Química

Petrobrás – Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

Marcelo Fairbanks
20 de setembro de 2007
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    Química e Derivados, Petrobrás - Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

    Obs.: considera o despacho máximo das termelétricas

    Outro ponto a considerar diz respeito ao custo de extração de petróleo e gás no Brasil, que subiu de US$ 5,72 para US$ 6,59 por barril entre 2005 e 2006. A entrada em operação de campos mais produtivos deve reduzir esse indicador para US$ 6,13/bbl em 2012. Nos campos do exterior, a companhia opera com US$ 3,36/bbl, valor que subirá para US$ 3,52 em 2020.

    O maior custo nacional reflete as dificuldades de extrair petróleo no alto mar, sob lâminas de água superiores a 2 mil metros. A experiência em águas profundas e ultraprofundas, porém, habilita a estatal a disputar com vantagens alguns campos promissores na parte americana do Golfo do México (Chinook, Cascade e Cottonwood). A companhia planeja garantir o suprimento de suas refinarias combinando suas produções domésticas e internacionais. A expectativa para 2012 é produzir 2,4 milhões de bpd no País e 285 milhões no exterior. Da produção local, 1,8 milhões de bpd seriam direcionados para o parque de refino instalado no Brasil, exigindo importar 208 mil bpd para completar a carga de 2,061 milhões de bpd, que gerarão 2,2 milhões de bpd de derivados demandados no mercado local.

    Como a Petrobrás está comprando refinarias no exterior, principalmente nos EUA, sua capacidade de refino internacional será de 348 milhões de bpd em 2012, absorvendo parte dos 285 milhões de bpd produzidos fora do Brasil pela estatal. As refinarias do exterior também receberão quase 296 mil bpd de óleos pesados brasileiros, pois têm perfil de processamento compatível.

    O cronograma dos projetos de produção de petróleo prevê para2007 ainstalação de três grandes plataformas no Brasil. Em setembro, o campo de Piranema, em Sergipe, recebeu uma plataforma de formato arredondado, que retirará 30 mil bpd de óleo muito leve (acima de 40º API). Ainda neste ano, ou no começo de 2008, devem ser colocadas em produção as plataformas P-52, uma semi-submersível para 180 mil bpd, e a P-54, FPSO (navio) de mesma capacidade produtiva. Elas serão instaladas respectivamente nos módulos 1 e 2 do campo de Roncador, na Bacia de Campos-RJ.

    Em 2008, será a vez da P-53, FPSO para 180 mil bpd, entrar em operaçãoem Marlim Leste. Seráinstalada em 2009, com algum atraso,em Marlim Sul, a P-51, primeira semi-submersível totalmente construída no Brasil para 180 mil bpd. Os campos de Frade, Jubarte (fase 2) e Roncador (fase 2) esperam os anos de 2009 e 2010 para receber suas plataformas de produção.

    Refino adequado – Há alguns anos, a Petrobrás iniciou investimentos para adequar as refinarias ao padrão de óleo pesado que se tornou dominante na produção nacional. Esses investimentos contemplam a instalação de modernos craqueadores catalíticos, unidades de hidrogenação, hidrotratamento e coqueamento, incluindo as unidades acessórias de geração de hidrogênio. Esse plano de investimentos deve estar concluído até 2012 e também terá reflexos na melhoria da qualidade dos combustíveis líquidos brasileiros, especialmente quanto ao teor de enxofre.

    Atualmente, as onze unidades de refino da Petrobrás operam com 80% de óleo nacional, de um total de 1,8 milhões de bpd. Para2012, ameta é suprir 90% dos 2 milhões de bpd processados com óleo nacional. Esse percentual subirá para 92% a partir de 2015, quando o refino alcançará a marca de 2,7 milhões de bpd. Para isso, contribuirá a inauguração da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujas obras de preparo inicial de solo (terraplanagem) começaramem agosto. Suacapacidade de processar 200 mil bpd deve entrar em operação no final de 2010, segundo Gabrielli.

    A nova refinaria foi concebida originalmente para usar óleos pesados, principalmente venezuelanos. Os planos iniciais contemplavam uma parceria societária entre a estatal brasileira e a Petróleos de Venezuela (PDVSA), mas, até o momento, a Petrobrás toca sozinha o empreendimento. No município de Ipojuca, a região de Suape, local do projeto, abriga unidades petroquímicas voltadas para a produção de borracha, poliésteres e a nova planta de tereftalato de polietileno (PET) do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G). A Petrobrás se comprometeu a criar a Petroquímica Suape para ofertar o ácido tereftálico purificado, hoje importado pela M&G, além de fomentar a Cia. Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), produtora de fibras de poliéster (vide QD-460).

    Esses projetos permitem enxergar a intenção da companhia de aumentar sua integração vertical, meta que se estende aos biocombustíveis, como o etanol, os óleos vegetais e derivados. Porém, o aumento da complexidade das operações de refino provoca impacto nos custos operacionais. Em2006, acompanhia gastou US$ 2,29 para refinar um barril de óleo, contra US$ 1,73/bbl no custo internacional. A projeção para 2012 aponta para um custo unitário de US$ 3,69 no refino doméstico e US$ 2,24 no internacional. Essa diferença deve se justificar pela obtenção de subprodutos de maior valor, especialmente os de uso petroquímico. Ao mesmo tempo, o aumento da qualidade da gasolina permitirá sua exportação para mercados mais exigentes, como os EUA e a Europa.

    A atividade de refino faz parte da área de downstream da Petrobrás, ao lado dos setores de transporte e comercialização de derivados. No bolo dos investimentos globais anunciados pela estatal até 2012, essa área ficará com US$ 29,6 bilhões (26% do total). Mais de US$ 8,6 bilhões serão aplicados na melhoria da qualidade dos combustíveis, seguida pelos US$ 5,3 bilhões aplicados na expansão de capacidades existentes. Os dutos ficarão com US$ 2,2 bilhões, quase o mesmo que o transporte marítimo.



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