Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras – Barreiras externas e internas emperram plano de recuperação

Bia Teixeira
18 de março de 2016
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    Resistência interna – Sanear as finanças da empresa e reduzir o endividamento é uma das prioridades de Bendine. Mais do que isso, é a missão que lhe foi conferida quando nomeado presidente da petroleira, mesmo sem consenso nas hostes governamentais e nos partidos políticos. Para ter sucesso nessa tarefa, não basta sua experiência no setor financeiro nem tampouco o voto de confianças dos ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga, e da Fazenda, Joaquim Levy.

    Bendine precisa conseguir o apoio e consenso do conselho de administração e também dos principais dirigentes e gerentes executivos da estatal, funcionários de carreira que defendem seus projetos a unhas e dentes (principalmente na área de exploração e produção).

    Desfalcados em suas áreas, muitos gerentes e lideranças corporativas ressentem-se das medidas adotadas por Bendine sem ouvir todas as partes interessadas. Daí a resistência interna cada vez maior ao atual presidente, que tem na greve mais uma oportunidade para mostrar sua capacidade de gerenciar crises, dessa vez no âmbito interno.

    A extinção de cargos gerenciais (e, consequentemente, de bônus salariais pelas funções) e a redução da jornada de trabalho são os motivos pecuniários por trás da greve geral dos petroleiros. Mas também há as tradicionais bandeiras em defesa da companhia, que tem sido a força motriz de boa parte da economia do país.

    Ficou no papel – O programa de desinvestimento, que estabeleceria, entre outras ações, quais os ativos a serem vendidos, tropeça em algo muito maior: uma decisão política, de Governo. Em agosto, no dia 24, o Diário Oficial da União, publicou medida conjunta dos ministérios de Minas e Energia (MME) e da Fazenda, criando um grupo de trabalho para estudar impactos da venda de ativos da Petrobras.

    Dois meses e meio depois, não se tem notícias desse grupo de trabalho que, a princípio, seria formado por quadros dos dois ministérios, a despeito de tentativas de partidos do governo e da oposição de indicarem pessoas de sua confiança. Os ministérios defendem que os trabalhos devem ser feitos por técnicos qualificados para esse fim e não por assessores políticos.

    Tampouco há informações se foram realizadas reuniões de trabalho, adiadas mais de uma vez por viagens dos dois ministros. O mote do grupo de trabalho perdeu força devido à queda nos preços das ações da companhia, que levaram inclusive ao adiamento de uma venda inicial de ações (IPO) da Petrobras Distribuidora.

    Parte invisível – Na avaliação de técnicos do governo, seria considerável o impacto da venda de parte da distribuidora, com uma rede de aproximadamente 8 mil postos distribuídos em todo o país (parte própria e parte de parceiros), representando em torno de 30% do mercado.

    Some-se a isso a parte que não é tão visível da distribuidora, mas que responsável por uma parcela enorme do faturamento: o mercado consumidor. Mais da metade dos quase 58 milhões de m3 em produtos (combustíveis e derivados automotivos) comercializados no ano passado, cerca de 30 milhões, foram para frotas públicas e privadas, de transporte de carga e passageiros, além do atendimento direto a grandes grupos industriais de vários segmentos (mineração, automotivo, agronegócio etc.).

    A empresa também tem negócios na área de asfalto – é a maior fornecedora individual desse item, para as três instâncias de governo (federal, estadual e municipal) – e na área de aviação, com presença em mais de uma centena de aeroportos espalhados pelo país, em todos os estados da federação. E ainda responde pelo gerenciamento (supply house) de boa parte dos produtos químicos utilizados pela Petrobras em suas operações de exploração e produção em todas as bacias offshore – de Santos à Sergipe-Alagoas.

    A área de asfalto é vista como um bom negócio: a empresa tem um amplo parque fabril, com sete fábricas próprias de produção e outras quatro da subsidiária integral Stratura Asfaltos (fábricas compradas da Ipiranga). Essas unidades fabris têm como principal vantagem competitiva o fato de estarem localizadas em pontos estratégicos do Nordeste (Ceará e Bahia), Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul do país (Paraná e Rio Grande do Sul). Ou seja, próximas de refinarias da Petrobras (que produzem o asfalto básico) e em regiões onde há forte demanda e concentram as principais empreiteiras que realizam obras em rodovias e vias urbanas.

    Química e Derivados, Solange: empresa não pode por em risco a sua produtividade

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    Produção é prioridade – O programa de desinvestimento e o saneamento das finanças da Petrobras são tarefas que Bendine tem de realizar sem deixar de zelar pelos ativos que geram receita para a companhia. Ou seja: pelos projetos de desenvolvimento da produção no pré-sal, que triplicou em dois anos e meio; bem como pela frota de plataformas offshore que produzem a maior parte do petróleo e gás natural da companhia. Manter os níveis de crescimento da produção é um desafio contínuo – e o core business da petroleira.

    Esse é um ponto de honra para os executivos da área de Exploração e Produção, liderados pela diretora Solange Guedes. Afinal, esta é a área que tem assegurado quase todos os maiores louros para a empresa, assim como os maiores ganhos, tanto em saltos de produção e avanços tecnológicos como também em valorização da estatal na primeira década desse século.



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