Química

Petrobrás – Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

Marcelo Fairbanks
20 de setembro de 2007
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    Com muito gás – A crise energética que afeta a América do Sul ficou evidente durante o último inverno, quando a Argentina e o Chile tiveram dificuldades para garantir o suprimento do combustível para aquecimento de moradias. O conturbado ambiente político na Bolívia, país de localização central com boas reservas de gás, inibe investimentos em exploração, produção e distribuição. Mesmo para o Brasil, que investiu muito nos últimos dez anos para receber o insumo boliviano, entrou em estado de atenção.

    O governo federal preteriu investimentos em geração hidrelétrica em favor de um ambicioso plano de abastecimento por termelétricas supridas com gás natural. Mais próximas dos centros consumidores e de funcionamento concentrado na estação seca, quando o potencial hidráulico se reduz, essas usinas foram planejadas com base na disponibilidade de gás boliviano de baixo custo, situação agora alterada.

    Gabrielli tenta acalmar o mercado com uma proposta de equacionar a demanda futura. “Usaremos a estrutura que está sendo montada para receber gás natural liquefeito (GNL) para equilibrar oferta e demanda”, explicou. Nas estimativas da estatal, a demanda total brasileira em 2012 chegará a 134 milhões de m³/dia (em 2006, foi de 46,3 milhões de m³/dia), liderada pelo consumo termelétrico de 48 milhões de m³/dia, calculado pelo pico (despacho máximo de energia), mas também contemplando o consumo veicular, residencial, em refinarias e unidades de fertilizantes.

    Em2012, aPetrobrás espera ofertar ao mercado local 72,9 milhões de m³/dia de produção própria, à qual se acrescentam 30 milhões de m³/dia comprados da Bolívia em contrato existente, e mais 31,1 milhões de m³/dia provenientes da regaseificação de GNL. “O cálculo foi feito com despacho máximo das térmicas, por isso há margem de segurança bem alta”, garantiu. Quanto ao contrato boliviano, Gabrielli assegurou não ter havido alterações nos volumes estipulados inicialmente. O Brasil possui uma cota fixa de 24 milhões de m³/dia e a preferência para receber mais 6 milhões de m³/dia, com possibilidade de ampliação de suprimento.

    No entanto, o próprio presidente da Petrobrás criticou o ritmo de expansão da demanda nacional pelo gás natural. “Estamos verificando uma evolução de consumo de 19,4% ao ano, que é exagerada”, avaliou. Além de investir na produção, ele salientou a necessidade de contar com infra-estrutura compatível em instalações navais, dutos e city-gates para levar o combustível aos consumidores.

    Como repousam sobre a Petrobrás as esperanças de garantir a oferta de eletricidade via gás natural, a companhia desenvolve o Plano de Antecipação da Produção de Gás (Plangás), projetos orçados em R$ 25 bilhões para ampliar a oferta de gás nacional dos atuais 15,8 milhões de m³/dia para 40 milhões no final de 2008 e 55 milhões em 2010. O principal projeto consiste no desenvolvimento do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, que elevará a oferta em 15 milhões de m³/dia a partir de 2009. Para tanto será necessário construir um duto submarino ligando a futura plataforma à unidade de tratamento em Caraguatatuba-SP, e de lá, já tratado, para Taubaté, interligando-o à rede Sudeste.

    O campo capixaba de Golfinho começará a produzir ainda neste ano 100 mil bpd de petróleo e 3,5 milhões de m³/dia de gás. Também no Espírito Santo, será construída a unidade de processamento de Cacimbas, no município de Linhares. Entre 2007 e 2009 serão concluídos os trechos finais do gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), interligando as redes das duas regiões, desde Cabiúnas-RJ até Cacimbas-ES. De lá pra Catu, onde se liga à rede nordestina, com acesso a Carmópolis-SE. A malha Sudeste está sendo reforçada com a construção do gasoduto entre Campinas e o Rio.

    Na Região Norte, a estatal pretende concluir até o próximo ano o gasoduto que abastecerá a cidade de Manaus-AM com gás produzido no campo de Urucu, passando por Coari, com mais de600 kmde extensão. Esse projeto ainda precisa receber R$ 1,26 bilhão.

    Os projetos de GNL prevêem inicialmente a construção de duas estações de regaseificação flutuantes (usando navios convertidos, com tecnologia inovadora) na Baía de Guanabara-RJ e em Pecém-CE, orçadas em R$ 2,9 bilhões. Sua conclusão e operação estão programadas para 2009.

    Química e Derivados, Petrobrás - Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

    Fonte: Plano de negócios 2008-12 – Petrobrás

    O plano de investimentos da estatal contempla a construção de unidades geradoras de eletricidade com fonte térmica em Cubatão-SP, Três Lagoas-MS, Canoas-RS e Alto do Rodrigues-RN (Termoaçu, em parceria com a Iberdrola).

    Além desses esforços, parte das termelétricas nacionais foi adaptada para consumir alternativamente óleos combustíveis, garantindo sua operação mesmo com baixa oferta de gás. Vários grandes consumidores de gás natural também optaram por manter queimadores duais em suas caldeiras e fornos, ou mesmo usar biomassa como combustível.

    Combustíveis verdes – O presidente da Petrobrás estima que o consumo de combustíveis de origem biológica represente perto de 20% de toda a demanda mundial na área automotiva. Dentro do conceito de empresa integrada, a Petrobrás pretende investir para participar ativamente da cadeia do álcool etílico e também do biodiesel nacionais, tendo em vista o suprimento interno e a exportação.



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