Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras 60 anos – Acúmulo de desafios exige atitudes drásticas

Bia Teixeira
5 de dezembro de 2013
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    O prazo final se aproxima e a dor de cabeça aumenta, por causa da dificuldade de se instalar quatro enormes boias de 2 mil toneladas que serão ancoradas no leito marinho por oito amarras (tendões tracionados) cada uma. Elas servem para minimizar o impacto da dinâmica da plataforma sobre um conjunto de 27 risers de aço em catenária (SCRs), com cerca de 3,9 km de comprimento cada, que estão conectados à FPSO por jumpers flexíveis não-ligados, vindos diretamente das árvores de natal molhadas que ficarão sobre cada um dos poços no leito do mar.

    Esses boiões evitarão que movimentos imprevistos da FPSO (com sistema de posicionamento dinâmico, DP), decorrentes de alguma falha neste sistema, possam tensionar os risers e provocar seu rompimento. As boias podem assumir diferentes posições e, assim, aliviar esta pressão, além de assegurar maior intervalo de ângulos entre eles.

    Química e Derivados, Formigli: paradas programadas ajudam a melhorar eficiência

    Formigli: paradas programadas ajudam a melhorar eficiência

    O olho do dono – Sob essa pressão toda, a presidente da Petrobras não perde o foco, reforçando sempre que todos devem estar comprometidos com a curva “S” dos empreendimentos e com a eficiência operacional. Em poucas palavras: ela quer ver cumpridas todas as metas e programas implementados para reduzir custos (incluindo o programa de desinvestimentos), aumentar a eficiência operacional e acelerar os projetos em implantação, da exploração e produção ao refino e distribuição. Ao mesmo tempo, espera que os fornecedores passem a entregar as encomendas dentro dos prazos, nos mais altos padrões de qualidade e eficácia, sem tropeços.

    Na Petrobras passou a vigorar a tese de que o olho do dono é que engorda o boi. Nunca se viu tanta gente no campo: os gerentes executivos da diretoria de Engenharia, Tecnologia e Materiais, sob o comando de José Antônio de Figueiredo, fazem marcação corpo a corpo com a cadeia produtiva, para cobrar prazos. Para tanto, gestores visitam cada canteiro de obra e estaleiro, aferindo in loco o andamento de cada projeto, sinalizando que, se o fornecedor não der resposta à altura do desafio, pode partir para outro parceiro.

    Já as equipes comandadas por José Formigli, na diretoria de Exploração e Produção (E&P), estão atentas a cada passo dado, tanto nos ativos do pós- sal como nos projetos do pré-sal. No primeiro caso, o maior desafio continua sendo a recuperação da produtividade e da eficiência operacional da Bacia de Campos.

    Já houve uma recuperação, no entanto prosseguem as paradas programadas previstas no plano de negócios. “Continuaremos a fazer paradas programadas para suportar a melhoria de eficiência”, reitera Formigli.

    Em relação aos projetos no pré-sal, o maior problema ainda são os atrasos nas unidades, por causa da “complexidade interna dos projetos”, conforme explicou o diretor de E&P da Petrobras. Além dos percalços já citados no sistema de boiões.

    Não se sabe se a estatal vai conseguir realizar o que havia prometido ao fechar o primeiro semestre, quando entraram em operação 15 poços de novos sistemas, ligados aos FPSOs Cidade de São Paulo (Sapinhoá), Cidade de Itajaí (Baúna) e Cidade Paraty (Lula Nordeste), além do Cidade de São Vicente, que fez o TLD de Sapinhoá Norte. A interligação de poços às plataformas é o primeiro passo para a produção de petróleo, uma vez que são estes dutos (risers) que transportam o petróleo dos poços no leito marinho até as plataformas.

    A promessa era de interligar nada menos que 36 poços antes do final deste ano, adicionando aproximadamente 440 mil barris de petróleo/dia à produção nacional. Mas, para isso, é preciso que as unidades estacionárias de produção (UEPs), nome técnico das plataformas marítimas, estejam nas suas locações em condições plenas de operação.

    Química e Derivados, os campos do parque das baleias ©QD

    Os campos do parque das baleias ©QD

    Sucesso exploratório – Os números da produção mostram que ainda vai demorar um pouco para a petroleira brasileira recuperar a posição alcançada em 2011, quando superou 2 milhões de barris de petróleo por dia, repetindo o feito apenas três vezes em 2012.

    Hoje, a estatal produz pouco mais de 1,9 milhão de barris de óleo/dia no país – dos quais 1,7 milhão no mar, volume inferior em até 200 mil barris ao de janeiro de 2012, ou dezembro de 2010, dois picos de produção.

    Na ponta do lápis, não haveria grandes diferenças, uma vez que a produção média no mar era em torno de 1,7 a 1,8 milhão de barris/dia, não fosse o fato de que neste período evoluiu rapidamente a produção do pré-sal, hoje próxima de 300 mil barris de óleo (volume produzido pela Petrobras e suas parceiras em diversos ativos).

    Sem o pré-sal o impacto teria sido muito maior. Somente o gás teve aumento contínuo da produção, mas ainda aquém da demanda do país. É claro que, além das paradas programadas (essenciais para a recuperação da eficiência operacional de ativos com mais de duas décadas de operação no norte fluminense), há o declínio natural dos campos (em média de 10%, segundo Formigli), além de atrasos no recebimento de equipamentos.



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