Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Barreiras externas e internas emperram plano de recuperação

Bia Teixeira
18 de março de 2016
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    Marcos que Solange Guedes fez questão de destacar durante a OTC Brasil 2015, terceira edição do evento internacional, que foi realizado pela primeira vez fora dos Estados Unidos há quatro anos, no Rio de Janeiro. Ela elencou, primeiro, a redução de custos e de tempo que a empresa vem assegurando em atividades chaves.

    Desde 2010, a estatal conseguiu diminuir em mais de 50% o tempo de construção dos poços do pré-sal. Baixou também o custo de produção (lifting cost) por barril nesta fronteira – está em torno de US$ 9, em comparação com a média das principais oil companies do mundo, que é de US$ 15. Ela destacou ainda a alta eficiência operacional, de 92,4%, na média dos últimos três anos (meta defendida pela ex-presidente Graça Foster).

    Pré-sal é crucial – “A Petrobras atingiu uma combinação única de custos, produtividade e eficiência. Como consequência, um portfólio muito competitivo”, foi o recado da executiva, que fez questão de destacar a alta produtividade dos poços do pré-sal, que possibilitou à companhia triplicar a produção na região em 30 meses.

    Ela frisou que a produção de óleo e gás natural operada pela Petrobras no pré-sal se manteve acima de 1 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boed, inclui gás natural) em setembro, com produção média de 1,028 milhão de boed. “Tivemos um recorde histórico de 1,12 milhão de boed no dia 15 de setembro”, comemorou.

    Neste mesmo 15 de setembro, foi batido novo recorde diário de produção operada de petróleo no pré-sal, com 901 mil barris por dia (bpd). Ao longo desse mês, a produção média de óleo operada no pré-sal foi de 828 mil bpd, cerca de 40% dos 2,06 milhões de bpd produzidos no país pela estatal no mesmo mês – o que representou uma redução de 6,7% em relação a agosto (2,21 milhões de bpd). A queda se deveu, segunda a petroleira, a paradas programadas de grandes plataformas, com destaque à P-52, para manutenção. O volume de óleo médio extraído nos nove primeiros meses de 2015 é de 2,13 milhões de barris de petróleo por dia (bpd).

    Segundo dados da Petrobras, que ainda não fechou os números de outubro, a produção média de petróleo e gás natural no Brasil e no exterior somaram 2,72 milhões de boed em setembro – abaixo do recorde histórico registrado em agosto, quando esse volume alcançou 2,88 milhões boed. Já a produção de gás natural, excluído o volume liquefeito, foi de 75,0 milhões de m³/dia – contra 77,2 milhões de m³/dia em agosto. Números que estão ameaçados pela paralisação.

    Nos dois primeiros dias da greve, a petroleira contabilizou uma queda de produção de 273 mil barris de petróleo, o que corresponde a 13% da produção diária no Brasil. Segundo a Petrobras, 7,3 milhões de metros cúbicos de gás natural deixaram de ser disponibilizados para o mercado, o que equivale a 14% do gás ofertado diariamente.

    Mais impactos – Com a perda de produção, também será reduzida a arrecadação de tributos recolhidos em favor da União Federal, estados e municípios, como os Royalties e a Participação Especial. Ou seja: novo percalço na economia dessas regiões que contam com esses recursos. Por enquanto, não há sinais de risco de desabastecimento, de acordo com a estatal. Mas isso vai depender de como Bendine vai conduzir essa negociação.

    No início de outubro, na tentativa de atenuar o clima de descontentamento, ele destacou o papel dos funcionários na trajetória da empresa, ao comemorar os 62 anos da Petrobras, no dia 3 daquele mês. Segundo ele, “a companhia segue como símbolo da imensa capacidade de realização e de superação dos brasileiros. Essa condição especial não teria sido alcançada sem a dedicação e o empenho dos funcionários ao longo deste período”, declarou o executivo em teleconferência para todas as unidades da petroleira.

    Ele reconheceu que a empresa passava por um momento de desafios e de grandes aprendizados. “Para nós, da diretoria da empresa, é inspirador ver o trabalho cotidiano de todos que fazem parte da Petrobras, com a missão de tornar a empresa cada vez mais sólida e transparente, para seguir em frente de forma sustentável, em um cenário de dificuldades para toda a indústria de petróleo. Com a competência e o engajamento de cada um, não tenho dúvidas de que vamos superar os obstáculos e alcançar nossos objetivos”, afirmou. Os petroleiros ouviram. Mas decidiram cruzar os braços.



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