Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Estatal anuncia investimentos para recuperar eficiência operacional e ampliar produção

Marcelo Fairbanks
19 de dezembro de 2012
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    Química e Derivados, José Carlos Cosenza, Diretor de abastecimento da Petrobras, Petrobras

    José Carlos Cosenza: refino concluiu ciclo de investimentos pesado

    Outro projeto difícil de desencravar é o do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Nascido para ser uma refinaria geradora de matériasprimas de uso petroquímico, o projeto mudou de escopo para primeiro processar óleos pesados, depois para usar óleos leves do pré-sal. Atualmente, espera-se que o primeiro trem de refino (convencional), para 165 mil bpd, entre em marcha em abril de 2015.

    O diretor de abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, explica a fatia menor do bolo atribuída à sua área pelo fato de, nesse período, estar sendo encerrado um ciclo de pesados investimentos para ampliação do parque do refino e instalação de unidades que elevaram a complexidade das refinarias existentes, com o intuito de obter derivados de qualidade superior. “Até 2016, a maior parte das refinarias já terá recebido suas unidades de hidrotratamento e de hidrodessulfurização, e duas grandes novas plantas de refino, Rnest e Comperj, estarão concluídas, requerendo menor volume de recursos financeiros”, salientou.

    Cosenza informou que a complexidade média do refino da companhia, medida pelo método Solomon, crescerá de 7,1 em 2006 para 8,3 em 2012, e para 9,6 em 2016. Com isso, o rendimento dos processos para destilados médios (diesel e querosene de aviação) vai aumentar de 41% para 50%, entre 2006 e 2016. Em contrapartida, o rendimento em gasolina cairá de 20% para 16%. O óleo combustível também será produzido em menor escala, caindo de 15% para 9% do bruto processado. Essas mudanças permitirão gerar um portfólio de derivados mais valioso e mais adequado ao perfil da demanda futura no Brasil e no mundo.

    O refino nacional tem se esforçado para suprir a demanda, mas está sendo sobrepujado por ela. Além do aumento da frota rodante, é preciso considerar a redução da adição de etanol anidro à gasolina, medida tomada neste ano para fazer frente à queda na produção de álcool no Brasil, atribuída ao clima desfavorável, porém também influenciado pela perda de interesse de investidores em ampliar a produção de um combustível cujo preço depende da cotação defasada da gasolina.

    A área de abastecimento da estatal informa que as vendas de diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV) somaram 1.487 mil bpd, em média, durante o primeiro semestre de 2012. Isso indicou um acréscimo de 162 mil bpd sobre o volume médio do mesmo período de 2011. Embora o parque nacional de refino tenha aumentado em 61 mil bpd a carga operacional média, o volume médio processado no primeiro semestre deste ano situou-se em 1.901 mil bpd. Com isso, a oferta dos três derivados mais importantes ficou em 1.301 mil bpd, abaixo da demanda, embora tenha crescido 83 mil bpd médios sobre o período de comparação. Essa diferença foi compensada com a importação de derivados. “Só com a entrada em operação da Rnest e da fase 1 do Comperj conseguiremos reduzir a importação de derivados”, apontou Cosenza. Para 2014, a estatal prevê importar quase 300 mil bpd de diesel e QAV. Em 2016, esse volume médio cairá para menos de 100 mil bpd.

    Dessa forma, ainda haveria espaço para a instalação de pelo menos mais uma unidade de refino para 150 mil a 200 mil bpd até 2020. Os planos de negócios anteriores apontavam a construção de duas refinarias Premium, especializadas em diesel e QAV, uma no Ceará e outra no Maranhão. “Esses projetos não constam do PN 2012- 2016 porque seu horizonte temporal está além de 2017; e é possível que eles voltem a ser indicados nos próximos planos”, explicou Cosenza.

    Química e Derivados, Consumo de derivados tende a crescer (em mil bpd), Petrobras

    Consumo de derivados tende a crescer (em mil bpd). Clique para ampliar.



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