Petroquímica

Petroleiras do Oriente Médio reforçam posição global – Petroquímica

Quimica e Derivados
24 de maio de 2019
    -(reset)+

    Um mês antes, Aramco e a transnacional de origem francesa Total assinaram um acordo de desenvolvimento conjunto para a engenharia básica e design (FEED) da planejada joint venture entre elas para um complexo petroquímico em Jubail (Arábia Saudita). O projeto de US$ 5 bilhões, com partida prevista para 2024, compreende um cracker de cargas mistas (50% etano, 50% de gases de refino) para 1,5 milhão de t/ano de etileno e unidades a jusante.

    O complexo petroquímico é um desdobramento da joint venture entre ambas na refinaria Satorp e elas esperam investimentos adicionais de US$ 4 bilhões em petroquímicos e especialidades químicas provenientes de outros investidores. A Aramco, além disso, está em processo de fusão com a gigante saudita de petroquímicos e polímeros Sabic.

    Projetos globais – A Aramco e a ADNOC não estão apenas plantando investimentos nos seus quintais, mas também erguem megacomplexos ao redor do mundo. O mais ambicioso entre eles é o memorando de entendimento assinado em junho de 2018 entre Aramco, ADNOC e um consórcio de companhias de petróleo da Índia (Indian Oil, Hindustan Petroleum e Bharat Petroleum) para erguer um complexo de refino e petroquímicos de US$ 44 bilhões na Índia, com capacidade para produzir 18 milhões de t/ano de produtos petroquímicos. Juntas, Aramco e ADNOC terão 50% do projeto, ficando a outra metade com os parceiros indianos. O governo indiano prevê o início da construção para 2020, em Raigad (Índia), para conclusão em 2025.

    Ahmed, da Alembic Global Advisors, recomenda cautela com as expectativas geradas por memorandos de entendimento. “O príncipe herdeiro da Arábia Saudita fez um passeio pela Ásia e assinou vários desses memorandos, porém muitas vezes esse tipo de acordo não se materializa. Nós, tipicamente, não os levamos muito a sério antes de ver o aço sendo colocado no chão”, disse.

    Química e Derivados, Petroleiras do Oriente Médio reforçam posição global - Petroquímica

    A China é outro alvo das petroleiras do Oriente Médio. Em fevereiro deste ano, a Aramco assinou um acordo com os grupos chineses Norinco e Panjin Sincen para desenvolver um complexo totalmente integrado de refino e petroquímica com orçamento de mais de US$ 10 bilhões, em Liaoning (China), com partida esperada para 2024.

    Os parceiros criarão uma companhia, a Huajin Aramco Petrochemical (35% Aramco, 36% Norinco e 29% Panjin Sincen), como parte do projeto que inclui uma refinaria para 300 mil barris/dia, com um cracker para 1,5 milhão de t/ano de etileno e uma unidade para 1,3 milhão de t/ano de paraxileno. A Aramco suprirá até 70% do petróleo a ser consumido pelo complexo.

    Além disso, a Aramco herdará dois megaprojetos que estavam sendo planejados pela Sabic, em fase de fusão de negócios.

    Com a chinesa Fuhaichuang Petrochemical, a Sabic estudava construir um complexo petroquímico em Fujian (China), como disse uma fonte da parceira chinesa. O projeto ficaria em Gulei (Zhangzhou) e incluiria uma cracker para 1,8 milhões de t/ano de etileno, uma unidade de 600 mil t/ano de desidrogenação de propano e linhas de derivados. O acordo final ainda não foi concluído.

    Entretanto, outro megaprojeto da Sabic já está em andamento. Na Costa do Golfo dos EUA, a Sabic e a ExxonMobil constroem um cracker de etano para 1,8 milhões de t/ano de etileno, localizado no condado de San Patricio (Texas, EUA), com uma planta de MEG e dois trens de produção de polietileno. O projeto deverá estar pronto no último trimestre de 2021, com partida programada para o primeiro semestre de 2022.

    Além da união entre Aramco e Sabic, as petroleiras do Oriente Médio podem tentar adquirir ativos petroquímicos ocidentais. A Aramco assumiu os negócios de borracha sintética da alemã Lanxess ao comprar os 50% de participação da parceira na joint venture Arlanxeo, em dezembro, enquanto a Sabic ficou com 25% da Clariant, companhia de especialidades químicas e catalisadores com sede na Suíça, em setembro de 2018.

    A lista de grandes negócios anteriores inclui a compra da americana GE Plastics pela Sabic, em 2007, e a aquisição da canadense Nova Chemicals pelo fundo IPIC de Abu Dhabi (hoje Mubadala), em 2009.

    “Eles ainda devem estar interessados, mas nós não devemos esperar que eles avancem muito além da sua zona de conforto em olefinas e poliolefinas e, possivelmente, poliuretanos. Acreditamos que eles olhem mais para os EUA do que para a Europa”, disse Ahmed, da Alembic Global Advisors.

    Está claro que as petroleiras do Oriente Médio têm ambições gigantescas na petroquímica, com planos para colocar em marcha capacidades enormes de produção em 2025. No entanto, ainda é preciso verificar quais projetos na verdade partirão e sob qual cronograma.

    “O diabo está nos detalhes em termos do que será construído, adiado ou cancelado. Todos nós conhecemos o jogo de companhias despejando grandes números para evitar que os concorrentes construam capacidades em demasia”, disse Ahmed.

    AUTOR

    Joseph Chang é editor global da Icis Chemicals Business, parte da maior empresa global de informações sobre o mercado petroquímico, integrante da Reed Business Information, braço do RELX Group. Este texto foi produzido com a contribuição dos editores da Icis Nigel Davis, Nurluqman Suratman, Niall Swan e Fanny Zhang.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *