Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras 60 anos – Acúmulo de desafios exige atitudes drásticas

Bia Teixeira
5 de dezembro de 2013
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    A unidade teve duas partes construídas de forma simultânea, casco e topside, sendo posteriormente unidas no Brasil, assegurando 79% de conteúdo nacional. Ela foi concluída no ERG-1, em Rio Grande-RS, no qual foram feitas as instalações do convés e dos módulos, bem como a integração dos sistemas da plataforma.

    Os módulos de remoção de sulfato e compressão de gás foram construídos no Rio Grande do Sul enquanto que os de remoção de CO2, Compressão Booster e TEG foram feitos em Niterói-RJ e transportados até Rio Grande.

    O casco, construído no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, foi entregue com atraso, impactando o cronograma da unidade. O maior desafio foi a operação de acoplamento das duas grandes partes da plataforma (convés e casco), chamada de deck mating, uma das maiores já executadas no mundo, tanto pelo peso da estrutura (17 mil toneladas) quanto pela sua altura – foi levantada a 47,2 metros.

    O tempo de reboque da P-55 até a Bacia de Campos será de aproximadamente 12 dias, quando iniciarão os procedimentos para ancoragem da unidade e interligação aos 17 poços.

    A quarta plataforma prevista para este ano é a FPSO P-58, que teve o casco do navio MT Welsh Venture adaptado em Cingapura, chegando ao final de 2011 ao Porto Novo de Rio Grande-RS para a conversão, a cargo da CQG Construções Offshore, no estaleiro da Quip.

    Ambas as empreiteiras estão suando a camisa para tentar acelerar os trabalhos que abrangem desde a conversão do casco e a construção e montagem de três módulos até a integração destes com os demais, em Niterói e Itaguaí-RJ.

    Programada inicialmente para junho de 2013, no ano passado a plataforma teve seu cronograma reajustado pela Petrobras, que previu o primeiro óleo no último dia de novembro. Isso é pouco provável, pois a P-58 demorou a entrar na ‘linha de montagem’ por conta do atraso da P-55, construída no mesmo estaleiro.

    As obras sofreram outros percalços, como uma paralisação, em maio deste ano, por determinação do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), que encontrou ‘irregularidades no acesso’, motivo para interditar os elevadores da plataforma, assim como os trabalhos realizados acima de 12 metros de altura.

    Com capacidade para produzir 180 mil barris de óleo/dia, comprimir 6 milhões de metros cúbicos de gás/dia, injetar em torno de 350 mil barris/dia de água e acomodar 110 pessoas, essa FPSO é maior do que o estádio do Maracanã, e a sua parte mais elevada tem quase a altura do Pão de Açúcar.

    O navio gigantesco, que viajou de Cingapura até Rio Grande por propulsão própria, demandou uma manobra especial para entrar no porto gaúcho, de onde deverá sair, quando concluído, diretamente para a locação, no norte do Parque das Baleias, na Bacia de Campos, na costa do estado do Espírito Santo.

    A plataforma, que será ancorada a cerca de 78 quilômetros da costa, em águas com profundidade de 1.400 metros, vai produzir hidrocarbonetos de nada menos que cinco campos, por meio de 15 poços produtores (8 no pré-sal e 7 no pós-sal) e 9 poços injetores de água (6 no pré-sal e 3 no pós-sal).

    A FPSO P-58 vai produzir tanto óleo leve do pré-sal (Baleia Franca, Jubarte e Baleia Azul) como óleo pesado do pós-sal (Cachalote, Baleia Anã e Franca). Razão pela qual é considerada estratégica também para a Petrobras atingir suas metas de produção e gerar caixa adicional.

    Em julho, a FMC conclui os dois primeiros manifolds de um pacote de oito, contratados pela Petrobras para o Parque das Baleias. Os dois manifolds, que serão conectados à P-58, poderão integrar a produção de até quatro poços, sob pressões até 5.000 psi. Faltam ainda os outros seis.

    Difícil imersão – Mas não é somente nas unidades programadas que a Petrobras enfrenta problemas. O FPSO Cidade de Paraty, que deu início à produção comercial da área de Lula Nordeste, no pré-sal da Bacia de Santos, também passa por algumas dificuldades. É o segundo a entrar em operação dentre os dez módulos definitivos previstos para o desenvolvimento do campo de Lula (incluindo a área de Iracema), com um volume recuperável total estimado em 8,3 bilhões de barris de óleo equivalente.

    Ancorado a 2.120 metros de profundidade, a cerca de 300 km da costa, o FPSO Cidade de Paraty tem capacidade para processar, diariamente, até 120 mil barris de petróleo e 5 milhões de m3 de gás.

    Nada de errado com a unidade, que já produz mais de 50 mil barris/dia de óleo de elevada qualidade e de média densidade (29ºAPI). Na realidade, tudo parece ir muito bem, uma vez que os dois poços interligados a esta plataforma estão no ranking dos dez maiores produtores, segundo o boletim mensal de agosto da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    No total, catorze poços (8 produtores e 6 injetores) serão interligados à plataforma, com pico de produção de 120 mil bpd, previsto para o segundo semestre de 2014. No entanto, as coisas parecem não correr bem por baixo do pano. Ou melhor, por baixo d’água. O problema está no sistema de flutuação concebido pela Petrobras, que envolve a implantação de boias submersas em nível abaixo da FPSO, projeto sob responsabilidade da norueguesa Subsea 7.

    O contrato, firmado após uma espécie de concurso de design, no qual a empresa norueguesa saiu vencedora, abrange a engenharia, suprimento, instalação e pré-comissionamento de quatro Boias de Sustentação de Risers (BSRs), que deveriam estar instaladas até janeiro do próximo ano, 250 metros abaixo do FPSO Cidade de Paraty.



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