Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Estatal anuncia investimentos para recuperar eficiência operacional e ampliar produção

Marcelo Fairbanks
19 de dezembro de 2012
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    Químcia e Derivados, Almir Barbassa, Diretor financeiro da Petrobras, Petrobras

    Almir Barbassa: companhia não vai emitir mais ações no mercado

    No entanto, sem poder aumentar os preços dos derivados que produz, a estatal pode postergar seus projetos de investimento. Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, os investimentos de US$ 246 bilhões serão bancados pela geração de caixa da companhia, avaliada em US$ 136 bilhões até 2016, complementada pelos US$ 15 bilhões a serem obtidos com a venda de ativos (farm out de campos de exploração, por exemplo), e por outros US$ 15 bilhões advindos da liberação de recursos usados em garantia para outras operações (como o suporte ao fundo de pensão dos funcionários). Faltam US$ 80 bilhões para fechar a conta. Esses recursos poderão ser captados como empréstimos ou, melhor ainda, ser em parte bancados pela correção dos preços dos derivados. “A companhia não vai emitir novas ações nem adotar práticas que possam retirar dela a classificação de grau de investimento”, salientou Barbassa. A estatal também reafirmou a meta de manter a relação dívida líquida/Ebitda abaixo de 2,5; e alavancagem menor que 35%.

    Depois de registrar prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2012, a Petrobras anunciou medidas para recuperar sua rentabilidade. A companhia iniciou em junho estudos profundos sobre suas operações, mediante os quais identificou 28 oportunidades de reduzir custos sem comprometer a produção, ou seja, ganhar eficiência. Nesse sentido, a diretoria anunciou em outubro as etapas de implementação do Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop).

    “Estimamos que 30% do desembolso anual em operações possa ser manejado, mediante ajustes nos ativos, como plataformas e refinarias, ou em estoques, logística e outros aspectos”, avaliou Graça Foster. Essa parcela não inclui a compra de matéria-prima e derivados, depreciação e amortização e participações governamentais (consideradas não-manejáveis). Como a estatal registrou despesas operacionais de R$ 199 bilhões em 2011, pode-se imaginar um potencial para corte de custos de R$ 63 bilhões por ano.

    Serão divulgadas em dezembro as metas oficiais do Procop, com início de implementação marcado para janeiro. Com isso, a estatal deverá priorizar atividades, ampliar sua produtividade e reduzir custos unitários em suas bases operacionais, envolvendo exploração, produção, abastecimento, gás/energia, suprimento de materiais, estoques de peças, combustíveis e tecnologia da informação.

    A parte do leão – A divisão do bolo de investimentos anunciados no PN 2012-2016 preservou e ampliou as verbas para a área de exploração e produção de óleo/gás. O PN anterior destinava para essas atividades US$ 127,5 bilhões, uma fatia de 57% do total. O PN atual prevê alocar 60% do total em E&P, ou US$ 141,8 bilhões. Quando se olha para os projetos em implantação, o percentual de E&P sobe para 65,8%.

    Quem ficou com fatia menor foi a área de abastecimento (refino, transporte e comercialização). No PN anterior, ela receberia US$ 70,6 bilhões, ou 31% do bolo. Agora, entre 2012 e 2016, deve se contentar com US$ 51,7 bilhões, 24,8% do total. Ao mesmo tempo, sua participação no rol dos projetos em avaliação é de 50%, com valor de US$ 13,9 bilhões. Os projetos de E&P classificados “em avaliação” somam apenas US$ 4,6 bilhões, ou 17% do bolo dos projetos ainda em estudos.

    A área do abastecimento abriga os projetos mais criticados da estatal. A Refinaria Abreu e Lima, mais conhecida como Rnest, em Suape-PE, tinha orçamento de US$ 2,8 bilhões em seu projeto inicial, anunciado em setembro de 2005, com previsão de iniciar operações em novembro de 2011.

    Até o momento, as obras não foram concluídas. A estatal avaliou o projeto em junho deste ano e espera concluir o primeiro trem de 115 mil bpd até novembro de 2014, quando terá nele investido o total de US$ 17 bilhões. O segundo trem, de capacidade idêntica, ficará pronto em maio de 2015. E ainda há queixas de fornecedores que exigem receber mais US$ 3 bilhões.

    Química e Derivados, Plataformas adicionais sustentam curva de produção, Petrobras

    Plataformas adicionais sustentam curva de produção. Clique para ampliar.



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