Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Produção volta a crescer, mas resultado anterior exige rever planejamento

Bia Teixeira
18 de Maio de 2015
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    Química e Derivados, Petrobras: Produção volta a crescer, mas resultado anterior exige rever planejamento

    Os resultados da Petrobras para o período de 2014 – auditados pela PricewaterhouseCoopers (PwC), que apontou um prejuízo de R$ 21,6 bilhões – já eram esperados, em meio às denúncias de corrupção advindas da Operação Lava Jato, que sangraram a estatal em mais de R$ 6,2 bilhões. Pesou expressivamente para esse resultado negativo, o primeiro desde 1991, a desvalorização de ativos (impairment, literalmente, a redução do valor recuperável de um bem ativo), calculada no valor total de R$ 44,6 bilhões.

    Química e Derivados, Comperj: superfaturada, refinaria está com obras suspensas

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    A maior parte dessa desvalorização (R$ 30.976 milhões) aparece na área de refino, devido a falhas no planejamento de dois projetos emblemáticos: o segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Mas também resulta da utilização de taxa de desconto com maior prêmio de risco; postergação da expectativa de entrada de caixa devido ao atraso no empreendimento; problemas na cadeia de fornecedores, decorrentes das investigações da Operação Lava Jato; e o menor crescimento econômico nacional (e a consequente queda na demanda).

    O impairment de R$ 10 bilhões nas atividades de exploração e produção (E&P) decorreu da queda nos preços mundiais do petróleo e, na área petroquímica (R$ 2.978 milhões), pelo cenário de redução na demanda. Além da desvalorização de ativos-chaves, também concorreram para o resultado anual da Petrobras as baixas dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I e II (perdas de R$ 2,8 bilhões) e o provisionamento do Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário-PIDV (R$ 2,4 bilhões).

    O endividamento consolidado da estatal alcançou o valor de R$ 319,5 bilhões, dos quais R$ 282,1 bilhões em dívidas de longo prazo e R$ 31,6 bilhões no curto prazo (menos de 10%). Quase três vezes o valor de 2010, quando a estatal tinha uma dívida total de R$ 100,9 bilhões, 15% de curto prazo.

    Química e Derivados, Bendine: fluxo de caixa vai nortear revisão dos planos

    Bendine: fluxo de caixa vai nortear revisão dos planos

    Foco na rentabilidade – Ainda que os números estejam devidamente auditados, conforme os padrões internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS) e detalhados em um documento de 126 páginas (DFP – Demonstrativo Financeiro Padronizado), com as demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2014 e 2013, a Petrobras ainda tem um longo caminho pela frente para resgatar o equilíbrio financeiro e a confiança do mercado.

    Na mensagem aos acionistas e investidores, publicada no Relatório de Administração, o atual presidente da Petrobras Aldemir Bendine afirma que a publicação dos resultados significa a transposição de uma barreira “que evidencia nossa capacidade de superação de desafios em um contexto adverso”.

    Segundo ele, o atraso na conclusão de alguns ativos e projetos do plano de negócios 2014-2018 geraram impactos nos testes de impairment. O cenário crítico também levou, pela primeira vez em mais de uma década, a uma redução nos investimentos da estatal, que totalizaram R$ 87,1 bilhões em 2014, 17% menos que o realizado em 2013.

    Bendine adiantou que um novo plano de negócios está em desenvolvimento, considerando “premissas econômicas que refletem o cenário atual da indústria do petróleo”. Mas deixou claro que a prioridade é a área de exploração e produção de petróleo e gás, segmento mais rentável da companhia, que terminou o ano com R$ 68,9 bilhões em caixa. “Almejamos construir um plano sustentável sob a ótica do fluxo de caixa, levando em consideração os potenciais impactos na cadeia de suprimentos e, por conseguinte, na nossa curva de produção”, salientou.

    Destaques à sombra – Com esse resultado, praticamente ficaram à sombra os números que atenuaram o impacto do prejuízo do quarto trimestre, que foi de R$ 26,6 bilhões. A produção de petróleo e gás natural da Petrobras, no Brasil e no exterior, cresceu 5% em relação a 2013, atingindo a média de 2,669 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2014.

    No Brasil, a produção média em 2014 foi de 2,034 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) e de 67,8 milhões de metros cúbicos diários de gás (m³/d), excluindo líquido de gás natural (LGN), o melhor resultado anual alcançado pela companhia. No último mês do ano, a estatal bateu dois recordes de produção: o diário, ao alcançar 2,3 milhões de barris de petróleo em meados de dezembro; e o mensal, com média de 2,212 milhões de bpd . No total, a produção nacional alcançou 2,460 milhões de boed, um aumento de 6% em relação ao volume do ano anterior.


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