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Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Estimativa de grandes reservas na região do pré-sal faz governo propor mudanças no marco regulatório

Bia Teixeira
17 de outubro de 2009
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    Refinarias complexas – Se na exploração e produção do pré-sal o ambiente é tenso, o mesmo acontece na área do refino, que perdeu espaço nas páginas dos jornais por causa do estrondo provocado pelas contínuas descobertas no pré-sal. Enquanto o parque de refino, com onze refinarias em operação, continua em obras, seja para expansão da capacidade produtiva ou modernização, os novos projetos demoram a decolar, como é o caso do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e da Refinaria Abreu e Lima. E já atraem os olhos do Tribunal de Contas da União (TCU).

    A refinaria de Pernambuco (nomeada Abreu e Lima) teve seus custos praticamente triplicados em uma revisão não anunciada, mas que estaria prevista nas entrelinhas dos planos de negócios da estatal, revistos anualmente. Esses números ganharam o noticiário quando o TCU solicitou informações sobre diversas obras, entre as quais as desta unidade.

    A primeira refinaria criada pela Petrobras em mais de duas décadas – não computando o Comperj, um ativo da área petroquímica – é fruto de uma parceria entre a Petrobras e a empresa estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, cujo contrato final ainda não foi assinado. Inicialmente, seria uma joint venture. Mas já se fala na participação majoritária da Petrobras, que pode se tornar integral (100%) caso o governo da Venezuela não cumpra o acordo.

    Esse projeto é mais conhecido como Refinaria do Nordeste, embora já existam outras em atividade na região (Lubnor, no Ceará e em Sergipe, e a baiana Landulpho Alves, a RLAM, a segunda no país em capacidade instalada, para 279 mil barris/dia).

    A previsão de investimentos era de US$ 4,06 bilhões, “com variação de -15% a +30%, com base na taxa de câmbio de R$ 2,50/US$”, de acordo com a área de Relações com Investidores da Petrobras. Com a conclusão do projeto conceitual (Fase II), no apagar das luzes de 2006, a estatal projetava a entrada em operação da unidade, com capacidade de processamento de 200 mil barris de petróleo pesado por dia, para o segundo semestre de 2010, atingindo a carga plena em 2011.

    No entanto, muita coisa mudou entre 2007 e 2009, incluindo a crise internacional. No desenvolvimento da fase de projeto básico (Fase III), o grau de defi nição dos requisitos técnicos e de planejamento do projeto foi incrementado. E muito. A capacidade de processamento foi elevada para 230 mil barris por dia (15% a mais), e as unidades foram adaptadas para atender aos novos requisitos de qualidade dos derivados. Isto é: o projeto ganhou um novo sistema de tratamento de enxofre e de diminuição de emissões de gases tóxicos.

    Com isso, o cronograma de implantação e o perfil dos investimentos sofreram alterações. O início da operação foi adiado em um ano, fi cando para 2011. O salto maior apareceu nos custos, agora estimados em US$ 12 bilhões (o triplo do inicial), com variação de -10% a +20%. Tal investimento ainda não recebeu o aval final da diretoria, que ainda quer renegociar e baixar custos. O diretor de Abastecimento,

    Paulo Roberto Costa, já alertou, no início deste ano, que alguns preços apresentados em licitações estavam acima do esperado. E vem reafirmando que a empresa “não admitiria contratações a qualquer custo”. Algumas licitações foram canceladas e novos processos licitatórios foram abertos, com a expectativa de reduzir em 30% o valor total desses pacotes. Mas o índice de possíveis reduções na obra completa não deve chegar a mais de 10%.

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    “A melhor definição do escopo técnico das unidades, o incremento do conhecimento das características do petróleo a ser processado e a análise dos resultados das simulações de refino permitiram o redimensionamento da capacidade de processamento e a identificação de alterações para otimizar o desempenho técnico e econômico da Refinaria”, informa o diretor da estatal.

    Segundo a direção da companhia, tal valor é perfeitamente compatível com os custos de construção de uma refinaria, hoje na faixa de US$ 50 mil por barril de capacidade. Na previsão inicial, essa relação era de US$ 20 mil por barril de capacidade. Pesaram nesse aumento principalmente três fatores. Primeiro, a ampliação da capacidade e a inclusão de novos sistemas para melhoria da qualidade dos derivados. Também houve um aumento significativo dos preços dos equipamentos e serviços em comparação com os originalmente orçados em função do aquecimento da indústria do petróleo, decorrente da elevação das cotações internacionais dos hidrocarbonetos ao longo dos últimos anos. Por último, a Petrobras aponta a depreciação do dólar perante o real, pois a maior parte dos investimentos contratados será feita em moeda nacional; na conversão, o montante em moeda norte-americana aumenta. Já na exploração, o problema está nos preços crescentes em dólares.

    Em meio a tantas controvérsias, no final de setembro chegou ao porto de Suape, em Pernambuco, o primeiro lote de equipamentos, vindos diretamente de Houston (Texas, Estados Unidos). São as oito dessalgadoras de 130 toneladas cada, com 4 m de diâmetro por 32 m de comprimento, que irão compor a Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) da refinaria pernambucana. Esses equipamentos têm a função de “lavar” o petróleo, sob condições controladas, para dissolver sais, diluir a água residual que vem das unidades de produção e remover parte das impurezas insolúveis em água, por sistema de arraste (separação de um componente de uma mistura por meio de uma corrente de fluido) na fase aquosa. Ou seja, irão desidratar e dessalinizar o petróleo pesado para ser refinado.

    Armazenados em local previamente preparado no terreno da unidade, embora só venham a ser instalados no próximo ano, eles começam a dar vida à imensa área terraplenada que vai abrigar a nova refinaria. Onde antes havia apenas tratores e retroescavadeiras, haverá agora movimentação de guinchos, içamentos e as operações de logística, transporte e armazenagem necessárias para dar suporte às obras.



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