Petrobrás: Revisão de estratégia prioriza investimentos em óleo leve e gás natural, e confirma a auto-suficiência em 2006

Química e Derivados: Petrobrás: petrobras_abre. ©QD Foto - Steferson Faria - PetrobrasRevisão do plano estratégico da Petrobrás, com vista a 2015, divulgada em maio deste ano, confirmou para 2006 a concretização da auto-suficiência nacional em petróleo. A área de exploração e produção da companhia, diretamente responsável pelo feito, investirá US$ 32,1 bilhões até 2010, dos quais US$ 26,2 bilhões em território nacional. Isso permitirá ampliar a produção doméstica em 5,9% ao ano, em média, no período, superando a evolução de demanda por derivados de petróleo, estimada pela empresa em 2,4% ao ano. Do montante, 70% dos recursos serão obtidos da geração própria de caixa, complementados por emissão de ações, operações de project financing e financiamentos convencionais.

Química e Derivados: Petrobrás: Napomuceno - oferta de gás estimula demanda a crescer . ©QD Foto - Steferson Faria - Petrobras
Napomuceno – oferta de gás estimula demanda a crescer .

Em junho de 2004, entrou em operação o complemento do módulo 1 do campo de Marlim Sul, um navio-plataforma FPSO (floating production, storage and operation) capaz de produzir 100 mil barris de petróleo por dia (bpd). Inicialmente, a unidade é alimentada por três poços, que oferecem 80 mil t/ano. Em pouco tempo, espera-se ocupar totalmente a instalação. “Usamos poços horizontais de alta produção, que apresentam melhor relação custo/benefício, principalmente quando localizados em águas profundas”, explicou o gerente-executivo de exploração e produção corporativo, Francisco Nepomuceno Filho.

Ele comentou que a companhia já conta com mais de cem poços horizontais no País, usando tecnologia de completação mais eficiente que impede o bombeamento de areia do reservatório junto com o óleo.

A presença de areia reduziria a vida útil dos tubos e equipamentos, pela sua abrasividade. “Melhoramos também o bombeamento de fundo, aumentando a retirada do óleo”, explicou.

Para este ano, devem entrar em produção também as plataformas P-43 (Barracuda) e P-48 (Caratinga). “A P-43 sairá do estaleiro, em Niterói-RJ, no dia 10 de setembro, enquanto a P-48, que está sendo finalizada em Angra dos Reis-RJ, produzirá seu primeiro óleo em dezembro”, afirmou Nepomuceno. Cada qual terá capacidade para 150 mil bpd.

Entrarão em produção em 2005 as plataformas P-50 (Albacora Leste) e P-34 (Jubarte fase 1), respectivamente, para 180 mil e 60 mil bpd. Segundo o gerente-executivo, a P-50 foi construída em Cingapura e está sendo rebocada para o estaleiro fluminense Mauá-Jurong, de Niterói, para completação, ocupando a área onde ainda está a P-43. “A P-50 começará a produzir em junho do próximo ano”, afirmou. A P-34 será construída em Vitória-ES, com previsão de entrega para o final de 2005.

Química e Derivados: Petrobrás: untitled-2. ©QDO biênio 2006-2007 dará forte impulso à produção petroleira nacional. Nove projetos estão programados, a grande maioria já licitada ou em construção, capazes de agregar 1,04 milhão de bpd à oferta nacional de óleo. Esses investimentos se concentram nas regiões fluminense e capixaba do litoral brasileiro.

Química e Derivados: Petrobrás: untitled28-pg. ©QD“Nossa seqüência de prioridades começa pela produção de óleo leve, cujas descobertas recentes chegam a um bilhão de barris; gás natural, contando com 420 bilhões de m³ já descobertos; e a oferta de óleo pesado, com reserva ampliada em 2,1 bilhões de barris só no Espírito Santo”, explicou.

