Petrobras – Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

Ele afirma que o impacto econômico dos investimentos da Petrobras é considerável na economia brasileira, estimulando investimentos das indústrias e fornecedores de bens e serviços para os mercados de óleo e gás. “Neste contexto, há ainda o desafio de garantir financiamento suficiente para as atividades, tanto da Petrobras quanto para a indústria de bens e serviços”, ressalva Paulo Godoy.

Química e Derivados, Guilherme Pires de Melo, Diretor de Petróleo e Gás da Associação Brasileira de Engenharia Industrial(Abemi), Petrobras - Comentários
Pires de Melo: quer manter elevado o conteúdo nacional

Diretor de Petróleo e Gás da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), Guilherme Pires de Melo endossa as palavras de Godoy. “O financiamento é um dos pontos importantes para a execução deste plano de negócios”, afirma. Na avaliação dele, a cessão onerosa e capitalização ajudam neste sentido. “Seria mais um grande desafio considerar um aumento dos investimentos, visto que, pelo atual plano, são mais de 650 projetos de porte a serem desenvolvidos, com importante reflexo em toda a cadeia produtiva do país.”

Para ele, o PN está alinhado ao que a Petrobras havia divulgado em seu plano anterior, considerando grandes investimentos nos segmentos de Abastecimento e, principalmente, de Exploração & Produção. “As metas da Petrobras são arrojadas, com muitos desafios na execução deste plano de negócios e as expectativas para o setor são muito boas”, observa.

Um ponto muito importante para o setor, reafirmado no novo plano de negócios, é a manutenção da política de conteúdo nacional. “Isso é de vital importância para o desenvolvimento de fornecedores de bens e serviços nacionais, incluindo aí a revitalização da indústria de construção naval brasileira”, sublinha Pires de Melo.

Ele observa ainda que um dos embasamentos dos PN da Petrobras é o declínio natural da produção mundial de petróleo. “Os investimentos da empresa são justificáveis, pois haverá uma demanda que não será suprida caso não haja novos investimentos na produção de petróleo mundial.” Segundo ele, esse declínio natural na produção, aliado ao descobrimento e consequente estudo do pré-sal, fez com que o PN 2009-2013 tivesse um grande incremento mesmo sendo um ano de crise. “Se colocarmos em números absolutos, o incremento de 20% do PN 2010-2014 corresponde a quase US$ 40 bilhões. Poucas empresas no mundo têm essa capacidade de investimento”, disse.

Química e Derivados, Paulo Sérgio Galvão, Diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica para o Rio de Janeiro e Espírito Santo(Abinee RJ/ES), Petrobras - Comentários
Galvão: epecistas dificultam negócios com eletroeletrônicos

Quanto ao incremento dos recursos nos segmentos de refino e transporte, Pires de Melo observa que, aliado à necessidade de melhorar a infraestrutura para atendimento dos projetos de E&P, o investimento em refino se deve também ao crescimento do PIB brasileiro e consequente aumento da demanda por derivados de petróleo. “Os principais investimentos da Petrobras em abastecimento serão em novas refinarias e na modernização das existentes, visando o atendimento desta demanda que será gerada bem como agregar valor ao produto”, finaliza o diretor da Abemi.

Diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica para o Rio de Janeiro e Espírito Santo (Abinee RJ/ES), Paulo Sérgio Galvão também espera que o aumento do conteúdo local nos fornecimentos à Petrobras se concretize ao longo de toda a cadeia nacional de fornecedores. “O setor eletroeletrônico, apesar de preparado e competitivo em relação aos sistemas que pode fornecer (automação, instrumentação, medição fiscal, telecomunicações e elétrico), ainda encontra barreiras nos epcistas, estaleiros, integradores e operadoras”, destaca.

Ele observa que os números anunciados no plano estratégico anterior (2009/2013) é que foram surpreendentes e estimulantes em face da crise. “Os 20% de incremento no atual não surpreendem, mas são significativos e demonstram a intenção clara de continuidade nos investimentos”, analisa. Galvão vê como positivo o aumento significativo dos recursos no abastecimento (principalmente refino e transporte). “Como implicarão modernização/flexibilização do refino, vão gerar melhor rendimento no processamento e na qualidade”, avaliou.

A única ressalva do dirigente é quanto à necessidade de uma discussão mais ampla sobre o pré-sal. “Apesar de poder representar um novo paradigma para a indústria de petróleo, com grandes implicações na economia nacional, o público externo ainda não tem muitas informações, o que dificulta o debate e o melhor entendimento da importância dessas descobertas”, criticou.

O plano era previsível, na opinião de Armando Guedes Coelho, presidente do Conselho de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), possuidor de extensa folha de serviços no setor de petróleo, inclusive na Petrobras, que presidiu. “O PN 2010-2014 confirma algo que estava previsto”, afirma, acrescentando que é um programa de investimento expressivo e de grande importância para o Rio de Janeiro. “A Petrobras não poderia ter feito um investimento maior e isso não tem nada a ver com a crise internacional, e esse volume de investimentos no Brasil é muito grande, é espetacular”, afirma o dirigente.

Como especialista no setor de petróleo, ele considera importante adequar as refinarias para gerar produtos de melhor qualidade para fins de exportação, mas faz uma ressalva. “É saudável preparar o parque de refino. Exportar petróleo é mais fácil que exportar derivados, que demandam uma cadeia produtiva completa. Na minha visão, precisamos ter essa infraestrutura consolidada e não apenas buscar as exportações em função do maior valor agregado”, recomendou.

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