Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Plano aperta os cintos, mas reforça investimentos de E&P

Marcelo Fairbanks
15 de outubro de 2011
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    A companhia também pretende investir pesado nos projetos dos campos ligados à cessão onerosa. Nesse caso, como o valor da participação governamental já foi antecipadamente recolhido, espera-se obter uma remuneração final maior. Saliente-se, porém, que se a produção alcançada for superior à adquirida pela estatal, será necessário remunerar a União pela diferença. O ajuste se dará no sentido inverso, caso esses campos produzam menos do que o esperado.

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    Gráfico 1: Participação de E&P cresceu no pn 2011-15 – Clique para ampliar

    Nos blocos da cessão onerosa, a Petrobras deve perfurar dez poços exploratórios, o mínimo previsto no contrato, com a entrada em produção de um FPSO em 2015, com capacidade para 150 mil boed. A empresa também pretende mapear todas as oportunidades de exploração situadas próximas da infraestrutura existente, por meio do Projeto Varredura, iniciado em 2009. Apenas nas Bacias do Espírito Santo e de Campos, a Petrobras mapeou 284 prospectos, com expectativa de produção futura de 2.235 milhões de barris de óleo.

    A companhia também investe em novas tecnologias para ampliar a produção em campos em início de declínio, além de buscar melhores índices de custos e desempenho ambiental. Desse modo, estão sendo desenvolvidos sistemas submarinos de bombeio e de separação de gás e água. Dessa forma, instalações colocadas no fundo do mar permitem bombear para as plataformas na superfície apenas o óleo e o gás natural que a empresa pretenda aproveitar. A água e o gás excedentes podem ser imediatamente reinjetados nos poços, sem que a plataforma precise lidar com eles. Alguns desses dispositivos estão em operação, outros devem ser aplicados nos próximos anos.

    Os resultados da aplicação dos conhecimentos desenvolvidos pela Petrobras permitiram reduzir em 15% o número de perfurações para estabelecer a produção nos campos em relação ao previsto no PN anterior. Comparado aos índices de 2006/2007, o tempo médio necessário para perfurar um poço foi reduzido em 44%. Ao todo, a execução das atividades de E&P previstas no Plano Nacional do Pré-Sal (Plansal), de 2008, puderam ser reduzidas em 45% mediante o aproveitamento da tecnologia desenvolvida nessa área.

    Todo o esforço exploratório a ser empreendido pela estatal se traduz em números grandiosos. O número de sondas de perfuração, por exemplo, precisará ser duplicado até 2015. Segundo Gabrielli, em dezembro de 2010, a companhia operava 15 sondas especiais (próprias ou contratadas) para perfurar em águas profundas (mais de 2.000 m de lâmina de água). Até 2015, esse número deve subir para 37. E, em 2020, serão 65 dessas sondas em operação no país, apenas da Petrobras.

    Isso também exigirá aumentar a estrutura de produção. As plataformas flutuantes passarão de 44, em dezembro de 2010, para 94, em 2020 (61 até 2015). Os tipos fixos de jaqueta e TLWP, que hoje são 78, chegarão a 83 em 2020. Esse avanço também repercute em toda a frota de apoio. Grande parte dos contratos já está em execução, explicando o forte movimento dos estaleiros nacionais.

    Além de prover uma estrutura física robusta, a Petrobras também precisa ampliar seus quadros profissionais em todos os níveis, especialmente na área de E&P. Atualmente, a companhia conta com o total de 85.417 funcionários (na controladora e subsidiárias controladas), dos quais 46% têm mais de 20 anos de serviços prestados e 51% não completaram dez anos na companhia. A previsão da estatal é chegar a 2015 com um quadro de 103.300 empregados em todo o sistema. Desse total, mais de 30 mil pessoas estarão atuando em E&P.

    Abastecimento refinado – Os planos da Petrobras para produzir mais de seis milhões de barris de óleo equivalentes por dia (boed) a partir de 2020 implicam a necessidade de investir em uma robusta estrutura logística, bem como em um parque refinador, pelo menos na quantidade suficiente para abastecer o mercado interno, que atualmente compra no exterior um volume complementar de derivados (gasolina e óleo diesel).

    “Vamos ampliar em 395 mil barris por dia a capacidade de refino no Brasil até 2015 e, entre 2016 e 2020, fazer nova ampliação, dessa vez de 1.065 mil bpd”, afirmou Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras. Para tanto, o PN 2011-15 reservou US$ 35,4 bilhões. Além de aumentar a capacidade de refino em um ritmo de matar as saudades da década de 70, a estatal também pretende modernizar as instalações em operação, implantando unidades de hidrotratamento (HDT) de gasolina e diesel, além de investir em unidades de coqueamento retardado para processar materiais mais pesados, que custarão outros US$ 16,9 bilhões. Por sua vez, as atividades logísticas receberão investimentos de US$ 17,6 bilhões até 2015.

    Ao mesmo tempo, outros projetos de dowstream serão igualmente desenvolvidos, como a atividade petroquímica nas áreas de Suape-PE e do Comperj, em Itaboraí-RJ. Há a expectativa até de investir em biopolímeros, segundo Costa. Essas atividades devem receber perto de US$ 3,8 bilhões no período. No total, a área do abastecimento ficou com US$ 74,4 bilhões para investir até 2015.

    O PN atual foi elaborado considerando o crescimento médio anual de 3,8% no volume de derivados de petróleo vendido no Brasil entre 2010 e 2015. No período mais amplo, de 2010 a 2020, o aumento anual chegará a 4,5%, segundo as previsões da estatal. “O consumo de derivados vem subindo continuamente, acompanhando e até superando o crescimento do PIB”, afirmou Costa.

    Segundo ele, a demanda pelo QAV cresce mais que o PIB, pelo fato de a aviação comercial no Brasil ter saído de um quadro de demanda reprimida por décadas, ao absorver todo o contingente de passageiros que passou a preferir os aviões aos ônibus nos deslocamentos de longa distância. “No primeiro semestre de 2011, em comparação com o primeiro semestre de 2010, o consumo de QAV manteve ritmo forte de crescimento, e olhe que o período de comparação já foi de consumo muito alto”, aduziu. Essa demanda deve ficar ainda maior nos próximos anos, com a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, eventos que ampliarão o tráfego aéreo.



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