Petrobras – Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

A produção atual de amônia, de 274 mil t/ano, deverá chegar a 298 mil t/ano em 2014, com o início das operações da UFN III, além de outra planta de amônia, programada para dezembro desse ano, para mais 519 mil t/ano do insumo. O presidente da Petrobras afirmou que, com os investimentos no segmento gás-químico, o Brasil se tornará autossuficiente em amônia no período, mas continuará dependendo da importação de ureia para atender à demanda interna. O restante dos recursos do gás será repartido em empreendimentos para expandir a malha de dutos (US$ 5,3 bilhões), gás natural liquefeito (US$ 2,7 bilhões) e geração de energia elétrica (US$ 4,1 bilhões).

Na área de energia, a previsão é de aumentar em 9% a capacidade instalada de geração de energia no Brasil e no exterior até 2014, passando dos 7.227 para 7.892 MW, com a energia gerada por fontes renováveis em crescimento de 137 para 365 MW, aumentando de 5.997 para 6.437 MW a proveniente de termelétricas e cogeração, enquanto a produção no exterior deve se manter por volta de 1.100 MW.

Com foco na ampliação da produção de petroquímicos e de biopolímeros, “preferencialmente por participações societárias, principalmente no Brasil, de forma integrada com os outros segmentos da companhia”, a área de petroquímicos ficou com US$ 5,1 bilhões (5%).

A distribuição (leia-se Petrobras Distribuidora, ficou com apenas 1%, somando US$ 2,5 bilhões, para elevar a liderança a 40% de participação no mercado (hoje tem mais de 38%), enquanto que os biocombustíveis receberão investimentos de US$ 3,5 bilhões, dentro da estratégia da Petrobras de participar da produção de etanol, bem diferente do passado recente, quando somente comercializava esse combustível. Já o corporativo ficou com US$ 2,8 bilhões – menos, diga-se de passagem, que no plano anterior, quando detinha US$ 3,2 bilhões dos investimentos previstos.

COMENTÁRIOS

Química e Derivados, Alberto Machado, Coordenador e professor do MBA gestão de Negócios em Petróleo e Gás da Fundação Getúlio Vargas(FGV), em Niterói-RJ, Petrobras - Comentários
Machado: investimento maior já era esperado pelo mercado

O plano de negócios não surpreendeu o mercado, que já esperava um volume de investimentos não muito superior. “O novo patamar era previsível, pois a Petrobras já vinha sinalizando há algum tempo para esses valores”, afirma Alberto Machado, coordenador e professor do MBA Gestão de Negócios em Petróleo e Gás da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Niterói-RJ.

Segundo ele, os investimentos do setor de petróleo e gás no Brasil não têm como crescer infinitamente. “Esses volumes já estão alcançando os limites de viabilidade de execução, considerando, entre outros, fatores como a disponibilidade de recursos financeiros, outras prioridades da nação, a capacidade de gestão, o nível aceitável do peso do petróleo na pauta de exportações do país, a manutenção da relação produção/reservas e, até mesmo, a viabilidade e o interesse do Brasil na colocação de um volume muito grande de petróleo e derivados no mercado internacional”, pontua Machado, avaliando que os planos futuros deverão manter os patamares do plano 2010-2014.

Quanto ao conteúdo local previsto de 67%, que projeta a contratação de US$ 28,4 bilhões no país, ele salienta tratar-se de uma política de governo e, por esse motivo, esperada e reivindicada pela indústria local. Como diretor-executivo de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia e Petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), ele salienta que a expectativa do setor é de que o Plano de Negócios da Petrobras seja cumprido conforme anunciado.

“Projetos postergados com frequência ou a divulgação de planos de compra de equipamentos que não ocorrem conforme o planejado trazem aumento de custos para as empresas que investem, fazem reservas de espaço em suas linhas de produção e contratam empregados, fatores que acabam contribuindo para a diminuição da competitividade das empresas locais”, frisa Machado.

Segundo ele, é necessário também que os percentuais de conteúdo local previstos sejam aplicados em todos os níveis da cadeia de suprimento, por família de itens. “Ao considerar a aplicação do conteúdo local sobre o valor total, são obtidos índices aparentemente adequados, mas que, na verdade, são alcançados com componentes menos representativos em termos de geração de empregos, deixando importantes segmentos industriais alijados do processo”, analisa o diretor da Abimaq.

Química e Derivados, Paulo Godoy, Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base(abdib), Petrobras - Comentários
Godoy: falta garantir financiamentos para os fornecedores

Ele defende também a fatia expressiva dos investimentos previstos para as áreas de refino e transporte. “Eles são necessários, embora muitos especialistas critiquem a construção de refinarias voltadas para exportação de derivados pela dificuldade de colocação dos diversos produtos no mercado internacional”, disse.

Impacto econômico – Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), afirma que a revisão do plano de negócios da Petrobras “aperfeiçoa as estimativas de investimentos necessários para atender a perspectivas de crescimento das atividades de produção da estatal”. Ele lembra que a Petrobras é a empresa que mais investe no Brasil e essa trajetória de crescimento dos investimentos em petróleo e gás se mantém há vários anos.

Por isso mesmo, ele aplaude o plano quinquenal, que prevê US$ 224 bilhões em investimentos, dos quais US$ 212,3 bilhões no Brasil e o restante no exterior. “Isso representa uma média de investimentos por ano de US$ 44,8 bilhões, o que é uma cifra extremamente importante se for realmente efetivada”, avalia.

Godoy destaca a importância dos segmentos de refino, transporte e comercialização terem uma previsão de 30%, neste caso – um aumento de quase 70% em relação ao projetado no plano anterior. “Esses valores refletem certamente as estratégias da Petrobras de adicionar valor à produção dela no Brasil”, observa.

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