Petrobras – Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

Química e Derivados, Petrobras - Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

Obs.: 95% dos investimentos serão feitos no Brasil – Fonte: Petrobras – PN 2010-2014

Gabrielli apenas repetiu o que já estava informado na nota oficial da estatal, que os recursos previstos para o E&P visam a “garantir a descoberta e apropriação de reservas, maximizar a recuperação de petróleo e gás nas concessões em produção, além de desenvolver a produção do pré-sal da Bacia de Santos e intensificar o esforço exploratório nas outras áreas do pré-sal e em novas fronteiras no Brasil e no exterior”.

A Petrobras pretende reforçar sua infraestrutura no pré-sal, com investimentos da ordem de US$ 800 milhões, que serão usados principalmente em malha de dutos marítimos para escoar o gás de campos que estão a mais de 300 quilômetros da costa. Superior é a fatia para exploração do pré-sal, que ficará com US$ 4,3 bilhões.

O maior volume, de US$ 25,8 bilhões (83%), será gasto em sistemas de produção: desde unidades offshore para TLDs, já estando previstos para esse e o próximo ano os testes de Guará, Tupi Nordeste e Iara, e projetos piloto, como o de Tupi, que deverão ser a sequência natural dos demais TLDs. Para assegurar que o pré-sal tenha maior participação na curva de produção no período pós-2014, a Petrobras prevê a entrada em operação de uma média de três sistemas de produção e três TLDs por ano nas áreas do pré-sal.

Mesmo em um cenário em que o pré-sal predomina o imaginário coletivo do setor petrolífero, o pós-sal (responsável por quase a totalidade da produção brasileira atual da Petrobras) não foi esquecido. Na realidade, foi destacado pela estatal, como não vinha acontecendo nos últimos anos, embora a maior parte dos projetos listados no cronograma de todos os planos seja de unidades de produção em campos do pós-sal. “O aumento da produção será sustentado pelo desenvolvimento das áreas do pós-sal, por intermédio da instalação de grandes projetos nas áreas de atuação da companhia”, afirmou a nota. Na área de E&P, dos US$ 108,2 bilhões, serão alocados US$ 77,3 bilhões nos campos do pós-sal, dos quais US$ 62,1 bilhões (67%) em projetos de produção (plataformas), US$ 11,5 bilhões (15%) em infraestrutura e transporte (que inclui dutos e gasodutos marítimos), e US$ 13,7 bilhões (18%) em exploração.

É um sinal explícito de que a Petrobras, mesmo investindo pesado no pré-sal, não pretende deixar de lado o pós-sal de suas bacias, que lhe deram as reservas atuais. Reflete ainda uma estratégia da estatal de reforçar sua posição nas bacias de produção tradicional, perante outras petroleiras, principalmente a OGX, do empresário Eike Batista, que vem fazendo sucessivas descobertas de petróleo na Bacia de Campos, além de outras petroleiras que estão explorando áreas vizinhas às da Petrobras.

Mas é o pré-sal que continua a chamar a atenção. Principalmente com as descobertas que a Petrobras vem fazendo no pré-sal de campos produtores do pós-sal da Bacia de Campos, como é o caso de Albacora Leste (anunciada no dia 22 de junho) e Marlim (no dia 4), onde foram encontrados indícios de óleo leve (29º API, em Marlim).

Química e Derivados, Petrobras - Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

Obs.:1) considerando aumento de 3,4%a.a. na demanda até 2020 – 2) Em 2020, produção doméstica suprirá 91% do refino – Fonte: Petrobras – PN 2010-2014

Daí os investimentos em exploração. Além dos US$ 12,3 bilhões (US$ 800 milhões do pré-sal e US$ 11,5 milhões do pós-sal) que a empresa pretende gastar em infraestrutura, serão investidos nada menos que US$ 18 bilhões em atividades exploratórias – condição sine qua non de sobrevivência de qualquer empresa petrolífera, que precisa repor com descobertas mais do que extrai de suas reservas. A Petrobras terá maior disponibilidade de sondas de perfuração para águas profundas no mercado internacional, totalizando 26 unidades até 2014 e 53 até 2020, além de 504 barcos de apoio até 2020.

Vamos refinar mais – “Foi mantida a estratégia de expandir a capacidade de refino, buscando o equilíbrio com o crescimento da produção de petróleo, adequando o parque refinador para atender aos níveis de qualidade de produtos requeridos pelo mercado.” Dessa forma a Petrobras fundamentou o volume de recursos que serão aplicados na área de abastecimento, que ficou com a segunda maior receita do PN 2010-2014: US$ 73,6 bilhões, equivalentes a cerca de 33% do total.

Um volume bem maior que no PN anterior, que previa US$ 43,4 bilhões (25% do total) para refino, transporte e comercialização. O abastecimento obteve assim o maior incremento em relação ao plano anterior: 69,5% a mais de recursos para gastar na expansão de sua capacidade de refino, além de fazer frente aos aumentos de custos e de escopo de seus grandes projetos. Segundo a Petrobras, foi de 92% o uso da capacidade instalada de refino no país no primeiro trimestre deste ano, em virtude do aumento expressivo no consumo de combustíveis. Mesmo assim, o processamento de petróleo em 2009, de 1,791 milhão de bpd, ficou abaixo da demanda por derivados, avaliada em 1,931 milhão de bpd. Pelas previsões da companhia, o refino só conseguirá suprir totalmente a demanda local depois de 2014.

Nada menos que 50% do total – portanto, cerca de US$ 36,8 bilhões – será usado na ampliação do parque de refino da estatal, que nesse plano passou a denominar o Comperj como refinaria e não mais como ativo petroquímico. Em torno de US$ 21,4 bilhões (29%) serão aplicados na melhoria da qualidade dos derivados e pouco mais de US$ 8 bilhões, em melhorias operacionais das plantas existentes, algumas delas com mais de cinquenta anos.

Além de ampliações já programadas de unidades existentes, o atual PN prevê recursos para assegurar a entrada em operação da Refinaria Abreu e Lima (Pernambuco – RNEST), da refinaria Premium I e ainda da primeira fase do Comperj, que teve seu projeto básico alterado para ser uma refinaria com capacidade de processar 165 mil barris de petróleo por dia (bpd), gerando principalmente óleo diesel.

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