Offloading) – unidade de produção, armazenamento e estocagem de petróleo.

É a primeira vez que esse sistema de produção será utilizado no Golfo do México, em décadas de atividades. O feito pioneiro, como indica o nome da própria unidade – FPSO BW Pioneer (pioneiro) –, é uma vitória da Petrobras perante as autoridades norte-americanas, principalmente o Minerals Management Service (MMS), agência reguladora local, que desenvolveu em conjunto com a Petrobras novas regulamentações na utilização do FPSO. “Isso só foi possível por causa da experiência da Petrobras, que opera cerca de 50% de todas as unidades flutuantes do mundo. O segundo lugar fica com algo em torno de 15%”, destacou Orlando Azevedo, presidente da Petrobras America, subsidiária da estatal brasileira nos Estados Unidos.

O FPSO BW Pioneer, convertido de um casco já existente, terá capacidade de processar cerca de 80 mil barris de petróleo e 500 mil metros cúbicos de gás por dia e pode estocar aproximadamente 500 mil barris de petróleo. E ficará em águas com profundidades de 2.500 metros. “Será o FPSO do Sistema Petrobras mais profundo já instalado”, destaca o executivo. Segundo ele, o empreendimento representa uma nova fronteira e inúmeros desafios, pois o reservatório, os processos de perfuração e a completação dos poços também são de uma sofisticação e complexidade bastante altas. “A profundidade dos poços é um pouco maior que os poços do pré-sal”, observa Azevedo. Ele destaca que o transporte de petróleo por navios aliviadores (e não dutos marítimos) e o uso de bombas submersas fazem parte das inovações, que incluem ainda risers (linhas submarinas de escoamento) híbridos e rígidos. “É similar ao que usamos no Brasil, na P-52.”

Química e Derivados, Paolo Fiorletta e Tedesco, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Fiorletta(esq) e Tedesco: atraindo novas representadas

Mas é o fato de ser uma unidade FPSO, que poderá ser desconectada dos poços a qualquer momento, em caso de furacões e outros tipos de intempéries, o grande trunfo alardeado pela Petrobras, que assegura ser possível fazer isso sem riscos de acidentes similares ao da Deepwater Horizon. “Todas as novidades são field prooved – testadas em campo”, assegurou Azevedo. Esse novo paradigma poderá nortear futuras escolhas, inclusive da própria BR, que é parceira da Petrobras e da ConocoPhillips no Golfo do México, no campo de Tiger, considerada a maior descoberta do ano passado na região.

Mercado do pré-sal – O processo de capitalização da Petrobras também foi tema das entrevistas feitas por jornalistas econômicos brasileiros e estrangeiros. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, reiterou que a companhia fará a capitalização até o final de julho, após cumprir uma série de trâmites – entre os quais uma assembleia de acionistas para apresentar os valores da capitalização e dos barris na cessão onerosa da União, assim como seu plano de negócios para 2010-2014. “O plano sai antes da capitalização”, afirmou Gabrielli.

A indefinição no marco regulatório ainda deixa as petroleiras com um pé atrás, mas todas buscam estreitar as relações com a Petrobras que, pela proposta em trâmite no Congresso Nacional, vai ser a operadora dos blocos do pré-sal, atuando com outras parceiras. O que realmente conta neste momento são os planos da Petrobras, no médio e longo prazo, para o pré-sal.

Química e Derivados, Marcos Cueva, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Marcos Cueva: engenharia nacional ganhou respeito em âmbito global

No curto prazo, já está certa a entrada em operação do piloto de Tupi, até o final do ano – se não houver atrasos, como vem ocorrendo com Mexilhão, também na Bacia de Santos. Gabrielli passou ao gerente-executivo do Pré-sal, José Miranda Formigli, a tarefa de detalhar os próximos passos. Entre os quais os outros dois testes de longa duração (TLD) na área do pré-sal da Bacia de Santos – Guará e Tupi Nordeste –, previstos para este ano. “A vazão do óleo em Tupi Nordeste nos fez priorizar esse TLD”, declarou Formigli, explicando porque Iara ficou para o próximo ano.

“Vamos buscar no mercado, em todo o mundo, soluções para superarmos os inúmeros desafios que temos pela frente no pré-sal. Acreditamos que a questão do conteúdo nacional não será empecilho para as companhias estrangeiras, que poderão se associar às empresas similares que atuam no Brasil”, observaram os executivos da Petrobras.

Ainda que não tenha conseguido apresentar a revisão de seu plano de negócios para o período de 2010-2014 – “já falamos que deverá chegar a US$ 220 bilhões”, frisou Gabrielli –, a estatal reiterou que tem mais de 600 projetos em andamento. Foi mais longe ao prever, para após 2014, investimentos de mais de R$ 460 bilhões, dos quais nada menos que R$ 400 bilhões para atividades de exploração e produção. Nesses montantes estão incluídos os US$ 111,4 bilhões que a Petrobras prevê investir no desenvolvimento da produção no pré-sal até 2020 – valores que podem ter mudado nas revisões ainda em andamento.

O que a estatal não muda é a sua intenção de chegar em 2020 com uma produção nacional total de quase 5,2 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia e atingir, no exterior, mais de 630 mil boe/dia. Mas, para chegar a esse horizonte, ela precisa acelerar as obras de inúmeros projetos em andamento e fazer novas licitações internacionais de diversos tipos de equipamentos, bens e serviços.

Assédio comercial – Essa demanda crescente está ‘aquecendo’ os ânimos da cadeia internacional de fornecedores, que depois do ‘rigoroso inverno’ da crise financeira internacional, que ainda paira sobre os países mais ricos, anseia em ter uma fatia maior nesse bolo. A “fome” de encomendas estimula a “corte” às empresas brasileiras e estrangeiras que atuam no país com instalações fabris próprias.

As companhias internacionais não falam sobre isso. Mas os empresários brasileiros, que sempre “suam a camisa” para serem recebidos por potenciais parceiros estrangeiros, revelam certa surpresa com esse assédio. A percepção de vários empresários do Pavilhão Brasil, que teve um grande fluxo de pessoas, é a de que o investimento valeu a pena.

“Foi acima da expectativa o volume de pedidos de representações de empresas que estão na OTC, com foco no mercado brasileiro. Só isso já validou os investimentos feitos pela Metroval, para participar da OTC pela quinta vez, com o intuito de mostrar para o mercado internacional sua qualificação”, afirmou Paolo Fiorletta, diretor de Óleo e Gás da empresa.

Provedora de produtos e serviços na área de controle de fluidos, com mais de vinte anos de atividades no Brasil, a Metroval, criada em 1988, acumula em seu portfólio inúmeros projetos realizados para a Petrobras – como os sistemas de grande porte para medição de petróleo e gás natural, utilizados na P-51 e P-56, e os sistemas de injeção de produtos químicos nas correntes de óleo e gás natural, utilizados hoje na P-54. Daí estar sempre na lista de fornecedoras dos consórcios que disputam licitações da estatal.

O objetivo maior ao participar da OTC é o de fazer contato com o mercado, mais do que expor produtos e serviços. “Aqui é quase uma sala de reunião onde podemos conversar com as nossas representadas (são cinco, a maioria norte-americana) e potenciais clientes, inclusive brasileiros”, revelou Paolo Fiorletta, diretor de Óleo e Gás da empresa.

Química e Derivados, Matheus Freitas, Área de Desenvolvimento de Novos Negócios, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Freitas: agenda cheia para fechar negócios em automação e controle

“Parece que as coisas se inverteram: antes, quando vínhamos para a OTC, éramos nós que prospectávamos empresas com tecnologias inovadoras para representarmos no Brasil. Agora, são elas que nos procuram, querendo representantes qualificados, para entrar no mercado brasileiro. Todo mundo quer estar lá nesse momento”, complementou o diretor-técnico Eric Tedesco. Segundo os dois executivos, as empresas estrangeiras têm interesse nos negócios que já foram anunciados, mas que ainda não geraram encomendas efetivas. “É muito grande a expectativa em relação aos inúmeros projetos que vêm sendo anunciados no país”, observa Paolo Fiorletta. Daí a urgência das empresas em buscar representantes que tenham qualificação, uma posição sólida. “Eles querem empresas com ativos consistentes, projetos já realizados, não um mero representante comercial”, analisou, voltando para o Brasil com várias propostas para analisar.

