Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras: Política de preços e de gestão de portfólio devem permanecer

Marcelo Fairbanks
16 de outubro de 2018
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    A greve dos caminhoneiros atropelou a passagem de Pedro Parente pela presidência da Petrobras. Na queda de braço entre a política de ajustes diários de preços dos derivados de petróleo produzidos pela estatal e a insatisfação dos consumidores perdeu o país a chance de reafirmar o primado da livre concorrência e da autonomia da companhia em relação aos humores governamentais.

    As variações diárias foram se tornando impopulares por refletirem a alta das cotações internacionais do petróleo e também a variação cambial, ambos os fatores independentes da vontade da estatal. Como explicou o então presidente da Petrobras, a economia mundial está crescendo (3,8% em 2017, segundo o BIS, de Basileia, Suíça) e aumentando o consumo de petróleo e derivados. Pelo lado da oferta, a pressão está sendo exercida em sentido contrário, com restrição da produção venezuelana e do anúncio de novas restrições comerciais dos Estados Unidos ao Irã. Demanda maior com oferta maior resulta em alta de preços, que pularam da confortável faixa de US$ 32 a US$ 34 por barril (Brent), no primeiro trimestre de 2016, para US$ 67 no mesmo período de 2018.

    Química e Derivados, Parente: parcerias no refino permitem criar concorrência

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    A escalada das cotações do petróleo em 2017 foi amortecida pela taxa cambial, que recuou em comparação com o ano anterior. Basta lembrar que o dólar americano chegou a R$ 3,90 no primeiro trimestre de 2016, refletindo as tensões pré-impeachment. Em 2018, porém, petróleo e dólar subiram juntos, amplificando o impacto no bolso dos consumidores, em especial o dos caminhoneiros autônomos.

    Para estes, o frete acertado com o embarcador na partida já se tornava deficitário no primeiro reabastecimento com óleo diesel. Sem conseguir prever os aumentos sucessivos e diários do combustível, os autônomos paralisaram o país (com a participação de transportadoras, como ficou demonstrado, e de oportunistas diversos) na metade de maio. Porém, ainda que o diesel ficasse mais barato, os problemas dessa categoria permaneceriam distantes de desparecer, pois estão mais ligados ao fato de haver mais caminhões disponíveis do que mercadorias a transportar, uma consequência direta do esfriamento da economia brasileira.

    Química e Derivados, Petrobras: Política de preços e de gestão de portfólio devem permanecer, apesar da troca do presidente

    Sem saber como controlar a manifestação, que se prolongou por duas semanas, o governo federal aceitou um acordo ruim, mediante o qual se comprometeu a acabar com os reajustes diários do diesel (que deveria ficar R$ 0,46 mais barato por litro, em todo o país) e a criar uma anacrônica tabela de preços dos fretes. Percebendo que seria desautorizado pelo acionista majoritário, o presidente Parente se demitiu em 1º de junho e sua saída derrubou a cotação das ações da estatal na bolsa de valores. Os investidores demonstraram dessa forma a sua insatisfação com as medidas anunciadas pelo governo para conter a crise.

    Herança positiva – Parente deixou a estatal em situação muito melhor do que a encontrou ao tomar posse do seu principal cargo executivo, exatamente dois anos antes, em junho de 2016. As dívidas contraídas pela estatal chegavam a US$ 123 bilhões no terceiro trimestre de 2016, com prazo médio de amortização de 7,33 anos e taxa média de juros de 6,3% ao ano. No encerramento de 2017, a administração de Parente já havia conseguido reduzir as dívidas para US$ 109,3 bilhões, com prazo alongado para 8,62 anos e taxa de juros de 6,1%.

    O lucro operacional da companhia cresceu de US$ 17,1 bilhões em 2016 para US$ 35,6 bilhões no encerramento de 2017. Parte significativa desse resultado se explica pelo aumento das exportações de petróleo com preços mais altos, puxados pelo mercado internacional. Mas o aumento da eficiência operacional (sem prejuízo da segurança, medida pela taxa de acidentes laborais) e a menor desvalorização (impairment) dos ativos da estatal também contribuíram para atingi-lo.

    As prioridades internas foram revistas, preservando os investimentos em exploração e produção (E&P), concentrando esforços em projetos mais rentáveis, especialmente na região do pré-sal. A companhia obteve em 2017 o quarto recorde consecutivo de produção de petróleo no Brasil, chegando a 2.154 mil barris por dia. Isso foi conseguido com redução de 6% nos gastos operacionais dessa área, que baixaram e US$ 13,3 bilhões em 2016 para US$ 12,4 bilhões. Em 2017, o custo de extração médio subiu para US$ 11 por barril, dos quais US$ 0,6 se explicam pela variação cambial. O valor livre da pressão cambial ficou em US$ 10,4/bbl, ligeiramente superior aos US$ 10,3/bbl de 2016.



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