Química e Derivados: Petrobrás: untitled-29. ©QDEmbora a governadora do Estado do Rio de Janeiro tenha majorado a tributação sobre petróleo, não se credita a ela a intensificação de investimentos no vizinho Espírito Santo. “A Petrobrás está apenas aproveitando oportunidades de investimento coerentes com seu plano estratégico”, afirmou. O campo ES-123, por exemplo, oferece óleo leve (até 41ºAPI), produto hoje importado pela empresa para processamento conjunto em suas refinarias, em maior parte abastecidas por óleos pesados da Bacia de Campos (com até 17ºAPI). Na comparação com o plano estratégico anterior, verifica-se que a região fluminense não perdeu investimentos, apenas teve alguns projetos adiados.

Química e Derivados: Petrobrás: untitled-30. ©QDGás na mira – Segunda prioridade da Petrobrás, a produção nacional de gás natural será intensificada até 2010, quando se prevê atingir o patamar de 500 mil barris de óleo equivalente por dia (boed), o dobro da produção alcançada em 2003. Ainda neste ano, será perfurado o primeiro poço de extensão à descoberta do poço 1-RJS-587, no antigo campo BS-500, e mais dois poços exploratórios nas áreas dos planos de avaliação de descoberta dos pioneiros 1-SPS-36A e 1-SPS-37A, ambos no antigo BS-400. Também será a vez dos dois primeiros poços no entorno (ring fence) do campo de Mexilhão, no antigo BS-400.

Química e Derivados: Petrobrás: untitled-30.1. ©QDEmbora a governadora do Estado do Rio de Janeiro tenha majorado a tributação sobre petróleo, não se credita a ela a intensificação de investimentos no vizinho Espírito Santo. “A Petrobrás está apenas aproveitando oportunidades de investimento coerentes com seu plano estratégico”, afirmou. O campo ES-123, por exemplo, oferece óleo leve (até 41ºAPI), produto hoje importado pela empresa para processamento conjunto em suas refinarias, em maior parte abastecidas por óleos pesados da Bacia de Campos (com até 17ºAPI). Na comparação com o plano estratégico anterior, verifica-se que a região fluminense não perdeu investimentos, apenas teve alguns projetos adiados.

Gás na mira – Segunda prioridade da Petrobrás, a produção nacional de gás natural será intensificada até 2010, quando se prevê atingir o patamar de 500 mil barris de óleo equivalente por dia (boed), o dobro da produção alcançada em 2003. Ainda neste ano, será perfurado o primeiro poço de extensão à descoberta do poço 1-RJS-587, no antigo campo BS-500, e mais dois poços exploratórios nas áreas dos planos de avaliação de descoberta dos pioneiros 1-SPS-36A e 1-SPS-37A, ambos no antigo BS-400. Também será a vez dos dois primeiros poços no entorno (ring fence) do campo de Mexilhão, no antigo BS-400.

Com perspectivas favoráveis de ampliação de produção, a companhia espera quebrar o ciclo vicioso do mercado brasileiro, pelo qual os investimentos em unidades consumidoras de gás não surgem porque não haveria gás; e não haveria gás disponível porque não se encontrariam grandes consumidores. “A decisão da companhia é de aumentar a oferta de gás natural no Brasil”, confirmou Nepomuceno.

Química e Derivados: Petrobrás: untitled-1. ©QDAlém do esforço produtivo, a Petrobrás também investe na montagem de redes de distribuição do combustível. As malhas das regiões Nordeste, Sul e Sudeste estão em fase de expansão, sendo acompanhadas pelas empresas locais de gás. Além dos troncos regionais, a Petrobrás também investe pesado para construir o Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), permitindo a interligação dos dois sistemas regionais. “Quando o Gasene estiver pronto, em 2007, o Espírito Santo será seu grande ‘pulmão’, garantindo suprimento para ambas as extremidades”, afirmou Nepomuceno. A Petrobrás vai investir mais de US$ 3 bilhões em gasodutos até 2010, incluindo projetos como a ligação entre Urucu e Coari a Manaus, abastecendo a capital amazonense, e o gasoduto do Rio a Campinas-SP.

“O planejamento de longo prazo da Petrobrás prevê o aumento da participação do gás natural na matriz energética brasileira até 2020, o que só será possível pelas descobertas feitas recentemente e as que ainda esperamos confirmar”, disse o gerente-executivo. O fato de boa parte dessa oferta de gás estar situada em alto-mar não preocupa o executivo. “É até mais fácil fazer 130 km de gasoduto no fundo do mar, como na Bacia de Santos, do que montar mais de 3 mil km de dutos em terra firme, com os problemas de desapropriações e interferências, como foi o caso do Gasbol [Bolívia-Brasil]”, comparou.