Corte acirrada – A percepção de muitos brasileiros é a de que, em tempos de pré-sal, a OTC é vista como uma oportunidade para algumas empresas fecharem o cerco. Os interessados não se pronunciam, com temor de atrair disputas que tornem essas parcerias mais dispendiosas. Mas muitas estrangeiras já começaram essa corte há algum tempo.

Nos últimos seis meses, a jovem Oceânica Offshore, especializada no desenvolvimento de projetos de engenharia naval e oceânica, que está completando oito anos de atividades, recebeu quatro propostas de companhias internacionais, até de aquisição de parte da empresa ou formação de joint venture. Nada mal para essa “novata” gestada na Universidade de São Paulo – mais precisamente, no Departamento de Engenharia Naval e Oceânica – onde se formaram dois dos principais executivos, Marcos e Daniel Cueva. “Somos um pouco conservadores e preferimos “namorar” por um longo tempo antes de tomar qualquer decisão, porque uma vez feito é difícil desfazer”, brinca Marcos Cueva. “Temos uma visão de futuro mais longa, de crescer de forma sustentável”, complementou.

O assédio se explica. “Em oito anos temos um portfólio de mais de 80 projetos realizados, mais de 30 clientes atendidos (entre os quais Petrobras e Petrobras America, Devon, Acergy, G&E Oil & Gas, entre outras) e serviços exportados para quatro continentes”, contabilizou Cueva. Entre os projetos realizados pela empresa, há vários estudos relacionados às plataformas da Petrobras (P-51, P-53, Mono-BR P-56) e embarcações de posicionamento dinâmico, análise de offloading no Golfo do México para a Petrobras America, ensaios e avaliação hidrodinâmica da Sevan-Piranema (Sevan Marine), transporte de gás natural comprimido (tecnologia CNG), entre outros.

Namoro “sério” mesmo é com o Maritime Research Institute Netherlands (Marin), Instituto de Pesquisa Marítima da Holanda, instituição com mais de oitenta anos de atividade e da qual a Oceânica é parceira desde 2007. “Começamos essa parceria de forma gradual e agora nos preparamos para mudar de patamar”, explicou o executivo. O forte relacionamento com a instituição tem a ver com a própria formação da empresa e sua vocação para a pesquisa e desenvolvimento, com o intuito de fornecer soluções integradas de engenharia para a indústria naval e de óleo e gás.

Isso não significa sociedade e sim um acordo de cooperação tecnológica. “O foco não é exportar serviços e sim trazer para cá novas tecnologias, para podermos atender à forte demanda que o país tem pela frente”, explicou Cueva. “Uma delas é um simulador de navios, que vai treinar profissionais não somente no que diz respeito à condução do navio em si, mas também em como atuar em distintas situações e operações, como de offloading.”

A vez do Brasil – Com 16 parceiras, a maioria norte-americana e quatro europeias, a Hirsa Sistemas de Automação e Controle já detectou esse aumento de interesse no mercado brasileiro. Tanto que Matheus Freitas, da área de Desenvolvimento de Novos Negócios, não conseguiu aparecer no Reliant Center antes de quarta-feira. “Tivemos uma série de reuniões nos dois primeiros dias”, explicou. A agenda cheia com representadas já estava prevista antes mesmo de ele sair do Brasil. Afinal, a empresa carioca atua há quase três décadas no mercado brasileiro, com expertise reconhecida no fornecimento de produtos e serviços de alta tecnologia em automação, medição e controle, inclusive para vários empreendimentos da Petrobras e Transpetro.

Química e Derivados, Aristóteles Larios, Diretor da Poland Química, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Larios: soluções químicas para apoiar a exploração e a produção

O executivo observou que, embora o setor offshore não seja o principal segmento de atuação da empresa, ela está presente em praticamente toda a cadeia de petróleo e gás, desde a produção e exploração ao refino e petroquímica. Tanto que tem instalações em pontos estratégicos da costa brasileira, para dar atendimento a essa indústria: Macaé (com foco na bacia de Campos), Catu, na Bahia, e em São Mateus, no Espírito Santo, onde há forte atividade onshore e offshore.

“O nosso grande viés hoje é o de automação de válvulas, pois é um mercado que está em franca expansão, tanto do ponto de vista de reposição como de instalação de novos sistemas, em virtude da ampliação ou modernização de plantas industriais já existentes”, observou Matheus Freitas.

