Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobrás: Investimentos ajustam refino para usar mais óleo nacional

Marcelo Fairbanks
14 de agosto de 2002
    -(reset)+

    Dados da ANP apontam uma demanda brasileira atual por derivados de petróleo de 1,84 milhão de barris/dia, suprida pela produção local acrescida da importação de 143 mil bpd. Isso significa cobertura de demanda da ordem de 92,2%. A média considerada ideal no mundo se situa entre 80% e 90%, dada a rentabilidade de novos investimentos. Considerando uma evolução moderada na demanda, o déficit na produção local de derivados pode chegar a 822 mil bpd, com impacto de US$ 5 bilhões por ano na balança comercial. A ANP considera ideal que sejam investidos em refino de US$ 13,5 bilhões a US$ 15 bilhões nos próximos dez anos, exigindo a definição de um plano de incentivos.

    Química e Derivados: Petrobrás: petro03.O diretor da Onip não acredita que as grandes companhias internacionais de petróleo venham investir em refino de petróleo no Brasil nesse período. “Há excedentes mundiais de derivados, que tornam a atividade de refino pouco rentável no momento”, explicou. “As grandes multinacionais já detêm 38% da distribuição brasileira de derivados, elas poderiam facilmente importar diretamente esses produtos, bastando investir um pouco em terminais portuários.” Ele informou que há mais de dez anos não se constróem refinarias para exportação de derivados. Apenas há projetos em andamento na Índia e na China, ambos voltados para abastecimento local. “A ociosidade na indústria mundial de refino era de 20%, mas já caiu para os atuais 8%.”

    Alvarenga explica que o investimento em uma refinaria nova pode ser estimado em US$ 9 mil por barril de capacidade nominal, com tempo mínimo de construção de 3,5 anos. Já as revamps (ampliações de refinarias existentes) são feitas mediante a aplicação de US$ 3,5 mil a US$ 4 mil por barril adicionado à capacidade, com prazos de implantação de dois a dois anos e meio. O diretor Rogério Manso concorda com a existência de oferta abundante de derivados no mundo, fazendo com que as companhias vendam produtos a preços muito baixos para manter ocupadas as capacidades de processamento e diluir custos fixos. No entanto, ele discorda sobre a atratividade do mercado nacional. “O Brasil tem características singulares que sinalizam para investimentos estrangeiros na área de refino”, afirmou.

    Química e Derivados: Petrobrás: Manso - US$ 4,9 bilhões desencadeiam corrida ao refino.

    Manso – US$ 4,9 bilhões desencadeiam corrida ao refino.

    Ele caracterizou a situação brasileira em quatro pontos. Inicialmente, é preciso considerar que o País representa grande mercado para derivados de petróleo e gás natural, com área territorial ampla, sem restrições internas ao tráfego de produtos. Esse mercado apresenta taxas de crescimento muito superiores à média mundial, só superadas pela Índia e China. É preciso considerar que a produção nacional de petróleo, feita principalmente pela Petrobrás, mas também por mais de 41 empresas internacionais que participaram dos leilões de blocos de exploração promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), apontam para a auto-suficiência em 2005. “Saliento que a maior parte dessa produção está na região Sudeste, também a principal área consumidora de derivados, contando com logística muito favorável”, afirmou. O último aspecto que diferencia a situação brasileira é a localização geográfica, distante das regiões mundiais exportadoras de derivados, como o Golfo do México. “O custo do frete acaba compensando a falta de proteção alfandegária”, explicou.

    Manso ressalta que, por força dos acordos firmados no âmbito do Mercosul, desde janeiro deste ano todas as importações de derivados de petróleo, inclusive gasolina e diesel, tiveram zeradas as alíquotas do imposto de importação.

    Tendo por meta a obtenção de resultados, é preciso conciliar o investimento em novas capacidades de refino com os preços internacionais dos derivados. “Ao longo da década, deve haver alguma melhora nas margens de lucro da atividade de refino, que hoje ficam abaixo de US$ 1 por barril”, comentou Manso.

    Química e Derivados: Petrobrás: petro04.Outros estímulos já se apresentam, como a redução de tributos oferecida pelos Estados do Rio de Janeiro e do Ceará para novas instalações de refino. O diretor de abastecimento informa que o governo federal também estuda incentivos para a atividade.

    A importação de derivados por parte da Petrobrás deve chegar a US$ 2 bilhões neste ano. Segundo o diretor, não há risco de desabastecimento, pois as muitas refinarias existentes estão fazendo, aos poucos, desengargalamentos (DBNs), aumentando gradualmente a oferta mundial de derivados. As previsões da estatal garantem que o abastecimento de derivados será tranqüilo pelo menos por mais dez anos. “Pode acontecer que sejam construídas refinarias na Venezuela ou em algum país do Caribe, com volume capaz de refrear investimentos no Brasil”, considerou. Apesar disso, o diretor reafirma a existência de boa oportunidade para construir nova capacidade em refino de petróleo no Brasil, com reflexos positivos para a exportação de derivados e no estímulo aos investimentos a jusante.

    A previsão da Petrobrás não inclui as importações de nafta realizadas pelas centrais petroquímicas, que correspondem a quase um terço do material consumido no Brasil. Copene e Copesul já realizam essas operações, possuindo instalações próprias para descarga e transporte do porto até os fornos de pirólise. As duas centrais e também a Petroquímica União foram autorizadas pela ANP para comercializar livremente as correntes obtidas, entre as quais constam gasolina automotiva e GLP. “O mercado está aberto, o que é muito bom para todos”, comentou Manso.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *