Química

Petrobrás – Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

Marcelo Fairbanks
20 de setembro de 2007
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    Química e Derivados, Petrobrás - Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

    Fonte: Plano de negócios 2008-12 – Petrobrás

    Com vistas a 2020, Gabrielli considera que o ambiente de negócios no setor de combustíveis e energia será muito mais competitivo do que é hoje. A começar pelas pressões, já fortes, de cunho ambiental, incentivadoras de sistemas de geração de energias limpas, algumas em fase de desenvolvimento tecnológico. “Até lá, não acredito em mudanças profundas no perfil do mercado de óleo e gás, mas, com certeza, o uso desses produtos será muito mais eficiente”, disse.

    No campo dos combustíveis líquidos para transportes, espera-se que os biocombustíveis respondam por 20% do volume consumido em 2020. Essa mudança indica, segundo Gabrielli, a necessidade de as empresas petroleiras buscarem integração com o setor agrícola, tal como a estatal brasileira está fazendo.

    A meta de figurar entre as cinco maiores empresas mundiais integradas de energia em 2020 merece explicação. O setor avalia as empresas por indicadores diversos, desde reservas provadas, produção, capacidade de refino, rentabilidade, entre outros. A Petrobrás fica entre o quarto e o décimo-quarto lugar, dependendo do indicador selecionado. A posição almejada pela estatal seria o resultado de uma cesta de índices aceitos em âmbito mundial. Gabrielli explicou que a estatal precisa ampliar sua presença internacional, atuar mais forte nos biocombustíveis, além de melhorar indicadores financeiros e sociais, incluindo a proteção ambiental.

    Química e Derivados, Petrobrás - Planos para ampliar produção e integração energética até 2020

    Também a integração com a petroquímica é estratégica, pela possibilidade de agregar valor às correntes geralmente usadas para queima. Por isso, a companhia pretende alocar na atividade US$ 4,3 bilhões até2012. Amaior parte dos projetos está na segunda geração do Comperj, em posição minoritária relevante, a atual diretriz da companhia.

    Como os preços mundiais do petróleo apresentam grande flutuação, os planos da Petrobrás no período 2008-2012 foram elaborados com base no custo marginal de expansão, avaliado em US$ 35 por barril. “Esse é o preço de resistência, abaixo dele seria preciso rever o plano”, explicou Gabrielli. Na sua análise, caso o petróleo volte a uma faixa de preços próxima de US$ 40/bbl, haverá uma onda de fusões e aquisições no setor, compensando a queda do faturamento com aumento de escala e redução de custos. Ele salienta que a companhia brasileira não será afetada pelo movimento.

    E&P recebe mais – A área de exploração e produção será o destino de 58% dos investimentos previstos pela estatal para o período 2008-2012, ou seja, US$ 65,1 bilhões, incluindo operações internacionais. O desembolso é necessário para garantir o crescimento anual médio da produção de 7,2% até 2012, ou de 6,8% até 2015, quando a produção de óleo, condensados e gás da companhia deverá somar 4.153 mil boed, dos quais 3.455 mil obtidos no Brasil.

    Uma preocupação comum a todas as indústrias de petróleo consiste na capacidade de manter sua produção ao longo dos anos. Isso se mede pela relação entre o volume total de reservas provadas e a produção total anual. Em 2006, para cada barril de óleo equivalente produzido no País, a Petrobrás aumentou em 1,73 barril seu volume nacional de reservas, avaliadas pelo critério da Society of Petroleum Engineers (SPE), um desempenho consistente. Os 13,7 bilhões de boe seriam capazes de suprir a demanda aproximada de 2,3 mil boed por quase vinte anos. Pelo critério da Securities and Exchange Commission (da bolsa de valores dos EUA), mais restritivo, as reservas nacionais somam 10,6 bilhões de boe e tiveram crescimento praticamente nulo em relação a 2005. Nesse caso, o índice de reposição foi de 0,99 barril por barril produzido, ou seja, houve diminuição das reservas.

    “Temos por meta aumentar as reservas em volume superior ao produzido anualmente, para manter a auto-suficiência nacional de modo sustentável”, explicou Gabrielli. Ele atribui aos atrasos na entrega de plataformas a redução nas descobertas e na produção nacional de petróleo, exigindo ampliar ligeiramente a importação. Saliente-se que o País é um exportador líquido de petróleo, mas ainda mantém importações de óleos leves por deficiência nos processos de refino, incapaz de processar os tipos pesados encontrados na Bacia de Campos sem a adição de leves.

    Com a intenção de evitar os atrasos verificados nas plataformas P-55 (para Roncador) e P-57 (Jubarte), ambas em fase de engenharia, a estatal quer fazer da plataforma P-56 (Marlim Sul) um clone perfeito da P-51, aproveitando todos os projetos e a experiência acumulada. “É um caminho para evitar custos redundantes e acelerar a construção”, explicou Gabrielli. Alguns fornecedores ameaçam bloquear judicialmente a iniciativa, por representar cerceamento da concorrência, uma vez que, para formar um clone perfeito da P-51, os fornecedores de equipamentos e sistemas deveriam ser obrigatoriamente os mesmos, dadas as limitações dimensionais. Com isso, a tentativa de aceleração pode resultar em atraso ainda maior.

    Gabrielli observa que a atual administração federal impôs o aumento do índice de nacionalização nos investimentos das estatais. Como há falta de grandes players para tocar sozinhos cada projeto, a estatal adotou a estratégia de fragmentar as grandes encomendas, abrindo a possibilidade de fornecedores menores também participarem das licitações. “Queremos sempre aumentar nossa rede de suprimentos em todos os níveis, mas a companhia tem exigências rígidas de qualidade, segurança e também de regularidade fiscal para contratações”, comentou. Além disso, o respeito aos prazos é fundamental.



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