Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras 60 anos – Acúmulo de desafios exige atitudes drásticas

Bia Teixeira
5 de dezembro de 2013
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    Nas atividades de exploração, a empresa obteve melhores resultados no primeiro semestre deste ano, com um índice de sucesso exploratório de 70% (contra 64% no mesmo período de 2012) e de 100% no pré-sal (ante 82%, em 2012) – neste índice entra a descoberta de óleo de boa qualidade no Entorno de Iara (cessão onerosa). Tampouco foi dada baixa a qualquer poço seco no pré-sal (as baixas no pós-sal representam menos de um terço das 41 registradas no primeiro semestre de 2012).

    Em setembro, o gerente geral de estratégia de gestão da área de Exploração e Produção da Petrobras, Paulo Henrique Costacurta, afirmou para investidores que 43% dos recursos destinados à produção irão para os projetos do pré-sal, de um total de US$ 46,4 bilhões. Os campos do pós-sal vão receber uma injeção de US$ 34,3 bilhões.

    Os investimentos totais da área de E&P somam US$ 147,5 bilhões, segundo o plano de negócios da companhia entre 2013 e 2017. A exploração receberá no período US$ 24,3 bilhões, contra US$ 106,9 bilhões em produção.

    O grande salto das reservas – Um quarto desses quase US$ 25 bilhões será usado em uma série de atividades para delimitar as descobertas já feitas no pré-sal – este é o principal foco da petroleira brasileira até 2017, na área exploratória. E não é por menos: essas descobertas já teriam acrescentado 15,4 bilhões de barris de petróleo e gás às reservas recuperáveis da Petrobras (a próxima etapa é a comprovação deste volume, para ser agregado definitivamente às reservas provadas). Tais volumes se referem principalmente às descobertas dos campos de Lula, Sapinhoá e Franco (cessão onerosa), no pré-sal da Bacia de Santos.

    “Vamos consolidar a delimitação do pré-sal, que vai ficar com 24% dos investimentos de exploração. O maior investimento no pré-sal vai ser na produção”, afirmou Costacurta, durante seminário da Apimec/RJ, entidade que reúne agentes do mercado de capitais e investidores.

    No total, nos blocos do pré-sal já licitados, foram descobertas reservas estimadas entre 10 bilhões e 16,5 bilhões de petróleo. São de 5 bilhões a 8 bilhões de barris no campo de Tupi; de 3 bilhões a 4 bilhões de barris em Iara; e mais de 1 bilhão a 2 bilhões de barris no Campo de Guará, todos na Bacia de Santos. Já na Bacia do Espírito Santo, no Parque das Baleias, as estimativas são de reservas de petróleo entre 1,5 bilhão e 2,5 bilhões de barris.

    E mais volumes devem ser agregados em outras áreas que têm prazo até o final do ano para declaração de comercialidade. Sem falar em outras descobertas que deverão ter declarado seu potencial comercial até o final de 2017. Para se ter uma ideia do sucesso exploratório da estatal, de janeiro de 2012 a junho de 2013 a Petrobras realizou 55 descobertas, sendo 27 no mar. Dessas, segundo Costacurta, apenas 16 foram realizadas no pré-sal.

    Fora do pré-sal, os investimentos em exploração serão concentrados principalmente nas bacias de Sergipe-Alagoas, Espírito Santo, e em blocos localizados na margem equatorial e margem leste do país.

    A estatal espera dar boas-novas ao mercado antes do fim do ano sobre algumas das descobertas feitas na bacia de Sergipe-Alagoas, uma das maiores promessas fora do pré-sal. Em agosto, ela confirmou o potencial da descoberta anunciada em dezembro do ano passado no bloco informalmente conhecido como Muriú 1, na área da concessão BM-SEAL-10, blocos SEAL-M-347 e SEAL-M-424, em águas ultraprofundas da Bacia de Sergipe, da qual tem 100% de controle. O novo poço, que atingiu uma profundidade final de 5.627 metros, foi perfurado a apenas 83 km da cidade de Aracaju (e a 4,4 km do poço descobridor), mas em profundidades superiores a 2.400 metros. E constatou um reservatório com espessura de 24 metros, apresentando boas condições permoporosas.

