Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Estatal anuncia investimentos para recuperar eficiência operacional e ampliar produção

Marcelo Fairbanks
19 de dezembro de 2012
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    A adoção de novas tecnologias também contribuirá para o aumento da produção nos campos em exploração. O sistema submarino de separação de água e óleo (SSAO) já está sendo usado em Marlim, eliminando o bombeio de água retirada com o óleo para a superfície, para posterior separação e reinjeção aos poços. “Isso nos permite liberar espaço nas plataformas para outros equipamentos, bem como reduzir o peso na estrutura”, explicou Formigli. Albacora já conta com um sistema submarino de condicionamento e injeção de água nos poços, aumentando o fator de recuperação.

    Outra tecnologia, esta aplicada em Barracuda, é o emprego de bombeamento multifásico, capaz de aumentar a pressão de injeção nos reservatórios e, assim, aumentar a vazão para a plataforma. “Essa iniciativa aumentou a produção de 15 mil para 23 mil bpd de óleo”, comentou.

    Gás e fertilizantes – A diretoria de gás e energia preservou sua fatia de investimentos no novo plano de negócios da Petrobras. No PN 2011-2015, a área teria US$ 13,2 bilhões (6% do total) para investir, valor ampliado, ligeiramente, para US$ 13,8 bilhões (5,8% do total do PN 2012-2016). Os projetos de implantação (assegurados) representam US$ 7,7 bilhões, com destaque para os investimentos para construir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas-MS. O aproveitamento químico do gás natural terá US$ 2,5 bilhões, na sua maior parte ligados a esse projeto.

    Química e Derivados, José Alcides Santoro, Diretor de gás e energia da Petrobras, Petrobras

    José Alcides Santoro: gás natural alimentará a fabricação de fertilizantes

    Investimentos em logística e processamento de gás natural consumirão US$ 1,9 bilhão (24% dos projetos em implementação), superando o montante de US$ 0,7 bilhão, a ser aplicado na geração de termeletricidade. Melhorias operacionais do setor terão investimentos de US$ 1,5 bilhão, garantidos até 2016. Entre os projetos mantidos sob avaliação (total de US$ 5,9 bilhões), a produção de fertilizantes (amônia+ureia) também se destaca, com a inclusão nesse rol da UFN-IV (Linhares-ES) e UFN-V (Uberaba-MG). Quase a metade desses projetos em avaliação é ligada à produção química. Os investimentos pesados em regaseificação de GNL, especialmente em Barra do Riacho-ES, orçados em US$ 1,3 bilhão, também disputarão verbas.

    José Alcides Santoro, diretor de gás e energia, avalia essa mudança de prioridades como uma inevitável transição de ciclo de investimentos. “Já temos um poderoso parque gerador, portanto, agora, é preciso desenvolver o uso químico do gás natural, especialmente nos fertilizantes nitrogenados, dos quais o país é importador”, comentou. Mesmo assim, a termelétrica (UTE) da Baixada Fluminense, com 530 MW de capacidade, será construída até março de 2014.

    O parque gerador da Petrobras conta com 16 UTEs próprias, capazes de oferecer 5.158 MW, além de onze participações da estatal em UTEs com carga somada de 690 MW. “Com esses 5.900 MW, somos o sétimo maior gerador de eletricidade do Brasil”, comentou. A UTE da Baixada agregará outros 530 MW e ainda há projetos (em avaliação) para quase mais 1.300 MW, na Bahia, em Sergipe e na Barra do Riacho. “Os investimentos em geração dependem do sucesso da área de E&P em disponibilizar gás natural nacional”, disse.

    Nos fertilizantes, a entrada em operação da UFN-III, marcada para setembro de 2014, vai duplicar a capacidade de produção de ureia da Petrobras, hoje de 1.109 mil t/ano, realizada em duas unidades. Com isso, a importação de ureia pelo Brasil poderá cair de 50% do consumo para 36%. A fábrica de Três Lagoas também ampliará em quase um terço a oferta de amônia da estatal para o mercado, hoje de 213 mil t/ano.

    Biocombustíveis – Atuando por meio da subsidiária integral Petrobras Biocombustíveis (PBio), a estatal praticamente manteve o volume de investimentos neste plano de negócios 2012-2016 na ordem de US$ 2,5 bilhões. Desse total, apenas US$ 1,16 bilhão representam projetos em implantação, dos quais 90% estão ligados ao etanol.

    Até 2016, a companhia espera ter ampliado sua produção de etanol no Brasil – de um milhão de m³/ano para perto de 1,5 milhão de m³/ano –, mediante ampliações de suas usinas Nova Fronteira, Guarani e Total. Entre os projetos em avaliação constam mais US$ 0,8 bilhão a serem alocados na aquisição de participações em outras usinas, agregando outros 6 milhões de m³/ano à capacidade.

    O PN 2012-2016 também prevê para 2015 o início da produção de etanol de segunda geração (obtido de palha e bagaço de cana) e de BioQAV. A estatal também desenvolve o projeto Belém, no qual constrói uma usina para 200 mil t/ano de biodiesel no Pará. Em Portugal, pretende instalar a produção de greendiesel.



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