O maior segmento comprador desse gás será a produção de eletricidade, atividade da qual a companhia participa, tendo, inclusive, adquirido o controle acionário da TermoRio, de Duque de Caxias-RJ, que será a maior termelétrica da América do Sul, com capacidade para 1.040 MW, além de abastecer a refinaria local (Reduc) com 400 t/hora de vapor, a ser atingida até meados de 2005. Nessa situação, a usina consumirá 5,2 milhões de m³/dia de gás natural. No plano estratégico da estatal, estão previstos investimentos próximos a US$ 1,5 bilhão para a conclusão dos projetos de energia já em andamento, pelos quais formará capacidade de geração de 5.044 MW.

Decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP), tomada em julho, aumentou o ânimo da Petrobrás em cumprir seu plano estratégico. As 27 descobertas realizadas em 2003, relatadas à agência em agosto daquele ano, receberam extensão de prazo para comprovação da descoberta. “Teremos mais dois anos para comprovar a comercialidade das áreas nas quais encontramos óleo e gás; depois teremos mais seis meses para apresentar o plano para exploração dos campos confirmados”, explicou. “Depois de aprovado o plano, teremos um período de 22 anos para produzir nesses locais.” Sem a extensão do prazo, as áreas seriam destinadas a leilão.

Os investimentos em pesquisa de áreas promissoras já garantem ao Brasil reservas provadas (por critério internacional – SPE) de 12,6 bilhões de boe em 2003. Mesmo com o incremento do consumo, que absorverá cerca de 6 bilhões de boe até 2010, nesse ano, as reservas totais de óleo e gás chegarão a 17,3 bilhão de boe. Serão, portanto, adicionados mais 10,7 bilhões de boe às reservas, oriundas de descobertas já em fase de avaliação exploratória e a realizar. A expectativa da companhia é fechar 2010 com produção nacional de 2,3 bilhões de barris de óleo e condensados por dia, dos quais 1,75 bilhões serão processados pelas suas refinarias.

Ao mesmo tempo, com a aplicação de novas tecnologias e o aproveitamento de campos mais produtivos, a Petrobrás espera reduzir seus custos de extração e produção de óleo e condensados dos atuais US$ 3,41/bbl para US$ 3/bbl em 2010.

Refino segue demanda – O downstream (refino e transporte, basicamente) da cadeia petrolífera receberá US$ 11,2 bilhões até 2010, incluindo investimentos em operações no exterior. O valor é suficiente para execução dos projetos de adequação das refinarias ao perfil de viscosidade e composição química dos petróleos nacionais (vide QD-420, de outubro de 2003). Além disso, deve bancar a melhoria dos sistemas de controles e automação das redes de dutos e terminais (US$ 1 bilhão), e também incrementar as atividades logísticas da cadeia produtiva, incluindo a compra de 53 embarcações, em parte para renovação da frota (US$ 1,2 bilhão).

O plano estratégico da Petrobrás prevê para 2010 uma produção de óleo e líquidos de gás natural (LGN) de 2,3 milhões de bpd, dos quais 1,87 milhão de bpd sejam processados pelas refinarias da estatal, de modo a suprir uma demanda estimada em 2,023 milhões de bpd de derivados. Com isso, em 2010, será preciso importar 153 mil bpd de derivados de petróleo, quantidade ainda insuficiente para justificar a construção de uma nova refinaria. Esses números já consideram a aplicação de 2,3 mil bpd de biodiesel, além da maior participação de novas fontes energéticas.

A adequação do parque de refino ao processamento de crus mais viscosos e com alto teor de enxofre exige adotar processamento mais complexo que o convencional. Com isso, o custo operacional de refino deve ser majorado dos atuais US$ 1,14/bbl para US$ 1,58/bbl em 2010. O custo mais alto também reflete o aprimoramento da qualidade dos produtos obtidos, como combustíveis com baixo teor de enxofre. Apesar disso, os valores são compatíveis e competitivos em termos mundiais.

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