Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Estimativa de grandes reservas na região do pré-sal faz governo propor mudanças no marco regulatório

Bia Teixeira
17 de outubro de 2009
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    Será a primeira unidade de refino a receber uma carga 100% de petróleo pesado (40% a 50% da Venezuela e o restante de óleo nacional), além do Comperj, que processará óleo pesado para gerar produtos petroquímicos. A refinaria, que ocupa uma área total de 6.300.000 m² e vai empregar, quando em operação, 1.500 profissionais, produzirá GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha), nafta petroquímica, diesel, bunker (combustível para navios) e coque, com vistas a atender principalmente o mercado local e complementar o abastecimento das regiões Norte e Nordeste. Será a quinta maior em capacidade, depois da Replan (365 bpd), Rlam, Revap (251 bpd) e Reduc (242 bpd).

    Química e Derivados, Replan, Petrobras

    Replan, em ampliação, concluiu unidade de propeno

    O fato é que ela marca também a desconcentração do refino das regiões Sul e Sudeste, que abrigam mais de 70% da capacidade instalada, com quatro refinarias em São Paulo, uma no Rio, outra no Paraná e uma no Rio Grande do Sul, sem contar a mineira Regap, com 151 bpd. E está localizada estrategicamente no Complexo Industrial e Portuário de Suape, no município de Ipojuca, região metropolitana de Recife, onde além da indústria química e petroquímica, segue em ritmo acelerado a construção do maior estaleiro das Américas, o Atlântico Sul.

    Na esteira deste empreendimento estão outras três unidades: a Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC) e duas refinarias Premium, nos estados do Maranhão e do Ceará, ainda sem local definido. A Petrobras fez uma parceria com a empresa japonesa Mitsui & Co. LTD. para realizar estudos conjuntos que facilitem a análise da viabilidade de implantação da unidade cearense. Outro memorando, desta vez com a Marubeni Corporation, vai avaliar o projeto da Refinaria Premium 1, no Maranhão.

    A única que começa a sair do papel é a RPCC, que vai operar após as adequações nas instalações já existentes no Polo Industrial de Guamaré-RN, onde já é produzido GLP, conhecido como gás de cozinha, diesel e querosene de aviação (QAV). O governo do Rio Grande do Norte concedeu, nos primeiros dias de outubro, licença para o início das obras de ampliação da planta, que passará a produzir gasolina e diesel com qualidade internacional, além de nafta petroquímica, já no próximo ano.

    Ainda que vá se tornar apta a refinar petróleo pesado e leve, na primeira fase vai processar apenas o petróleo extraído na bacia potiguar, com capacidade de processamento de 30 mil bpd. Com a produção de 4,5 mil barris diários de gasolina, o estado se tornará autossuficiente no combustível.

    A unidade potiguar é uma das cinco unidades de refino projetadas pela Petrobras para elevar sua produção em 1,2 milhão de barris/dia até 2015. Atualmente, a capacidade de refino da estatal no país é de 1,9 milhão bpd, volume superior à demanda nacional de derivados, atualmente em torno de 1,8 milhão de barris/dia. Várias refinarias estão em obras de ampliação e modernização, como a Repar (R$ 7,2 bilhões, em torno de US$ 3,8 bilhões), no Paraná, onde a Petrobras tem o maior campo de obras do estado, e a Replan, em São Paulo (US$ 3,5 bilhões até 2013), entre outras. Somente na área industrial vão produzir coque de petróleo, propeno, hexano, gasolina, diesel e gás de cozinha.

    A expansão da capacidade de refino é mandatória para fazer frente ao aumento de produção, embora hoje as refinarias ocupem menos de 90% da capacidade instalada. Por enquanto, o que se observa é que o parque de refino da Petrobras teve um aumento de mais 200 mil barris em sua capacidade, mais por conta da aquisição de refi naria no exterior. Em carga processada, a variação também é pequena, tendo passado de 1.891 mil bpd em 2006 para 2.044 mil bpd no ano seguinte, caindo para 1.976 mil bpd em 2008. Para este ano, a média está em 1.983 mil bpd.

    Em compasso de espera – Dos US$ 174 bilhões de investimentos previstos no Plano de Negócios 2009-2013, US$ 43,4 bilhões são para a área de Abastecimento, incluindo os empreendimentos em refino e petroquímica. O maior projeto individual de todos era, até a revisão dos investimentos da refinaria do Nordeste, o Comperj, que, por enquanto, prevê investimentos da ordem de US$ 8,4 bilhões.

    Química e Derivados, Os frutos do projeto Comperj, Petrobras

    Os frutos do projeto Comperj. Clique para ampliar.

    O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo pesado nacional, está previsto para entrar em operação em 2012. No entanto, está com somente 42% da terraplenagem concluída, depois de novo acordo feito pela estatal com o consórcio CTC (formado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht e Queiroz Galvão).

    Estima-se uma economia para o país de mais de US$ 2 bilhões/ano em divisas, graças ao maior processamento de petróleo nacional, sem a necessidade de importar óleo mais leve para o mix, e à redução da importação de derivados, como a nafta, e de produtos petroquímicos.

    A fim de ampliar sua participação na área petroquímica, a Petrobras vem fazendo algumas alterações em suas plantas de refi no. Em maio deste ano inaugurou a unidade de separação de propeno da Replan, refinaria que completou 37 anos de atividade. Foram investidos US$ 275 milhões na unidade, que produzirá 265 mil toneladas de propeno por ano, abastecendo o mercado petroquímico com o propeno grau polímero. Com demanda crescente em torno de 6% ao ano, esta matéria-prima é largamente utilizada na produção de polipropileno, resina termoplástica usada na fabricação de brinquedos, copos plásticos, embalagens para alimentos, remédios e produtos químicos. A unidade abastece a vizinha Braskem – Unidade Paulínia por meio de dutos.

    Com unidades similares nas refinarias RLAM, Reduc, Revap, Recap e Refap, a Petrobras passou a ter, com a unidade de Paulínia, uma produção de 900 mil toneladas/ ano, o que representa 37% da produção nacional. Falta ver quando o Comperj vai começar a avançar, com espírito olímpico, para mostrar, efetivamente, que poderá entrar em operação antes da Copa do Mundo. Há muito caminho a percorrer para se chegar lá.



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