Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobrás: Investimentos ajustam refino para usar mais óleo nacional

Marcelo Fairbanks
14 de agosto de 2002
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    Essa reorganização tem por paradigma a formação da Braskem, a partir dos ativos da antiga Copene e das participações dos grupos Odebrecht e Mariani na área petroquímica, efetivada por assembléia de acionistas realizada em 16 de agosto último. Como resultado da integração, a Petroquisa passou a deter 11% do capital total da nova empresa. “Formamos um bloco de minoritários importantes, junto com os fundos de pensão Previ e Petros, e participamos ativamente do processo, inclusive na etapa de ajuste do valor dos ativos incorporados”, disse Fontes. “O resultado ficou bom para todos”.

    O acordo de acionistas prevê a possibilidade de a Petroquisa ampliar sua participação societária até alcançar posição paritária com os controladores (Odebrecht/Mariani). “Temos direito a exercer essa opção até abril de 2005, seja pela integração de outros ativos, ou por aporte financeiro, ou por compra de posições dos demais sócios”, explicou. O longo prazo para exercer essa opção foi explicado por Fontes como necessário para uma avaliação realista do processo de fusão. “Queremos avaliar o desempenho da nova companhia por pelo menos dois exercícios fiscais completos antes de tomar a decisão”, informou.

    Essa decisão vai influenciar os rumos da atividade petroquímica nacional. Aparentemente, o setor caminha para uma bipolarização. Um dos grupos, capitaneado pela Braskem, tende a consolidar os ativos dos pólos Nordeste e Sul. O outro conglomerado terá por base o Sudeste brasileiro, liderado pelos grupos Unipar e Suzano, incorporando a PqU e a Rio Polímeros. Atualmente a Petroquisa participa do capital das maiores empresas envolvidas. “Para nós está claro que devemos participar de apenas um desses grupos, retirando-nos gradualmente do outro”, comentou Fontes. A escolha dos parceiros será fortemente influenciada pela possibilidade de participar da gestão do empreendimento. “Nossa cultura é de receber prêmios pelo desempenho operacional, mais do que coletar dividendos”, afirmou.

    Fontes assegura que a saída da Petroquisa não acarretará retaliações por parte da Petrobrás ao grupo não-contemplado. “A Petroquisa pode concorrer no mercado, mas a Petrobrás manterá tratamento isonômico aos seus clientes, uma empresa é independente da outra”, garantiu.

    O movimento de concentração de negócios poderia tomar um rumo inesperado, agrupando todos os ativos locais em uma só companhia. Essa é uma possibilidade apenas teórica, embora representasse a formação de empresa de porte mundial e altamente competitiva. “Seria muito difícil acomodar todos os interesses envolvidos”, avaliou o presidente da Petroquisa. “Além disso, dificilmente o Cade aprovaria a fusão total, pois eliminaria a concorrência nas resinas plásticas.” Fontes considera que a posição geográfica do Mercosul acarreta um custo de frete sobre produtos importados, uma proteção natural do setor.

    A prioridade para investimentos em novos projetos é concedida para a produção de poliolefinas. A segunda opção é formada por produtos diversos, geralmente visando substituição de importações. “Uma terceira opção seriam os derivados de aromáticos, que são complementares ao refino de petróleo, especialmente como subprodutos da unidade de reforma”, comentou. Já investimentos na área da química fina estão descartados.



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