    A comprovação da extensão deste reservatório era tudo o que a petroleira precisava para dar a partida em outras perfurações e estudos complementares, para dimensionar o potencial dessa jazida.

    Ao mesmo tempo, a Petrobras deverá declarar a comercialidade, antes de 2017, das suas descobertas na cessão onerosa. Somente em Franco, as estimativas mais conservadoras são de 5 bilhões de barris (o volume total de produção permitido à Petrobras pelos contratos de cessão onerosa).

    A superintendente de definição de blocos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Eliane Petersohn, afirmou que o pré-sal já teria 3,4 bilhões de barris de petróleo e 174 bilhões de metros cúbicos de gás natural em reservas provadas. A informação, anunciada durante os seminários Técnico-Ambiental e Jurídico-Fiscal da primeira rodada do pré-sal só aguçou os apetites.

    Com esses e outros projetos importantes que estão na reta final de avaliação de seu potencial comercial, a Petrobras tem todas as chances de mais do que dobrar as suas reservas antes mesmo do final desta década. Talvez até em 2018. E triplicar os volumes atuais no início da próxima década.

    Química e Derivados, Magda: qualidade de Libra atrai estrangeiros

    Magda: qualidade de Libra atrai estrangeiros

    Uma libra vale mais de dez bilhões – Sem falar em Libra, que será a maior disputa de todos os tempos no mercado brasileiro, no primeiro leilão do pré-sal – e o único, realizado até agora, com uma única área sendo ofertada. “Libra é muito valiosa para a Petrobras”, ressaltou Graça Foster. “A companhia sabe melhor do que qualquer outra empresa como explorar Libra, porque fomos nós que descobrimos o campo, a mais de seis mil metros de profundidade.” (ver reportagem sobre o leilão na pág. 38)

    A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, tem destacado a importância de Libra pelo mundo afora. “Libra é tão melhor que Tupi”, afirmou ela, “que, se as empresas brasileiras falharem, esse espaço será ocupado pelas estrangeiras”.

    Não é à toa que até os chineses foram atraídos por uma reserva de tal porte – 8 a 12 bilhões de barris. Daí a parceria que vem sendo alinhavada com a Petrobras para arrematar o campo de Libra. E, possivelmente, com poucos parceiros. A Petrobras sonha ter pelo menos 50%. Os chineses ficariam com os outros 50%.

    Consumidora de cerca de 10 milhões de barris/dia (o quíntuplo da demanda nacional), a China vê em Libra uma garantia de abastecimento: com um megaprojeto de desenvolvimento, com diversas unidades gigantes, poderia produzir em torno de um milhão de barris por dia até 2020.

    Graça Foster já avisou que apenas ela, o diretor Formigli e os sócios chineses conhecem os números que a empresa vai ofertar no leilão. Estariam na disputa a CNOOC (China National Offshore Oil Corporation), a que tem maior experiência em operações offshore, a CNPC (China National Petroleum Corporation) e a Sinopec (que é sócia da espanhola Repsol no Brasil).

    A estimativa do governo é de que Libra possa render até R$ 300 bilhões em royalties ao longo de trinta anos de exploração e até R$ 600 bilhões em barris de óleo na participação da União na área durante o mesmo período.

    “O campo é muito grande e vai demandar poços de até sete mil metros de profundidade”, avalia Chambriard, frisando que os desafios são enormes tanto do ponto de vista tecnológico, como operacional e logístico. “A exploração de Libra depende da colaboração entre empresas, eu diria até entre países. Parcerias tecnológicas nesses projetos fazem parte do dia a dia e geram benefícios para o Brasil”, afirmou, em audiência pública da CPI da Espionagem no Senado.



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