Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Plano aperta os cintos, mas reforça investimentos de E&P

Marcelo Fairbanks
15 de outubro de 2011
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    As regiões Sul e Sudeste, hoje superavitárias em derivados, com a demanda de 1.384 mil bpd suprida por uma capacidade de 1.466 mil bpd, chegarão em 2015 com um ligeiro déficit, pois sua demanda crescerá para 1.675 mil contra a capacidade esperada de 1.652 mil bpd.

    Esses números só não explicam por que os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia, para não dizer toda a região Centro-Oeste, foram adicionados à demanda a ser atendida pelas refinarias nordestinas, contrariando a geografia nacional e as dificuldades logísticas a ela inerentes.

    Além disso, o conceito de refino a ser implementado nas refinarias Premium também suscitou alguma polêmica por ser inédito no país. “Buscamos o design mais competitivo para obter a melhor relação US$ por barril processado, motivo que nos levou a escolher a UOP, divisão da Honeywell, para realizar todo o projeto conceitual e a engenharia básica delas”, explicou Costa. Aliás, o projeto será um só, duplicado para o segundo trem maranhense e replicado na Premium II. “Estamos adotando o conceito de copy and paste que permite ganhar tempo e reduzir custos”, salientou. A Premium I terá dois trens de 300 mil bpd cada, enquanto a Premium II terá, por enquanto, apenas um trem de produção idêntico.

    A solicitação feita pela estatal à UOP tinha por objetivo aumentar ao máximo a produção de diesel. Para tanto, a empresa norte-americana adotou o hidrocraqueamento catalítico (HCC) do gasóleo de vácuo (resíduo da destilação a vácuo), no lugar do tradicional craqueamento catalítico fluido (FCC). O HCC prevê a quebra das moléculas pesadas com a adição de hidrogênio. Contando com várias opções de catalisadores específicos, esse processo apresenta uma seletividade maior que a oferecida pelo FCC.

    Segundo a UOP, o diesel é o derivado de petróleo com maior previsão de aumento de consumo, estimada em 60%, nos próximos vinte anos. Isso se deve ao aumento da frota de veículos alimentados por esse combustível. A companhia desenvolveu o processo Unicracking para HCC, que será combinado com o seu Unionfining para hidrotratamento (HDT) dos derivados saídos das unidades de destilação, promovendo-os a uma faixa mais elevada de qualidade (baixo enxofre). Além disso, o desenho pretende aplicar a tecnologia de campo seletivo em coqueamento retardado (Sydecsm), desenvolvido pela Foster Wheeler para converter resíduos pesados em derivados na faixa do diesel. As linhas de destilação serão desenhadas pela Process Consulting Services, em parceria com a UOP, responsável geral pelo projeto.

    Catálise importada – Uma das críticas que se faz ao modelo a ser adotado nas novas refinarias da Petrobras – e que poderá se tornar dominante no futuro, considerando que a Premium I completa será a maior refinaria da estatal – está diretamente ligada ao domínio tecnológico do processo, em especial dos catalisadores. O desenho tradicional, com FCC, já é dominado pela Petrobras, também sócia (50%) da Albemarle na Fábrica Carioca de Catalisadores S.A. (FCC S.A.), em Santa Cruz-RJ. Esse domínio tecnológico ainda está distante nas linhas de HDT e HCC, exigindo importações.

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    Gráfico 3: A partilha dos investimentos de E&P – Clique para ampliar

    “A UOP é a fornecedora líder mundial das tecnologias de HCC e HDT, bem como dos catalisadores para HCC, reforma e isomerização. Também oferecemos a tecnologia e os catalisadores de HDT para destilados por meio de uma aliança com a Albemarle e temos uma parceria bem estabelecida com a Petrobras durante os últimos dois anos para o suprimento de tecnologia e catalisadores para várias unidades de hidrotratamento de gasolina”, explicou David Low, diretor de vendas para a América Latina da Honeywell UOP.

    Segundo o executivo, a UOP tem uma participação muito ativa no segmento brasileiro de refino, reforma catalítica, projetos de HDT de leves e diesel. Ele também informou que a companhia não fornece catalisadores para FCC, embora elabore projetos dessas unidades com tecnologia própria, além de fornecer equipamentos especializados para essas linhas, como distribuidores de alimentação, dispositivos de retirada de catalisadores gastos, resfriadores e separadores de terceiro estágio. “Fazemos a avaliação de catalisadores de qualquer fornecedor em uso nos FCCs com tecnologia UOP e gostaríamos de apoiar a Petrobras na avaliação de desempenho dos seus catalisadores de FCC para atender aos requisitos atuais”, comentou Low.

    Atento à expansão de refino na América do Sul, o diretor de vendas considerou que a possibilidade de instalar uma unidade de produção de catalisadores para esse setor no Brasil merece ser bem estudada pela UOP. “Estamos sempre procurando estratégias de negócios que ofereçam as melhores respostas às necessidades dos nossos clientes e contar com produção local poderia contribuir com vantagens econômicas para os refinadores de petróleo tanto no Brasil como em toda a região”, afirmou Low.

    Combustíveis menos sujos – Depois da construção de novas refinarias (50,1%), a maior fatia do orçamento de US$ 70,6 bilhões da área de abastecimento até 2015 será destinada aos projetos para melhorar a qualidade dos combustíveis produzidos no Brasil (23,9%, ou US$ 16,9 bilhões), em especial a gasolina e o diesel. Dessa forma será possível atender aos requisitos legais vigentes no Brasil. Embora a queima de combustíveis sempre resulte na emissão de poluentes, a remoção do enxofre permitirá melhorar a qualidade do ar nas cidades e reduzir a ocorrência de chuvas ácidas.



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