Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras: 50 anos

Marcelo Fairbanks
24 de outubro de 2003
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    Química e Derivados: Petrobras: petrobras_grafico. Como exemplos, Aquino citou a nova fábrica de polipropileno da Polibrasil, em Mauá-SP, que recebe corrente C3 da Recap e da RPBC (Cubatão-SP), complementando o suprimento de propeno da Petroquímica União. A central paulista também tem interesse em contratar o suprimento de gases residuais de refino da Recap e Revap para ampliar sua capacidade de produção de eteno em 200 mil t/ano. “As bases de negociação são boas, e o projeto é bastante atraente, mas exige alguns investimentos em unidade de separação de gases e no duto de transporte”, considerou. “Estamos discutindo preços que sejam adequados às duas empresas, com referencias internacionais.”

    Eficiência comprovada – As dez maiores refinarias da Petrobrás participaram de um benchmarking com unidades de várias companhias mundiais em diferentes regiões do mundo, trabalho realizado pela empresa de consultoria Solomon. “Dos 14 indicadores listados, em 20% estamos entre os dez primeiros colocados e, em alguns casos, somos líderes mundiais”, comemorou Aquino. As refinarias brasileiras superaram as referências internacionais em rentabilidade, retorno sobre investimentos, custo global e custo de manutenção.

    O diretor atribui o bom desempenho das refinarias aos vários anos de trabalho da companhia, que empreendeu visitas às congêneres consideradas paradigmas mundiais para identificar diferenciais e implantá-los nas unidades brasileiras. “Além disso, promovemos a gestão de competências, ou seja contamos com vários especialistas em diversos aspectos estudando nas melhores escolas do mundo”, afirmou. Além de preparar quadros para o provimento futuro de cargos na empresa, isso permite a formação de uma massa cultural variada e qualificada.

    A abertura de mercado na área de petróleo e gás também salientou a necessidade de melhorar o desempenho operacional, a tecnologia e a gestão da atividade, tornando a companhia cada vez mais competitiva. “Nossas despesas operacionais, exceto energia, caíram pela metade entre 1996 e 2002”, ressaltou. Segundo o diretor, o custo dos produtos da Petrobrás é igual ao dos obtidos nas refinarias norte-americanas, mas o preço final ao consumidor acaba sendo bem mais elevado. “Levamos séria desvantagem quando se computam os impostos”, afirmou. Mesmo assim, ele afirma que a gasolina brasileira não é das mais caras do mundo, pois alguns países europeus, até por razões ambientais, sobretaxam o combustível.

    Petrobrás nasceu com forte apoio popular

    A busca pelo petróleo nacional começou muito antes da criação da Petrobrás, em 1953. Há registros de sondagens profundas na região paulista de Bofete em 1892, todas infrutíferas. Na década de 1920, órgãos públicos procuraram óleo nos Estados de São Paulo e Paraná. Na década seguinte, marcada pelo intenso movimento nacionalista, que deu origem à mexicana Pemex, com reflexos na América do Sul, o Brasil editou Lei (nº 366) reservando aos cidadãos brasileiros a atividade petroleira. O consumo nacional já chegava aos 38 mil bpd.

    Química e Derivados: Petrobras: Monopólio integral só veio nos anos 60.

    Monopólio integral só veio nos anos 60.

    A partir de 1941, com as descobertas feitas pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP) – órgão criado pela ditadura Vargas, em 1938 – na Bahia, empresas internacionais apresentaram propostas de exploração, desafiando a legislação local. Foram rechaçadas. O ambiente tornou-se cada vez mais tenso, com acirradas disputas entre grupos de opinião internacionalistas e nacionalistas. Em 1948, foi criado o movimento “O Petróleo é Nosso”, com ampla mobilização popular. Getúlio Vargas, agora eleito pelo voto direto, enviou ao Congresso Nacional um projeto para a criação de empresa de capital misto (privado e estatal) para a exploração de petróleo, atividade que estava sendo desenvolvida pelo CNP, que se tornaria um órgão fiscalizador e regulamentador da atividade.

    Depois de dois anos de debates no legislativo, com grande número de emendas, foi aprovado um texto que incluía, além da criação da empresa, a concessão de monopólio para quase todas as etapas da atividade, obtido com as bênçãos da União Democrática Nacional (UDN), partido de oposição ao sistema varguista PSD-PTB e considerado “entreguista”. Esse texto foi sancionado em 3 de outubro de 1953, publicado como Lei 2.004. Apenas em 1963, no governo Goulart, o monopólio foi estendido para importação e exportação de petróleo bruto e derivados. O monopólio perdurou até a publicação da Emenda Constitucional n° 9, de novembro de 1995, permitindo o ingresso parcial de empresas internacionais no negócio petrolífero. Em 1997, essa permissão legal foi ampliada, abrindo aos estrangeiros a possibilidade de construir e operar refinarias no País.



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