Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Plano aperta os cintos, mas reforça investimentos de E&P

Marcelo Fairbanks
15 de outubro de 2011
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    Atualmente, a capacidade de hidrotratamento da Petrobras atende apenas 23% da sua capacidade total de refino, um percentual muito abaixo das congêneres internacionais. A Exxon tem 86%; a Valero, 95%; a Shell e a ConocoPhillips, 70%, por exemplo. “Até 2015, chegaremos a 59% da capacidade total e pretendemos aumentar para 74% até 2020 esse indicador”, afirmou Costa, atribuindo esse atraso às administrações anteriores que investiram pouco na qualidade dos combustíveis.

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    Gráfico 4 – Expectativa de evolução das vendas – Clique para ampliar

    Com isso, depois de 2014, toda a gasolina refinada pela Petrobras terá o máximo de 50 ppm de enxofre. No caso do diesel, a mudança será mais complexa. Atualmente há três níveis de qualidade desse derivado no país. O melhor deles, o S-50 (50 ppm de enxofre), é destinado apenas à frota de ônibus das regiões metropolitanas. O S-500 é o diesel vendido nos postos de abastecimento das regiões metropolitanas. O S-1800 é comercializado fora das regiões metropolitanas. “Depois da conclusão dos investimentos em 26 unidades de conversão, em 2014, só teremos o S-10 e o S-500 no mercado nacional”, explicou Costas.

    A mudança da qualidade do diesel precisa ser acompanhada por uma evolução nos motores a diesel, que precisam adotar o padrão de emissão Euro V, que será obrigatório a partir de 2012.

    No rol dos derivados importados, chama a atenção o caso dos óleos básicos lubrificantes, cuja importação vem crescendo nos últimos anos. Em 2010, foram trazidos do exterior 654 mil m³ desses óleos, contra uma capacidade de produção de 840 mil m³/ano. O projeto do Comperj abriga uma unidade de óleos básicos do grupo II, indicados para a produção de modernos lubrificantes automotivos, agregando 400 mil m³/ano à capacidade nacional instalada. Essa fábrica tem inauguração prevista para 2016.

    Além disso, a área de abastecimento da Petrobras também vai investir cerca de US$ 4,8 bilhões na ampliação de sua frota naval para óleo cru e derivados (operada pela Transpetro), dentro dos programas Promef I e II. Até 2015 serão adicionados 49 navios de transporte de diversos portes, com destaque para 14 Suezmax (150 mil toneladas de porte bruto cada), com o total de 15 milhões de barris a mais na capacidade de carga.

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    Gráfico 5 – Consumo nacional pede novas refinarias – Clique para ampliar

    A estatal também investirá na construção e ampliação da infraestrutura logística necessária para receber óleo cru e também exportá-lo, um dos objetivos da exploração do pré-sal. Os investimentos logísticos também abrangerão a construção de um duto entre Jataí-GO e Paulínia-SP para escoamento de etanol, projeto do qual a estatal detém apenas 20% do capital. Álcool oriundo de Presidente Epitácio-SP chegará a Anhembi-SP pela Hidrovia Tietê-Paraná, seguindo de lá por duto até Paulínia, de onde sai um etanolduto para o Terminal de Ilha d’Água, no Rio de Janeiro, para exportação. Outro duto está sendo construído entre Paulínia e Caraguatatuba-SP.

    Para a área petroquímica, a Petrobras reservou investimentos de R$ 3,8 bilhões a serem divididos principalmente entre o Comperj e o polo de Suape. Neste último, aliás, aguarda-se para o final do ano a conclusão da fábrica para 700 mil t/ano de ácido tereftálico purificado, que alimentará a produção de poliéster (PET) para o setor têxtil e para a produção de embalagens (garrafas). O Comperj tem horizonte mais dilatado e ainda depende de determinação das empresas que atuarão na produção de resinas termoplásticas e de outros projetos a jusante.

    Novidade no gás– A novidade da área de gás e energia da Petrobras, anunciada com o Plano de Negócios 2011-15, foi a decisão de construir um duto para transportar o gás natural extraído do pré-sal diretamente para a região do Comperj. Lá o etano alimentará um cracker para produzir eteno. Com isso, a estatal suspendeu o plano de operar uma unidade flutuante de operação e armazenamento (FSO) para os campos de gás do pré-sal.

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    Foster: gás do pré-sal terá duto para chegar ao Comperj

    “A decisão de construir o duto foi tomada porque o Comperj quer o etano do pré-sal para uso petroquímico; e se fosse adotado o FSO grande parte do etano seria perdida”, explicou Maria das Graças Foster, diretora de gás e energia. Ela confirma que a estatal recebeu três propostas comerciais para a construção da unidade de separação de gás FSO, que depois comprimiria o gás (metano) para viabilizar seu transporte por navios gaseiros. “É uma alternativa que poderá ser adotada no futuro, a qualquer momento”, comentou.

    Quanto ao corte de US$ 4,6 bilhões em seus investimentos previstos, em relação ao PN anterior, a diretora de gás e energia considerou que em 2011 será encerrado um ciclo de investimentos iniciado em 2007 para a construção e interligação da malha nacional de dutos para gás. “Agora temos quase cinco mil km de gasodutos bidirecionais, além de contarmos com dois terminais de regaseificação”, afirmou. “Como a estrutura já está pronta, está na hora de fazermos resultados para a companhia.”

    Com orçamento de US$ 13,2 bilhões para investir até 2015, a área de G&E inicia um ciclo de trabalho para garantir mercado para todo o gás associado ao petróleo que seja produzido no Brasil, especialmente nas áreas do pré-sal. Cerca de US$ 9 bilhões desse total serão destinados à construção ou ampliação de plantas termelétricas ou em fábricas de fertilizantes nitrogenados, ambos grandes consumidores de metano.

    Maria das Graças Foster informou que a oferta de gás natural no Brasil já supera a demanda em 2011, considerando o suprimento oriundo da Bolívia e a produção nacional. “No primeiro semestre, diminuímos significativamente a importação de gás liquefeito, que não está valendo a pena”, afirmou. Felizmente, o consumo do gás pelo setor siderúrgico cresceu 47% no primeiro semestre deste ano em relação ao semestre anterior.



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