Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobrás: Investimentos ajustam refino para usar mais óleo nacional

Marcelo Fairbanks
14 de agosto de 2002
    -(reset)+

    O programa de investimentos, combinado com o aprimoramento das operações, permitirá reduzir o custo médio de refino da Petrobrás. Em 1998, eram gastos US$ 1,66 por bbl refinado, valor abatido para US$ 0,97, em 2001. A projeção atual da companhia para 2005 indica custo médio de US$ 0,85/bbl, altamente competitivo em relação aos indicadores mundiais. Também o downstream das refinarias receberá investimentos de US$ 1,3 bilhão para reduzir a produção de efluentes líquidos e abater as emissões atmosféricas, além de aumentar a segurança operacional das unidades produtivas e dos oleodutos. “Todas as refinarias da Petrobrás estão certificadas nas normas ISO 9000, ISO 14000 e ISO 18000”, comentou Manso.

    Química e Derivados: Petrobrás: petro06.Além das instalações nacionais, no total de 1.931 mil bpd, a Petrobrás também controla três refinarias no exterior, com capacidade total de 90 mil bpd, dos quais 60 mil na Bolívia e 30 mil bpd na Argentina. A companhia está adquirindo mais duas refinarias argentinas, no total de 76 mil bpd adicionais. “A Petrobrás tem competência para atuar em todas as fases do setor, do poço ao posto, e queremos operar de forma integrada também nos países do Cone Sul”, explicou Manso. “Só não faremos o refino pelo refino, mas investiremos onde for preciso para integrar a cadeia de valor.”

    Produção crescente – O anúncio oficial da contratação do estaleiro Jurong para executar a conversão do navio petroleiro (um VLCC, de very large crude carrier) Felipe Camarão em plataforma do tipo FPSO (floating, production, storage and offloading), a ser denominada P-50, divulgado em 6 de agosto, pelo valor de US$ 244 milhões, é apenas um dos projetos de expansão da produção de petróleo no Brasil. A P-50, quando pronta, será instalada no promissor campo de Albacora Leste. No início de agosto, a companhia encontrou novo campo gigante de petróleo (com reservas de mais de 600 milhões de barris de óleo) no litoral do Espírito Santo. Com o nome de Jubarte, a nova área oferece óleo com 17ºAPI.

    A Petrobrás pretende aplicar aproximadamente US$ 20 bilhões na área de exploração e produção de petróleo no País até 2007, segundo dados da Onip. Além disso, no mesmo período, as mais de 40 empresas estrangeiras que operam no segmento devem aplicar outros US$ 4 bilhões. “Uma previsão realista indica investimentos totais de US$ 100 bilhões em petróleo no Brasil nos próximos dez anos”, afirmou Maurício Alvarenga.

    Química e Derivados: Petrobrás: petro07Outras licitações de envergadura serão feitas para a compra das plataformas semi-submersíveis P-51 e P-52, para os campos de Marlim Sul (módulo 2) e Roncador (módulo 1A). Os investimentos previstos montam em US$ 1,4 bilhão e US$ 1,6 bilhão. Nesses casos, o uso de unidades de completação seca ou de petroleiros convertidos não foram aprovados técnica e economicamente, dado o alto volume de óleo e gás a ser processado (na faixa de 200 mil bpd cada), número de risers a acoplar (89 e 71, respectivamente) e lâmina d’água (1.255 m e 1.800 m). Pesou contra as alternativas a falta de experiência internacional nessas condições, o que implicaria risco muito elevado para a sua adoção.

    Química e Derivados: Petrobrás: Alvarenga - faltam duas refinarias no Brasil.

    Alvarenga – faltam duas refinarias no Brasil.

    O fornecedor dos cascos escolhido foi a norueguesa Aker, uma das poucas companhias do mundo habilitada a tal empreitada. A maior parte dos projetos será feita pela Petrobrás, cabendo a ela iniciar o processo licitatório, normalmente demorado.

    O caso mais urgente é o de Marlim Sul. A plataforma lá instalada teve a capacidade de processamento esgotada com a interligação de apenas um terço dos poços previstos.  Geralmente, a engenharia de reservatório é precisa e acerta o volume estimado da produção”, afirmou Maurício Alvarenga. “Mas Marlim Sul apresentou resultados surpreendentes, com poços produzindo 40 mil bpd.”

    As licitações feitas pela Petrobrás despertam sentimentos fortes entre os fornecedores locais e estrangeiros. Historicamente, a estatal sempre apoiou a indústria nacional de bens e serviços, tendo sido responsável por boa parte do avanço técnico e qualitativo de vários produtos. Porém, desde que a empresa fortaleceu sua faceta privada (formalmente, é uma empresa de economia mista), o compromisso com a rentabilidade a levou a buscar novas fontes de suprimentos, orientadas para a redução de custos.

    Alvarenga mantém opinião pessoal sobre a questão do índice de nacionalização mínimo dos projetos. “A Petrobrás, como qualquer companhia, precisa ser competitiva mundialmente e deve buscar sempre as melhores condições econômico-financeiras”, disse. “Porém, como em qualquer empresa do mundo, o sócio majoritário pode promover algumas exigências.” Dessa forma, no entender do especialista, a estipulação de índices mínimos de nacionalização das encomendas deveria ser feita pelo Estado brasileiro, representado pelo governo federal. Aliás, o País já ofereceu uma cota de sacrifício, por meio de várias formas de renúncia fiscal, necessárias para estimular o setor.

    A encomenda da P-50, por exemplo, não exigia conteúdo nacional nenhum no edital. As negociações se estenderam por um ano e meio, e atingiram um clímax com o cancelamento do primeiro certame, vencido pela Bluewater. Nova licitação foi feita, com outras regras, permitindo melhores condições de competitividade aos fornecedores nacionais. Mesmo assim, o estaleiro Jurong venceu a disputa, contra a proposta do consórcio Fels-Setal/Technip, esta com maior conteúdo nacional. Com isso, o índice de nacionalização da P-50 chegará a apenas 48% do valor total.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *