Química

Petróleo & Energia – Crise econômica e reservatórios cheios nas hidrelétricas põem gás natural em ritmo lento

Bia Teixeira
15 de fevereiro de 2010
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    Química e Derivados, José Luiz Marcusso, gerente-geral da Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Bacia de Santos(UN-BS), Petróleo & Energia - Crise econômica e reservatórios cheios nas hidrelétricas põem gás natural em ritmo lento

    Marcusso: complexo de Mexilhão exigiu investir US$ 6,5 bilhões

    O segundo gasoduto inaugurado com pompa e circunstância foi o Cabiúnas-Reduc (Gasduc III). Com 179 km de extensão, investimentos de R$ 2,5 bilhões e capacidade para transportar 40 milhões de m³/dia em sentido bidirecional, é o maior gasoduto em diâmetro e capacidade já instalado no país, superando até mesmo o Bolívia-Brasil, que transporta 30 milhões de m³/dia.

    E já existe data marcada para a inauguração do terceiro gasoduto deste ano, o maior deles e marco deste governo: o Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), com extensão de 1.400 km ligando os dois mercados, com capacidade para transportar 20 milhões de m³/dia. A demanda atual do Nordeste gira em torno de 9 milhões de m³/dia.

    O Gasene atravessa 70 municípios, cinco no Rio de Janeiro, 17 no Espírito Santo e 48 na Bahia, e é dividido em três trechos: Cabiúnas-Vitória; Vitória-Cacimbas e Cacimbas-Catu. A construção do gasoduto foi feita por três diferentes empresas. O epecista do último trecho do projeto em construção – Cacimbas (ES)-Catu (BA) – é a chinesa Sinopec, que subcontratou outras cinco empreiteiras para a construção de segmentos, assumindo diretamente um outro segmento do projeto. A Conduto responde por dois trechos e a Galvão Engenharia, a Bueno Engenharia e o consórcio Mendes Júnior/Azevedo Travassos, um trecho cada.

    Lei do gás – A Abegás acredita que, para o futuro do gás natural no Brasil, mais importante do que as obras inauguradas é a garantia de cumprimento da Lei do Gás, sancionada em março do ano passado, mas ainda sem a necessária regulamentação. “A nova legislação regulará o transporte, a exploração, a estocagem, o processamento e a comercialização do gás natural no país”, ressalta a entidade, para quem é “importante ter uma lei regulamentada e uma política de preços”.

    Em seus discursos durante as inaugurações dos gasodutos, o presidente Lula pouco cita a Lei do Gás, mas deixa bem claras as intenções do seu programa de governo. Durante a inauguração do Gasduc III, por exemplo, alertou: “Quem tem fábrica a gás, piscina a gás, carro a gás, tem que saber que se tiver uma crise energética a primeira coisa para a qual vamos utilizar o gás é para levar energia até a casa das pessoas.” No mesmo discurso, disparou que mesmo autossuficiente, o país continuará importando gás da Bolívia. “Precisamos do gás da Bolívia, mas já não somos tão dependentes dele. E quando conquistarmos a total autossuficiência, o Brasil não deixará de importar da Bolívia por uma questão de solidariedade. Temos que ajudar a Bolívia, que é um país pobre.”

    A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirma que o setor elétrico vai demandar um volume de 71 milhões de m³/dia até 2017. Ela destacou que em janeiro de 2010 já foi possível visualizar uma recuperação do mercado não-termelétrico. A média de janeiro de 2010 ficou em 34,7 milhões de m³/dia, contra 28 milhões de m³/dia registrados em janeiro de 2009. “E em fevereiro já tivemos picos de consumo de 40 milhões de m³/dia”, afirmou Maria das Graças.

    Na era da liquefação – Considerada uma das alternativas mais flexíveis para dar garantias de atendimento ao mercado consumidor de gás, principalmente em usinas térmicas, o Gás Natural Liquefeito (GNL) já é uma realidade no Brasil e deverá ter sua expansão anunciada na revisão do plano de investimentos da Petrobras a ser divulgado neste ano. Com um acréscimo: a partir da produção de gás natural do pré-sal, já vem sendo estudada pela estatal a possibilidade de construção de uma unidade de liquefação em alto-mar, uma das primeiras do mundo.

    Atualmente, com unidades de regaseificação em Pecém e na Baía de Guanabara, a estatal vem constantemente recebendo cargas para o Nordeste, visando o abastecimento de suas térmicas naquela região. “Ainda não houve necessidade de acionar a unidade do Rio, por conta do excedente de gás existente neste mercado hoje, mas estaríamos prontos se precisasse”, disse a diretora de Gás e Energia. Ela justifica o uso do GNL no Nordeste pelo baixo custo apresentado no mercado internacional, depois da crise econômica.

    A diretora não revela os planos para a revisão do Planejamento Estratégico de sua área para 2010-2014, mas já havia anunciado que seriam duas novas unidades de regaseificação que estariam sendo planejadas, ainda sem locais definidos no país. As duas novas unidades também teriam possibilidade de deslocamento para fazer as vezes de um navio carregador, com possibilidade de atuar no mercado spot e comercializar o GNL com outros países.

    Outra variante da liquefação, que está sendo analisada com empolgação pela Petrobras e parceiras do pré-sal, é a unidade de liquefação de gás natural embarcada (GNL-E), como está previsto na parceria firmada com a BG em meados de novembro, dois dias antes da saída da jaqueta de Mexilhão do estaleiro. “São sistemas capazes de processar até 14 milhões de m³/dia de gás associado”, destaca José Luiz Marcusso, gerente-geral da Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Bacia de Santos (UN-BS).



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