“O entendimento tácito que havia, há alguns anos, é de que o Brasil seria o mercado do futuro nesse setor. Hoje, isso é uma realidade”, afirmou o executivo da Hirsa, lembrando que a crise econômica ainda tem fortes reflexos no mercado europeu. “Claro que os Estados Unidos são uma grande potência, um mercado enorme. Mas acredito que o crescimento brasileiro é um processo sem retorno: dependendo do governo que vier, poderá crescer mais ou muito mais”, disse o executivo, sem disfarçar o otimismo.

Química do petróleo – Aristóteles Larios, diretor da Poland Química, que nasceu há dezesseis anos com foco no setor de óleo e gás, também aposta no aquecimento do mercado brasileiro. “Sem dúvida esse mercado tem um enorme potencial de crescimento, principalmente em decorrência das descobertas no pré-sal”, afirmou. Ele destacou que a empresa tem forte inserção nesse mercado, atuando de ponta a ponta da cadeia produtiva. “O nosso diferencial é justamente dispor de um portfólio diversificado de soluções químicas, com amplo espectro de aplicação em diversas atividades, incluindo fluidos para as etapas de exploração e produção, tratamento e refino de petróleo”, pontuou o executivo.

Química e Derivados, Paulo Roberto Trindade Braga, Diretor-administrativo da Nuclep, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore
Braga: da indústria nuclear para as estruturas das plataformas

O Brasil tem sido o principal mercado de atuação da Poland, com sede em Xerém, no Grande Rio. “Ainda que o setor de petróleo tenha um peso maior, estamos atentos a outros segmentos da indústria. Mas sabemos que a expansão das atividades da Petrobras vai implicar uma grande demanda, que vamos buscar atender”, afirmou Larios, lembrando que a empresa já desenvolveu uma série de soluções para a estatal e tem testado outras, em campos como o de Tupi, na Bacia de Santos.

Larios informou que a empresa já começou a analisar formas de ampliar sua atuação, para ir mais além do fornecimento de produtos, agregando serviços, no molde do que já fazem suas concorrentes internacionais. “Claro que isso é um passo mais adiante. Estamos aqui justamente para ver o que há de novo, prospectar parceiros, tanto nos Estados Unidos como na América Latina, onde já atuamos”, disse o executivo.

As parcerias, assim como os novos horizontes em que a companhia pode se inserir, como na recuperação de campos maduros, são temas que Aristóteles Larios prefere preservar, por enquanto. Afinal, como ele mesmo reconhece, haverá muita concorrência nesse mercado em expansão. “Buscamos possibilidades de sinergia para oferecermos soluções cada vez mais diferenciadas nesse segmento, principalmente para a indústria de óleo e gás”, aduziu.

Tudo é energia – Da área nuclear para a de óleo e gás, a brasileira Nuclep, que está participando pela segunda vez da OTC com estande próprio, usou fotos dos projetos nos quais vem participando na área offshore e na indústria naval como ferramenta de marketing para buscar novos parceiros. Ou abrir caminho para os estrangeiros. “Fizemos não somente bons contatos com empresas estrangeiras, mas principalmente com corporações brasileiras. Parece que aqui é mais fácil falar com elas”, observou Paulo Roberto Trindade Braga, diretor-administrativo da Nuclep – Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A., fundada em 1975 quando da criação do Programa Nuclear Brasileiro.

Hoje, além da área nuclear, ela prospecta oportunidades para fornecer equipamentos para outros setores, como as indústrias naval, petrolífera, petroquímica, química, entre outras. A diversificação de seu foco já rendeu contratos para construção de módulos estruturais para a P-51 e P-53 e cascos para submarinos da Marinha, além de outros equipamentos.

Rendeu ainda uma parceria tecnológica com a Wartsila, para comercialização e fabricação de motores de dois tempos para propulsão naval, com base na engenharia e know-how da empresa finlandesa. O foco, mais uma vez, volta-se para a indústria petrolífera, uma vez que há uma renovação da frota da Transpetro e construção de novas unidades flutuantes de produção. Com essa perspectiva, a Nuclep se programa para participar da Rio Oil & Gas 2010 e da OTC 2011, pois nem só de usina nuclear se vive no setor de energia.

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